Findes vai invertir na ampliação e melhorias em unidades de ensino no Espírito Santo
Sustentabilidade e eficiência energética são temas que vem ganhando cada dia mais espaço nos debates. A aplicação de ambos está diretamente ligada ao desenvolvimento socioeconômico de um local e pode acontecer de várias formas, entre elas a construção e a engenharia dos seus projetos de obras, iniciativa que vem sendo realizada pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES).
De acordo com o presidente da FINDES, Paulo Baraona, a Federação elevou o grau de inovação e excelência em tecnologias e metodologias em todos os projetos que realiza.
Atualmente, 13 unidades do SESI e do SENAI no Estado passam por melhorias sob os mais rigorosos critérios de sustentabilidade da Federação. “Até o final deste ano, vamos investir R$115 milhões em construção, reformas e modernização das nossas unidades. Ao todo, serão R$ 500 milhões até 2030”, aponta Baraona.
O presidente explica ainda que a FINDES começou a realizar projetos de obras mais sustentáveis e com o olhar voltado à eficiência energética há algum tempo. “É uma iniciativa que acreditamos, apoiamos e estamos melhorando gradualmente. Nossos investimentos em projetos mais sustentáveis impulsionam mudanças culturais e técnicas em todas as indústrias do Estado a partir dos exemplos de boas-práticas que damos”.
Mas o que são obras sustentáveis? São construções que reduzem impactos ambientais e sociais, usando recursos de forma eficiente, minimizando resíduos, aproveitando luz natural, garantindo conforto e escolhendo materiais de baixo impacto, sempre respeitando o contexto sociocultural e a qualidade de vida da comunidade.
Para as empresas, elas significam ainda ganhos reais como: melhoria na qualidade de projetos, interação entre todos os profissionais envolvidos na obra, redução de custos e de prazos, aditivos quase zero e qualidade na construção, além da integração da cadeia produtiva total da produção até as lojas.
Empresas, como a FINDES, buscam certificações internacionais de sustentabilidade, como o LEED, voltado a construções sustentáveis com critérios de energia, água, materiais e qualidade do ar, e o EDGE, focado em eficiência de recursos em edifícios verdes.
Além dessas, tecnologias digitais como o Building Information Modeling (BIM), que integra arquitetura, engenharia e instalações em um modelo digital, potencializam o planejamento eficaz, diminuem desperdícios e melhoram a gestão da obra. “O BIM é uma ferramenta essencial para garantir qualidade e eficiência em cada projeto, permitindo uma gestão colaborativa e sustentável das obras, com redução real de custos e de tempo na execução do projeto. Hoje a Federação está no nível 6D, um dos mais avançados do país”, explica Baraona.
Um exemplo prático desse conceito é a nova unidade do SENAI porto prevista para inaugurar em dezembro deste ano, situado no Armazém 3 do Porto de Vitória. Com investimento superior a R$ 30 milhões, a obra integra um espaço tombado em patrimônio cultural a um moderno e eficiente centro educacional.
“São cerca de 3.800 metros quadrados preparados para atender diariamente 1.800 alunos em cursos de logística, tecnologia da informação, gestão portuária, economia do mar e economia criativa. A construção utiliza estruturas metálicas, divisórias termoacústicas, isolantes térmicos e steel deck em lajes e forros, que juntos garantem maior conforto ambiental, durabilidade e rapidez na execução, aliando preservação e inovação”, explica o gerente executivo de Infraestrutura e Serviços da FINDES, Ricardo Curty.

Outros exemplos são as Escolas SESI de Referência, de Vitória (inaugurada em 2023), e de Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim, Linhares e Vila Velha, que estão em obras. “Essas unidades são planejadas para ter eficiência energética e conforto ambiental, com obras executadas segundo as diretrizes do BIM e certificações ambientais internacionais. São ambientes modernos e sustentáveis que reforçam o compromisso da FINDES com a promoção de uma educação inovadora, socialmente e ambientalmente responsável”, reforça Curty.
Exemplo para toda a indústria
Mais do que investir em tecnologia, a FINDES dedica esforços ao desenvolvimento técnico da cadeia produtiva capixaba. Ao exigir que fornecedores e prestadores de serviços adotem metodologias como o BIM, a Federação cria um efeito multiplicador de boas-práticas em toda a cadeia, estimulando a qualificação contínua das empresas locais e fomentando o surgimento de um ambiente produtivo inovador e sustentável.
“Estamos implementando no Espírito Santo um modelo de gestão e execução de obras que já é referência em grandes economias, adaptado à nossa realidade.
Essa diretriz de adequação eleva o nível técnico do nosso setor produtivo e posiciona a indústria da construção local na vanguarda da inovação nacional. A integração das melhores práticas globais favorece a competitividade dos negócios e fortalece a capacidade de atração de investimentos, essencial para o crescimento sustentável da indústria estadual e brasileira como um todo”, destaca o diretor-geral da FINDES, Roberto Campos de Lima.

Impactos na eficiência energética
O cuidado da FINDES vai além da construção, refletindo em impactos reais para as mais de 20 mil indústrias capixabas. Desde junho de 2023, as unidades do SESI e do SENAI no Estado operam no Mercado Livre de Energia com consumo 100% renovável, oriundo de uma Pequena Central Hidrelétrica local. Essa medida gerou uma economia acumulada superior a R$ 5,2 milhões até julho de 2025, reforçando a redução da pegada ambiental da indústria e o compromisso com a transição energética.
“A implementação de sistemas renováveis e automação nas instalações contribui para a sustentabilidade e competitividade econômica, tornando as operações mais eficientes e menos custosas”, comenta o diretor-geral.
As ações de fomento à transformação socioambiental da FINDES incluem atuação como articuladora de parcerias público-privadas, apoiando programas de financiamento para projetos de sustentabilidade, descarbonização e eficiência energética. Essa atuação conjunta maximiza os benefícios econômicos, ambientais e sociais gerados pelo setor produtivo capixaba.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 229, de novembro de 2025. Leia a edição completa de Energia aqui.

