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Greve ameaça atividades em estaleiro e causa prejuízo diário de R$ 2,5 milhões

Sindicato patronal pediu apoio ao governo para que negociações com trabalhadores avancem. Bloqueios impactam complexo industrial no entorno do estaleiro 

Por Kikina Sessa

A paralisação de trabalhadores do setor metalmecânico e de materiais elétricos no Estaleiro Seatrium Aracruz (antigo Jurong), em Aracruz, completou 30 dias nesta segunda-feira (01), provocando atrasos contratuais, interrupção de serviços e insegurança operacional para empresas que atuam em grandes complexos industriais, como Vale, ArcelorMittal, Samarco e a própria Seatrium, segundo avalia o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo (Sindifer). 

“O risco de descontinuidade em plantas estratégicas é real. Empresas estão perdendo turnos inteiros porque os trabalhadores não conseguem entrar. Precisamos de celeridade da Justiça para restabelecer condições mínimas de negociação e operação”, afirma o presidente do Sindifer, Luiz Alberto de Souza Carvalho.

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O Sindifer voltou a cobrar rapidez do Judiciário para garantir o cumprimento da liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17) e fez novo pedido de apoio ao governo do Estado para que as negociações do dissídio coletivo avancem. “A celeridade da Justiça e o apoio do governo do Estado se fazem necessários para evitar que grandes empresas capixabas se vejam obrigadas a paralisar as atividades”, ressalta o presidente do Sindifer.

O ofício  do Sindifer, assinado em parceria com a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), foi encaminhado ao vice-governador Ricardo Ferraço, listando de modo especial as perdas significativas que a Seatrium – maior empregadora industrial de Aracruz e única operação de estaleiro de grande porte do Espírito Santo -, tem registrado em função das paralisações e da instabilidade instalada no ambiente de trabalho. 

De acordo com o Sindifer, o estaleiro emprega cerca de 6 mil trabalhadores diretos e indiretos, sendo que cada dia de paralisação gera um prejuízo estimado de R$ 2,5 milhões em perdas diretas de faturamento e produtividade, além de impactos negativos sobre toda a cadeia de fornecedores e prestadores de serviços locais.

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A decisão judicial em vigor, concedida em 12 de novembro de 2025, determina livre acesso de trabalhadores às empresas, veda bloqueios nas portarias e exige que o sindicato laboral mantenha ao menos 40% do efetivo em atividade. O descumprimento prevê multa diária de R$ 50 mil. No entanto, segundo o Sindifer, há recorrência de obstruções, constrangimentos e impedimentos diretos ao trânsito de trabalhadores e fornecedores em diversas unidades.

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Cenário de greve contrasta com ambiente favorável a investimentos

O Sindifer chama atenção para o contraste entre o atual cenário de paralisações e os esforços do governo do Estado para consolidar o Espírito Santo como um dos melhores ambientes de negócios do país, com estabilidade regulatória, previsibilidade e segurança jurídica.

O Espírito Santo oferece boas condições para novos investimentos, incluindo incentivos competitivos e um ambiente industrial estável. Entretanto, segundo o Sindifer, a crise trabalhista prolongada afeta diretamente essa percepção.

“A insegurança criada pelos bloqueios e pelo descumprimento de decisões judiciais vai na contramão da imagem que o Espírito Santo projeta ao investidor. Pequenas e médias empresas estão sendo empurradas para compromissos financeiros que não conseguirão honrar. Isso corrói competitividade e afeta toda a economia capixaba”, destaca Luiz Alberto. Segundo o sindicato, o setor já registra perda média de 30% na produtividade, especialmente nas empresas inseridas nos grandes complexos.

Negativa de negociação e descumprimento de liminares

O TRT-17 já realizou duas tentativas de mediação, mas o sindicato laboral não compareceu a nenhuma das audiências. A primeira liminar, concedida em 1º de novembro, estabelecia manutenção de 80% do efetivo em atividade. Em 12 de novembro de 2025, o percentual foi revisto para 40%, mantendo-se a obrigação de garantir livre acesso às unidades industriais e de se abster de qualquer forma de coação ou bloqueio.

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Segundo o Sindifer, relatos de empresas de diferentes portes demonstram que a orientação judicial não está sendo cumprida. Há casos de trabalhadores impedidos de acessar plantas industriais e equipes de manutenção que não conseguem cumprir contratos essenciais, resultando em paralisações forçadas e atrasos críticos.

O outro lado

Por meio de página no Facebook, o Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal-ES), afirma que “em vez de cumprir a Convenção Coletiva de Trabalho, que tem força de lei, a empresa tenta confundir os trabalhadores com propostas cheias de armadilhas e manobras para escapar de suas obrigações.”

A entidade laboral afirma ainda que “a Seatrium tenta fazer parecer que existe uma negociação em curso, mas não existe. O que há, oficialmente, é uma Convenção Coletiva assinada, válida e retroativa a 1º de setembro, que a empresa insiste em não cumprir. O texto apresentado no boletim tenta colocar vale-alimentação de R$ 900,00 quando a convenção determina R$ 1.100. Ou seja: R$ 200 a menos do que a lei manda”.

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