Entre 2021 e 2024, as feiras receberam quase 4 milhões de pessoas e ampliaram oportunidades de negócios em vários segmentos do turismo
Por Amanda Amaral
As feiras de negócios e festivais atraem turistas fortalecendo toda a cadeia produtiva do setor, que vai desde a hotelaria até os bares e restaurantes. Entre 2021 e 2024, foram realizadas no estado, 498 eventos do tipo. A expectativa do setor é faturar R$ 143,91 milhões em negócios futuros, além disso, estabelecer um marco legal para a iniciativa.
Os dados foram apresentados em coletiva de imprensa, na manhã desta segunda-feira (11), no Hotel Senac Ilha do Boi, Vitória, em evento promovido pelo Sindicato das Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos em Geral do Espírito Santo (Sindiprom ES).
O relatório do Sindicato explica que a Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132/23) promove a tributação no local do consumo. Diante do novo sistema, o turismo desponta no Espírito Santo como uma alavanca estratégica para atração de consumidores de outros estados e até países, impulsionando o consumo interno e compensando eventuais perdas tributárias.
Dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo no Espírito Santo (Fecomércio/ES) mostram que, em 2024, o setor de serviços registrou um crescimento de 5,6% no Espírito Santo, mais que o dobro da média nacional. O que, segundo a entidade, evidencia o potencial das atividades ligadas ao turismo como vetor de expansão econômica. No estado, eventos como a Feira dos Municípios, Cachoeiro Stone Fair e Ruraltures atraem milhares de turistas.
O diretor presidente da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), Alberto Farias Gavini Filho, destacou no relatório a missão da agência de criar ambientes favoráveis ao micro e pequenos negócios e empreendedorismo social por meio de políticas públicas inovadoras e sustentáveis.
“As feiras comerciais realizadas em todo o estado são exemplos concretos dessas políticas. Elas proporcionam aos microempreendedores individuais, as empresas de economia solidária, às agroindústrias familiares e as cooperativas oportunidades para expor, comercializar e prospectar produtos e serviços. Essas ações impulsionam o crescimento das vendas, melhoram a qualidade de vida dos empreendedores, de suas famílias e comunidades, além de dinamizarem o comércio e o turismo local, aumentando a arrecadação fiscal dos municípios. Sob a liderança estratégica do governador Renato Casagrande, essas iniciativas reforçam a capilaridade dos negócios e sua relevância para a distribuição de renda no Espírito Santo”, explicou.
Pedro Rigo, diretor superintendente de Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/ES), reforçou o compromisso da instituição em transformar territórios por meio da valorização de suas vocações e da promoção da sustentabilidade: ” Nesse contexto, as feiras e eventos negócios estão entre as ferramentas mais estratégicas. Elas ampliam a visibilidade e o alcance dos empreendimentos, apresentando os produtos e serviços regionais e fortalecendo suas cadeias produtivas”, explicou no relatório.
Marco legal

No evento, o Sindiprom-ES propôs ainda a criação de um marco legal estadual para assegurar uma política pública permanente de apoio às feiras e eventos temáticos no estado. De acordo com o relatório, produzido com apoio do Sebrae/ES e da Aderes, a política pública a ser criada deve garantir os instrumentos estratégicos de fomento territorial, cultural e turístico, a ampliação da rede de parceiros e o estímulo à inovação nas metodologias e formatos dos eventos, com foco em sustentabilidade, digitalização, acessibilidade e inclusão produtiva.
A proposta do Sindiprom prevê que a política deve contar com orçamento próprio, planejamento anual e governança compartilhada entre Estado, municípios e sociedade civil.
“O objetivo é criar uma política pública estruturante e transversal para feiras e eventos culturais e de negócios, permitindo ao Estado investir em desenvolvimento territorial sustentável, na economia criativa e no turismo como ativo estratégico”, destacou o presidente do Sindiprom-ES, Alfonso Silva.
Resultados do setor de eventos entre 2021 e 2024:
- R$ 103.28 milhões em aportes públicos: R$ 44.442.457,71 (43%) do Sebrae ES; R$38.451.245,71 (37%) da Aderes; R$16.309.296.58 (16%) de empresas beneficiadas; e R$ 4.077.000,00 (04%) de emendas parlamentares;
- Realização de 498 feiras em todas as regiões do estado;
- Envolvimento direto de mais de 34.860 mil empreendedores;
- Contratação de 117 empresas organizadoras para os eventos;
- Criação e/ou manutenção de aproximadamente 45.000 empregos diretos por feira.
- Mobilização de mais de 4.900 fornecedores de serviços;
- Mobilização de um público estimado em 3,984 milhões de visitantes;
- Geração de mais de R$ 156,87 milhões em negócios e vendas diretas;
- Prospecção de negócios futuros em torno de R$ 143,91 milhões.
Fonte: Sindicato das Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras (Sindiprom).


