Estudo aponta que a Copa do Mundo atua como fator de estímulo ao consumo no Espírito Santo, com impacto em setores como bares, restaurantes e varejo
Por Letícia Arcanjo
A Copa do Mundo de 2026 ocorrerá entre junho e julho, período que coincide com um momento de elevada movimentação financeira projetada para o comércio e os serviços no Espírito Santo. O comércio capixaba deve movimentar R$ 28,5 bilhões em junho e R$ 28,4 bilhões em julho de 2026. Somados, os dois meses representam cerca de R$ 56,9 bilhões em receita bruta no comércio geral.
Já no comércio varejista, a movimentação prevista é de R$ 7,8 bilhões em junho e R$ 7,7 bilhões em julho. As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O economista do Corecon-ES, Vaner Corrêa, ressalta que, do ponto de vista econômico, a Copa funciona como um acelerador de determinados segmentos, direcionando temporariamente parte dos gastos das famílias para produtos e serviços associados ao evento. Ele destaca que os setores mais sensíveis aos efeitos da competição tendem a ser aqueles diretamente ligados ao consumo das famílias e ao lazer.
“Além disso, atividades relacionadas ao turismo regional podem registrar aumento de demanda, especialmente em municípios com forte vocação turística. Embora o Espírito Santo não seja sede da competição, o evento estimula reuniões familiares, encontros entre amigos e o consumo coletivo, favorecendo estabelecimentos voltados à convivência social”, afirma.
O setor de bares e restaurantes do Espírito Santo projeta um aumento de até 30% no faturamento em relação a um período normal, além da geração de cerca de 2 mil vagas temporárias no Estado durante o torneio.
Corrêa destaca que a Copa do Mundo é um dos raros eventos capazes de mobilizar simultaneamente milhões de pessoas em torno de uma experiência compartilhada. Esse ambiente tende a gerar maior disposição ao consumo, especialmente em itens ligados à celebração, entretenimento e socialização.

“Na economia, esse fenômeno pode ser compreendido como um aumento da propensão marginal ao consumo em determinados segmentos. O consumidor não necessariamente amplia seus gastos totais, mas altera a composição de suas despesas”, pontua.

