O resultado fiscal sólido é o que possibilita que o Espírito Santo realize investimentos recordes em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura

Por Álvaro Duboc
O Espírito Santo vem se consolidando, ano após ano, como uma referência nacional em gestão pública. O reconhecimento não é casual: em 2025, fomos mais uma vez classificados como o Estado com a maior solidez fiscal do Brasil, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados do CLP – Centro de Liderança Pública. Além disso, mantivemos a Nota A+ na Capacidade de Pagamento (Capag) do Tesouro Nacional pelo 14º ano consecutivo.
Esses resultados revelam a consistência de uma política fiscal responsável, baseada em planejamento estratégico e equilíbrio entre arrecadação, despesas e investimentos. A evolução no Ranking de Competitividade ilustra bem a nossa trajetória: em 2018, ocupávamos a 18ª posição no pilar Infraestrutura. Em 2023 e 2024, alcançamos a 2ª colocação, ficando atrás apenas de São Paulo.
Esse desempenho não se traduz apenas em números. Ele tem impacto direto na vida das pessoas, porque garante previsibilidade, estabilidade e capacidade de entrega por parte do Estado. O resultado fiscal sólido é o que possibilita que o Espírito Santo realize investimentos recordes em áreas essenciais, como saúde, educação, infraestrutura e segurança pública.
Nos últimos anos, alcançamos o maior patamar de investimentos públicos da história, com recursos que superaram R$ 4 bilhões apenas em 2024. Pelo segundo ano consecutivo, fomos também o Estado que mais investiu, em proporção à sua receita total: conseguimos investir 20% da receita, frente a uma média nacional de apenas 6%.
Esse resultado só foi possível porque nossa gestão não se limitou ao controle de gastos: apostamos no planejamento estratégico como instrumento de transformação, alinhando diretrizes governamentais, metas sociais e visão de futuro.
O Planejamento Estratégico 2023-2026, consolidado em mais de 290 projetos e 25 programas, com 11 mil entregas previstas, garante que cada real investido tenha impacto efetivo para a sociedade. O monitoramento intensivo, realizado diretamente pelo governador Renato Casagrande e pelo vice-governador Ricardo Ferraço, assegura governança e eficiência na execução das ações.
Outro aspecto essencial dessa trajetória é a relação entre a receita corrente líquida (RCL) e a capacidade de investimento. Quanto mais equilibrada a gestão da receita corrente líquida – que reúne as receitas permanentes do Estado – maior é a possibilidade de ampliar os investimentos sem comprometer o futuro.
Essa relação virtuosa é visível no Espírito Santo: com baixa dívida consolidada líquida (em patamar negativo, ou seja, com mais ativos que passivos) e caixa saudável, conseguimos direcionar parcela expressiva da RCL para investimentos.
O resultado é claro: obras estruturantes em mobilidade, expansão da rede de saúde, fortalecimento da educação e políticas de segurança, sempre com sustentabilidade fiscal. Somente em rodovias, entre os anos de 2019 e 2024, implantamos, ampliamos e reabilitamos cerca de 1 mil quilômetros de estradas em todo o Estado. Não é por acaso que o Espírito Santo se tornou um dos dois únicos Estados brasileiros a criar um Fundo Soberano, ao lado do Rio de Janeiro. O fundo do ES já conta com mais de R$ 2 bilhões aportados para garantir investimentos estratégicos de longo prazo.
Esses avanços não significam que não existam desafios. Pelo contrário, eles reforçam a necessidade de manter o planejamento, a responsabilidade e a disciplina fiscal como princípios permanentes da gestão pública. O futuro exige inovação, resiliência e compromisso com o desenvolvimento sustentável.
Acredito que os princípios que norteiam nossa gestão no setor público – disciplina fiscal rigorosa, planejamento estratégico abrangente, monitoramento contínuo das ações e a busca incessante por resultados de impacto – são plenamente equivalentes e, em muitos aspectos, espelham as melhores práticas adotadas pela iniciativa privada em sua busca por excelência operacional e máxima eficiência. Essa sinergia de abordagens permite uma gestão pública moderna e responsiva.
Se hoje somos o Estado com maior solidez fiscal do Brasil, é porque entendemos que responsabilidade financeira não é fim em si mesma, mas sim meio para realizar transformações concretas e garantir qualidade de vida para a população capixaba.
Álvaro Rogério Duboc Fajardo é secretário de Estado de Economia e Planejamento, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV

