Você já ouviu falar sobre o Implanon? Especialista tira dúvidas sobre indicações, mitos, efeitos do novo método contraceptivo disponível no SUS e as vantagens para mulheres
Por Thamiris Guidoni
O implante subdérmico contraceptivo, conhecido como Implanon, já começou a ser ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Espírito Santo e tem gerado dúvidas entre as mulheres. Cerca de 700 mil mulheres de 14 a 49 anos e que residem em 12 municípios já podem procurar pelo serviço.
Em entrevista à ES Brasil, Janaína Daumas Félix, chefe do Núcleo de Atenção Primária (Neapri) da Secretaria da Saúde (Sesa), falou sobre a capacitação de profissionais da rede.
“Nós fizemos a primeira capacitação no final do ano passado, em novembro, com os 12 municípios acima de 50 mil habitantes: Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Colatina, Guarapari, Linhares, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória. Nesses municípios, foram capacitados médicos e enfermeiros”, pontua.
O método contraceptivo é considerado de longa duração e alta eficácia, podendo ser utilizado por até três anos. Segundo Janaína, o implante faz parte dos chamados LARCs, contraceptivos reversíveis de longa duração.
“Esse anticoncepcional é uma haste flexível, implantada de forma subdérmica (embaixo da pele), com absorção contínua de um hormônio chamado etonogestrel. Ele também é chamado de implante subdérmico ou Implanon. Tem uma eficácia superior, que chega a 99%”.
Como funciona o Implanon
O método age de três formas no organismo:
- Inibe a ovulação
- Espessa o muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides
- Torna o útero menos favorável à implantação.
De acordo com Janaína, essa é uma tecnologia de alto custo que está sendo incorporada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e permite que a mulher faça uma programação dentro do seu ciclo reprodutivo, podendo utilizá-lo por três anos. O público indicado inclui adolescentes e mulheres de 14 a 49 anos.
“Se você for comparar com o custo de um anticoncepcional mensal, ele sai muito melhor, porque dá essa possibilidade de uso contínuo de uma tecnologia nova, sem aquele custo mensal e sem a necessidade de lembrar de tomar o anticoncepcional oral diariamente.”
Contraindicações
Apesar da alta eficácia, há situações em que o método não é recomendado:
Entre os possíveis efeitos colaterais, estão:
- Sangramento irregular
- Ausência de menstruação
- Cefaleia (dor de cabeça)
- Acne
- Dor nas mamas
A chefe do Neapri explica, no entanto, que os efeitos não são graves e podem ser manejados durante o acompanhamento, porque a mulher precisa fazer acompanhamento depois da inserção.
Fertilidade e mitos
Uma das principais dúvidas é sobre a volta da fertilidade, mas segundo a especialista, o retorno da ovulação é rápido, acontecendo em poucas semanas após a retirada. “Esse é um dos benefícios: porque você volta à sua vida normal e pode programar o seu ciclo reprodutivo, quando você quiser engravidar.”
De acordo com Janaína, existem vários mitos em volta do método. Entre eles, o de que ele é um chip que anda pelo corpo; que causa infertilidade permanente; que protege contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). “Nenhuma dessas informações é verdadeira”, afirmou.
A profissional ressaltou que o implante é mais uma opção dentro da política pública de saúde reprodutiva. “Essa é apenas mais uma das possibilidades de métodos ofertadas no SUS, e cabe à paciente escolher aquele que é melhor para a sua vida reprodutiva”.
Alterações no ciclo menstrual
Segundo Janaína, pode haver alteração no ciclo menstrual após a aplicação do implante. Em alguns casos, até a interrupção da menstruação. “Também pode acontecer escape de sangramento. Como são possibilidades, a mulher precisa ter ciência de que esse evento pode ocorrer antes de escolher o método”
A profissional ainda orienta: “Quando colocar o Implanon, a mulher precisa fazer um acompanhamento no ambulatório. Em qualquer momento, se ela entender que há algo diferente, pode retornar à Unidade para esclarecer dúvidas e ser atendida. O objetivo disso é sempre garantir que ela não descontinue ou retire por falta de orientação”.
Capacitação e acesso à informação

A escolha dos 12 municípios seguiu critérios do órgão federal, nos quais a primeira etapa de incorporação deveria ser destinada àqueles com mais de 50 mil habitantes. Segundo Janaína, nesses locais, a mulher pode procurar a unidade básica ou a Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com ela, graças ao Ministério da Saúde, a iniciativa ainda será expandida para os outros 66 municípios. “Nos dias 31 de março e 1º de abril, vamos capacitar os municípios com menos de 50 mil habitantes para garantir que, na atenção primária, essa mulher tenha a oportunidade de colocar o método.”
E completa: “É a oferta de um método de longa duração, que traz conforto e tem alta eficácia. Garantimos essa oportunidade para mulheres de 14 a 49 anos. Implementamos mais uma política voltada aos nossos corpos femininos, e isso é importante.”
Para a chefe do Neapri, ter mais uma proposta que permita trabalhar o ciclo sexual e reprodutivo feminino é muito significativo. Ainda mais no mês de março, próximo ao Dia das Mulheres.

