Entenda funcionamento, indicações e mitos do implante contraceptivo gratuito, o Implanon, que será ampliado para 66 cidades capixabas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)
Por Thamiris Guidoni
O implante subdérmico contraceptivo, conhecido como Implanon, terá a oferta ampliada para os outros 66 municípios do Espírito Santo. Após a primeira etapa de implementação em cidades com mais de 50 mil habitantes, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) prepara a capacitação de profissionais dos municípios menores para garantir que o método esteja disponível na atenção primária em todo o Estado.
Em entrevista à ES Brasil, Janaína Daumas Félix, chefe do Núcleo de Atenção Primária (Neapri) da Sesa, informou que a capacitação começa no final do mês de março.
“Nos dias 31 de março e 1º de abril, vamos capacitar os municípios com menos de 50 mil habitantes para garantir que, na atenção primária, essa mulher tenha a oportunidade de colocar o método”, afirma.
Segundo ela, a escolha inicial dos 12 municípios seguiu critérios do Ministério da Saúde, priorizando cidades com mais de 50 mil habitantes. Foram contemplados Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Colatina, Guarapari, Linhares, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória. Cerca de 700 mil mulheres de 14 a 49 anos já podem procurar o serviço nessas localidades.
“É a oferta de um método de longa duração, que traz conforto e tem alta eficácia. Garantimos essa oportunidade para mulheres de 14 a 49 anos. Implementamos mais uma política voltada aos nossos corpos femininos, e isso é importante”, destaca.
O que é o Implanon?
O Implanon é um contraceptivo reversível de longa duração (LARC), com eficácia superior a 99% e validade de até três anos.
“A gente diz que esse implante é um anticoncepcional de longa duração, o LARC. Esse anticoncepcional é uma haste flexível, implantada de forma subdérmica, com absorção contínua de um hormônio chamado etonogestrel. Ele também é chamado de implante subdérmico ou Implanon. Tem uma eficácia superior, que chega a 99%.”
O método age de três formas:
- Inibe a ovulação
- Espessa o muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides
- Torna o útero menos favorável à implantação
“Ele vai inibir a ovulação, provocar o espessamento do muco cervical, impedindo a passagem dos espermatozoides, e também deixa o útero menos favorável à implantação. Essa é a diferença dele em relação aos outros métodos.”
Por liberar hormônio continuamente, elimina a necessidade do uso diário de pílulas. “Se você for comparar com o custo de um anticoncepcional mensal, ele sai muito melhor, porque dá essa possibilidade de uso contínuo de uma tecnologia nova, sem aquele custo mensal e sem a necessidade de lembrar de tomar o anticoncepcional oral diariamente.”
Contraindicações e efeitos colaterais
Apesar da alta eficácia, o método não é indicado em casos de:
- Gravidez confirmada
- Câncer de mama recente ou prévio
- Sangramento uterino sem causa esclarecida
- Doença hepática grave
Entre os possíveis efeitos estão sangramento irregular, ausência de menstruação, cefaleia, acne e dor nas mamas.
“Não são efeitos graves e podem ser manejados durante o acompanhamento, porque ela precisa fazer acompanhamento depois da inserção”, explica.
Fertilidade e mitos
Uma das principais dúvidas é sobre o retorno da fertilidade. “A fertilidade retorna imediatamente depois da retirada. A ovulação volta em poucas semanas após a retirada. Ele é muito bom porque você volta à sua vida normal e pode programar o seu ciclo reprodutivo, quando você quer engravidar.”
Janaína também rebate desinformações. “Tem o mito de que é um chip que anda pelo corpo, isso é mentira. Que causa infertilidade permanente, isso é mentira. Que engorda. Que caminha pelo corpo. Que protege contra IST, e não protege.”
Acompanhamento é essencial
Segundo a especialista, podem ocorrer alterações no ciclo menstrual. “Pode ocorrer, em alguns casos, ausência da menstruação. Também pode acontecer escape de sangramento. Isso é uma perspectiva que pode acontecer, então a mulher precisa ter ciência de que esse evento pode ocorrer.”
Ela reforça a importância do acompanhamento. “Quando coloca o Implanon, mulher precisa acompanhar no ambulatório. Em qualquer momento, se ela entender que há algo diferente, pode retornar ao ambulatório para esclarecer dúvidas e ser atendida. O objetivo não é que ela descontinue ou retire por falta de orientação.”
Para Janaína, ampliar o acesso ao método representa avanço na política pública de saúde reprodutiva. “Em um mundo com tanta violência, ter mais uma proposta que permita trabalhar o nosso ciclo sexual e reprodutivo é muito significativo para nós, enquanto mulheres. Ainda mais no mês de março, próximo ao Dia das Mulheres, isso reforça o quanto essa política é importante para nós.”

