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domingo, 22 maio, 2022

Focus: Mercado diminui projeção de crescimento da economia

O rendimento médio das famílias caiu 3,4% em 2020. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Especialista analisa o Estado do Espírito Santo diante das novas perspectivas do mercado financeiro no final de 2021

Há duas semanas do encerramento do ano, os analistas estão de olho nos indicadores econômicos. A última estimativa para o crescimento da economia brasileira caiu de 4,65% para 4,58%, segundo o último Boletim Focus.

O integrante do Conselho Regional de Economia, o economista Ricardo Paixão, explica que existe um ambiente de incertezas, o que não gera boas expectativas.

“A queda no crescimento da nossa economia é fruto da variante Ômicron, que está preocupando a comunidade científica e também os analistas econômicos, também estamos próximos de um ano eleitoral, essas questões criam um cenário de incertezas, por isso, vamos ver oscilações nas previsões de crescimento econômico”, ponderou.

Espírito Santo

O Espírito Santo tem uma dinâmica diferente da nacional, segundo o economista. O Governo do Estado apresenta boa saúde financeira, com as contas em dia, e existem arranjos produtivos de Norte a Sul do Estado, com grandes empresas e polos de confecções, de acordo com ele. Contudo, os capixabas não conseguem escapar da dinâmica da taxa de juros e da inflação.

Economista alerta para ambiente de incertezas. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

“O Estado se destaca nesses pontos, mas não estamos imunes aos problemas macroeconômicos, um deles o desemprego e o outro a inflação. Existem muitos capixabas na informalidade, por exemplo. O Espírito Santo tem aquela ‘gordurinha a mais’, que outros estados não têm, mas a sensação de inflação nos supermercados é sentida pela população capixaba, principalmente, aqueles com renda mais baixa”, explicou.

O rendimento médio das famílias caiu 3,4% em 2020, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego, o encolhimento do rendimento familiar e a alta da inflação, impactam diretamente no consumo. “Com a redução do consumo, os empresários passam a rever suas condições de prestação de serviço e produção”, disse.

PIB

De acordo com o Relatório Focus, para o próximo ano, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – é de crescimento de 0,5%, a mesma previsão da semana passada. Além disso, a estimativa de expansão do PIB em 2021 é 4,58%, décima semana seguida em que a previsão é diminuída. A anterior era de 4,65%.

Paixão lembra que, em razão da pandemia, houve uma queda no PIB de cerca de 4% entre os anos de 2020 e 2021. “O PIB é uma variável importante, porque ele diz o quanto a economia pode gerar empregos e renda, aumentado o consumo.

Seu crescimento nos indica que temos condições de absorver os jovens que estão entrando no mercado de trabalho e parte dos desempregados. Porém, como a base de comparação ficou muito baixa, em razão da retração de 2020, a perspectiva de 2021com 4,58%, parece mais uma reposição do que foi perdido. Agora imagine um crescimento de 0,5% no próximo ano? O país não vai conseguir crescer de forma intensa”, explicou.

Em 2023, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 1,85%, seguindo pessimista e derrubando a previsão de crescimento pela terceira vez consecutiva. Para 2004, a perspectiva é 2%.

IPEA

A projeção para o crescimento do PIB também foi revista para baixo pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados divulgados nesta quarta-feira (22) passam a estimativa de PIB de 4,8%, no trimestre terminado em setembro, para 4,5%. Em 2020, o PIB do Brasil caiu 4,1%.

Índice Nacional de Preços

A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, também variou para baixo, de 10,05% para 10,04% neste ano. É a segunda redução depois de 35 semanas consecutivas de alta da projeção. Para 2022, a estimativa de inflação ficou em 5,03%. Para 2023 e 2024, as previsões são de 3,4% e 3%, respectivamente.

O Copom já sinalizou elevar a Selic em mais 1,5 ponto percentual. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Em novembro, puxada principalmente pelo aumento de preços de combustíveis, a inflação foi de 0,95%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o indicador acumula altas de 9,26% no ano e de 10,74%, nos últimos 12 meses. A inflação acumulada em 12 meses é a maior desde novembro de 2003. A previsão para 2021 está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC.

“A inflação deve alcançar entre 10% e 11%, o que significa perda de poder de compra pelos agentes políticos, econômicos e a população, principalmente, os que possuem menor renda. A questão é que nossa inflação não está atrelada à demanda e sim aos custos. Então, o governo federal tenta controlar o consumo aumentando a taxa de juros e isso não resolve o problema inflacionário”, explicou o economista.

Taxa de juros

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 9,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para a próxima reunião do órgão, em fevereiro, o Copom já sinalizou que deve elevar a Selic em mais 1,5 ponto percentual.

As projeções do BC para a inflação estão ligeiramente acima da meta para 2022 e ao redor da meta para 2023. Isso reforça a decisão da autarquia de manter a política mais contracionista, com elevação dos juros, para que a inflação convirja para a meta dentro do intervalo de tolerância definido pelo CMN.

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