Ex-ministro de Temer é preso pela Polícia Federal

Foto: Agência Câmara

Desdobramento da Lava Jato, que investiga sobrepreço de R$ 77 milhões na construção da Arena das Dunas (RN), resultou na prisão do ex-ministro Henrique Eduardo Alves. 

Antes mesmo das 6h30 desta terça-feira (06), o ex-ministro do Turismo nos governos Dilma Roussef e Michel Temer, Henrique Eduardo Alves, já estava preso. Agentes da Polícia Federal (PF) deram voz de prisão a Alves no apartamento onde mora, bairro de Areia Preta, em Natal.

A Operação Manus, mais um desdobramento da Lava Jato,  investiga sobrepreço de R$ 77 milhões na construção da Arena das Dunas, no Rio Grande do Norte. Processo no qual o ex-presidente da Câmara, o deputado cassado Eduardo Cunha, também é alvo.

A ação incluiu cinco mandados de prisão preventiva (sem prazo), seis de condução coercitiva (pessoa é levada para depor) e 22 de busca e apreensão.

 

Os 33 mandados foram cumpridos por 80 agentes da PF, no Rio Grande do Norte (Natal, Mossoró e Parnamirim) e no Paraná (Curitiba).Segundo a PF, antes das 8h todos os mandados de prisão, expedidos pelo juiz federal Francisco Eduardo Guimarães Farias, da 14ª Vara no Rio Grande do Norte, já tinham sido cumpridos.

INVESTIGADOS

Os peemedebistas Cunha e Alves também são alvos de mandados de prisão em outra operação desta terça. Há suspeitas de irregularidades nas vices-presidências de Fundos e Loterias e de Pessoas Jurídicas da Caixa Econômica Federal. Cunha, preso em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, é alvo de um novo mandado.

O advogado Marcelo Leal, que defende Alves, declarou que ficou sabendo da prisão do cliente pela imprensa. “Até o momento, não sei de nada sobre o que levou a PF a prender Henrique. Vou tomar pé da situação e depois me pronuncio”, falou por telefone ao G1.

OUTROS ENVOLVIDOS

Também foi preso durante a operação, o secretário de Obras Públicas de Natal, Fred Queiroz. á em Mossoró, o publicitário Arturo Arruda, um dos sócios da agência Art&C, foi alvo de mandado de condução coercitiva. E houve também cumprimento de mandados de busca e apreensão na produtora Peron Filmes, em Natal.

A Justiça Federal no Rio Grande do Norte informou que o processo está tramitando em sigilo, e que “as acusações são referentes a supostos pagamentos de propinas feitos por empreiteiras com destinação a dois políticos e que teriam contado com a conivência de empresários que atuaram para lavagem de dinheiro”.

Próximo ao presidente Michel Temer, Alves foi seu ministro do Turismo. Deixou o cargo ao ser envolvido na Operação Lava Jato. O mandado contra ele é de prisão preventiva, quando não há prazo para que seja liberado.

Alves foi alvo nesta manhã da Operação Manus deflagrada para apurar atos de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro envolvendo a construção da Arena das Dunas, em Natal/RN. O sobrepreço identificado chega a R$ 77 milhões.

AÇÕES SUSPEITAS

A investigação se iniciou após a análise das provas coletadas em várias das etapas da Operação Lava Jato. Fases que apontavam solicitação e efetivo recebimento de vantagens indevidas por dois ex-parlamentares que teriam favorecido duas grandes construtoras.

Delações premiadas em inquéritos do STF e a quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos permitiu identificar diversos valores recebidos como doação eleitoral oficial, entre 2012 e 2014, que na verdade consistiram em pagamento de propina. Além disso, os valores supostamente doados à campanha eleitoral em 2014 de um dos investigados teriam sido desviados em benefício pessoal. Os investigados responderão pelos crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

OPERAÇÃO MANUS

O nome “Manus Manum Fricat, Et Manus Manus Lavat” foi escolhido por significar “uma mão esfrega a outra; uma mão lava a outra.”, em referência à troca de “favores’ que existiria entre empreiteiras e políticos.

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