Como administrar Família e Propriedade?

Já falamos nesta coluna, em diversas oportunidades, que a empresa familiar é um conjunto de três sistemas – família, propriedade e gestão. 

O choque entre as particularidades de cada sistema, com seus interesses próprios, pode levar a empresa a enfrentar conflitos difíceis de lidar. Porém, a boa administração desses interesses é capaz de representar uma grande força motriz do crescimento do negócio.

Consideremos os sistemas da família e da propriedade. Racionalmente falando, um sócio espera que o negócio produza um retorno que lhe seja atraente em função do risco do investimento e em comparação com outras aplicações financeiras disponíveis. Assim, se essa empresa não lhe dá o retorno esperado, é necessário que ele implemente os ajustes cabíveis, seja na estratégia, seja na operação, para que a atividade atinja patamares de lucratividade compatíveis com a necessidade desse sócio. Alternativamente, ele pode cogitar em se desfazer da empresa, aplicando seu dinheiro em outro investimento mais rentável. Numa empresa familiar, se considerarmos o prisma da família, a lógica é bem diferente, pois o que está em jogo não é somente a relação risco x retorno do ativo, mas também todo o conjunto de sentimentos envolvidos no negócio, a história do fundador e até mesmo da família.

Como compatibilizar essas visões aparentemente tão contraditórias? É preciso buscar a profissionalização dos familiares, de modo que eles tenham condições de compreender que retornos são necessários para que a família se mantenha e se perpetue; se a empresa está ou não proporcionando esses retornos esperados; se os riscos estão adequados aos limites da família; se há possibilidade e de que forma melhorar o retorno do negócio; ou se, por razões de mercado, da própria empresa ou da família, não será possível continuar obtendo os retornos almejados e, portanto, os familiares devem cogitar da venda do negócio.

Ferramentas como plano de negócios, objetivos, métricas e metas são muito úteis para manter o alinhamento entre as necessidades da família e as possibilidades do negócio. E, acima de tudo, o correto preparo e desenvolvimento dos membros da família para serem sócios, independentemente de trabalharem ou não na empresa, é fundamental para que a família se transforme em verdadeira família empresária.

O papel do Conselho de Família
O Conselho de Família tem um papel muito importante na tarefa de profissionalizar a família empresária. Além de manter a coesão dos seus membros, cabe a esse órgão promover a discussão sobre o futuro da família e formular programas de desenvolvimento pessoal e profissional destinados a apoiar a continuidade do negócio familiar.

Evitando perdas e conflitos
Tão importante quanto a sucessão na gestão, planejar a sucessão patrimonial, ou seja, do controle acionário da empresa, é fundamental. Um bom processo sucessório evita que o falecimento de um familiar traga instabilidade econômica e perdas patrimoniais, propicia economia de impostos e afasta conflitos de interesses.

Uma reflexão importante
Quando se evolui do modelo de empresa para uma visão baseada na família empresária, o negócio passa a ser visto como um elemento a serviço do crescimento e perpetuação da riqueza familiar. Isso permite um amadurecimento da família para discutir, sem tabus, a manutenção, a reinvenção e até a venda da empresa.


Adriano Salvi é Conselheiro de administração certificado pelo IBGC, professor convidado da Fundação Dom Cabral e sócio da Vix Partners Consultoria e Participações

Danielle Quintanilha Merhi é Psicanalista, especialista em empresas familiares, professora convidada da Fundação Dom Cabral e sócia da Vix Partners Consultoria e Participações

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