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Focus: Mercado diminui projeção de crescimento da economia

Especialista analisa o Estado do Espírito Santo diante das novas perspectivas do mercado financeiro no final de 2021

Há duas semanas do encerramento do ano, os analistas estão de olho nos indicadores econômicos. A última estimativa para o crescimento da economia brasileira caiu de 4,65% para 4,58%, segundo o último Boletim Focus.

O integrante do Conselho Regional de Economia, o economista Ricardo Paixão, explica que existe um ambiente de incertezas, o que não gera boas expectativas.

“A queda no crescimento da nossa economia é fruto da variante Ômicron, que está preocupando a comunidade científica e também os analistas econômicos, também estamos próximos de um ano eleitoral, essas questões criam um cenário de incertezas, por isso, vamos ver oscilações nas previsões de crescimento econômico”, ponderou.

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Espírito Santo

O Espírito Santo tem uma dinâmica diferente da nacional, segundo o economista. O Governo do Estado apresenta boa saúde financeira, com as contas em dia, e existem arranjos produtivos de Norte a Sul do Estado, com grandes empresas e polos de confecções, de acordo com ele. Contudo, os capixabas não conseguem escapar da dinâmica da taxa de juros e da inflação.

Focus: Mercado diminui projeção de crescimento da economia
Economista alerta para ambiente de incertezas. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

“O Estado se destaca nesses pontos, mas não estamos imunes aos problemas macroeconômicos, um deles o desemprego e o outro a inflação. Existem muitos capixabas na informalidade, por exemplo. O Espírito Santo tem aquela ‘gordurinha a mais’, que outros estados não têm, mas a sensação de inflação nos supermercados é sentida pela população capixaba, principalmente, aqueles com renda mais baixa”, explicou.

O rendimento médio das famílias caiu 3,4% em 2020, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desemprego, o encolhimento do rendimento familiar e a alta da inflação, impactam diretamente no consumo. “Com a redução do consumo, os empresários passam a rever suas condições de prestação de serviço e produção”, disse.

PIB

De acordo com o Relatório Focus, para o próximo ano, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – é de crescimento de 0,5%, a mesma previsão da semana passada. Além disso, a estimativa de expansão do PIB em 2021 é 4,58%, décima semana seguida em que a previsão é diminuída. A anterior era de 4,65%.

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Paixão lembra que, em razão da pandemia, houve uma queda no PIB de cerca de 4% entre os anos de 2020 e 2021. “O PIB é uma variável importante, porque ele diz o quanto a economia pode gerar empregos e renda, aumentado o consumo.

Seu crescimento nos indica que temos condições de absorver os jovens que estão entrando no mercado de trabalho e parte dos desempregados. Porém, como a base de comparação ficou muito baixa, em razão da retração de 2020, a perspectiva de 2021com 4,58%, parece mais uma reposição do que foi perdido. Agora imagine um crescimento de 0,5% no próximo ano? O país não vai conseguir crescer de forma intensa”, explicou.

Em 2023, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 1,85%, seguindo pessimista e derrubando a previsão de crescimento pela terceira vez consecutiva. Para 2004, a perspectiva é 2%.

IPEA

A projeção para o crescimento do PIB também foi revista para baixo pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados divulgados nesta quarta-feira (22) passam a estimativa de PIB de 4,8%, no trimestre terminado em setembro, para 4,5%. Em 2020, o PIB do Brasil caiu 4,1%.

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Índice Nacional de Preços

A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, também variou para baixo, de 10,05% para 10,04% neste ano. É a segunda redução depois de 35 semanas consecutivas de alta da projeção. Para 2022, a estimativa de inflação ficou em 5,03%. Para 2023 e 2024, as previsões são de 3,4% e 3%, respectivamente.

Focus: Mercado diminui projeção de crescimento da economia
O Copom já sinalizou elevar a Selic em mais 1,5 ponto percentual. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Em novembro, puxada principalmente pelo aumento de preços de combustíveis, a inflação foi de 0,95%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o indicador acumula altas de 9,26% no ano e de 10,74%, nos últimos 12 meses. A inflação acumulada em 12 meses é a maior desde novembro de 2003. A previsão para 2021 está acima da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC.

“A inflação deve alcançar entre 10% e 11%, o que significa perda de poder de compra pelos agentes políticos, econômicos e a população, principalmente, os que possuem menor renda. A questão é que nossa inflação não está atrelada à demanda e sim aos custos. Então, o governo federal tenta controlar o consumo aumentando a taxa de juros e isso não resolve o problema inflacionário”, explicou o economista.

Taxa de juros

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 9,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Para a próxima reunião do órgão, em fevereiro, o Copom já sinalizou que deve elevar a Selic em mais 1,5 ponto percentual.

As projeções do BC para a inflação estão ligeiramente acima da meta para 2022 e ao redor da meta para 2023. Isso reforça a decisão da autarquia de manter a política mais contracionista, com elevação dos juros, para que a inflação convirja para a meta dentro do intervalo de tolerância definido pelo CMN.

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