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Entidade recomenda suspender vendas de manufaturas aos Estados Unidos

Numa primeira reação à medida, associação diz que empresas devem suspender vendas aos Estados Unidos, até que se tenha uma definição sobre a tarifas

Por Kikina Sessa

A tarifa de 50% que o governo americano promete cobrar dos produtos brasileiros a partir de 1º de agosto inviabiliza o comércio de manufaturas com os Estados Unidos, comenta José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Ele diz que as empresas, numa primeira reação à medida, devem suspender vendas aos Estados Unidos, até que se tenha uma definição sobre as tarifas. Conforme Castro, agora é a hora de a diplomacia entrar em campo na tentativa de reversão.

Segundo Castro, os produtos manufaturados, que já têm dificuldades para competir nos EUA, tornam-se praticamente inviáveis no mercado americano. Buscar novos destinos é a estratégia de todas as economias afetadas pelo tarifaço de Trump, mas no caso do Brasil, ressalta, essa possibilidade é dificultada pelos elevados custos de produção do País.

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Ao invés de ficar no piso das tarifas (10%), como chegou a anunciar o presidente americano no dia do tarifaço, 2 de abril – o que na época, trouxe alívio a exportadores -, o Brasil vai pagar a taxa mais alta para entrar nos Estados Unidos, observa Castro.

O presidente da AEB, uma associação de empresas que realizam comércio exterior, tanto exportações quanto importações, diz que esperava uma elevação da tarifa, mas para no máximo 20%. Os 50% estavam fora de cogitação.

O Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex) também manifesta profunda preocupação diante do anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos. A medida poderá representar impacto ao comércio exterior capixaba, especialmente para os setores que mantêm relações comerciais consolidadas com o mercado norte-americano.

“O Espírito Santo, por sua vocação exportadora e localização estratégica, possui uma economia fortemente integrada ao comércio internacional. A adoção de tarifas punitivas dessa magnitude tende a gerar perdas significativas de competitividade, retração de investimentos e redução na geração de empregos diretos e indiretos”, avalia Sidemar Acosta, que preside a entidade.

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Diante desse cenário, o Sindiex informa que vai manter um trabalho constante de monitoramento do comportamento do mercado internacional, com atenção redobrada às cadeias produtivas locais que possam ser afetadas. A entidade reforça a importância estratégica da consolidação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, como forma de ampliar a inserção do Brasil em mercados estratégicos e reduzir vulnerabilidades externas.

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Quem também se manifestou sobre a tarifa de 50% que o governo dos Estados Unidos promete aplicar sobre produtos do Brasil a partir de 1º de agosto foi a Amcham. A câmara de comércio, que reúne multinacionais com operações nos dois países, conclamou os dois governos a retomarem urgentemente o diálogo em busca de uma solução negociada.

“Trata-se de uma medida com potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países”, ressalta a Amcham em seu posicionamento.

Câmara de Comércio 

“A Amcham Brasil, que há mais de um século atua pelo fortalecimento dos laços econômicos entre os dois países, conclama os governos a retomarem, com urgência, um diálogo construtivo”, afirma a câmara. “Reiteramos a importância de uma solução negociada, fundamentada na racionalidade, previsibilidade e estabilidade, que preserve os vínculos econômicos e promova uma prosperidade compartilhada”, conclui a nota da Amcham.

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Em junho, a Amcham divulgou que as exportações brasileiras para os EUA atingiram US$ 16,7 bilhões no acumulado dos primeiros cinco meses de 2025. Isso representa um aumento de 5% em relação ao mesmo período de 2024 e estabelece um recorde para o período.

Segundo a Amcham Brasil, esse recorde de exportações brasileiras reforça “o papel estratégico dos EUA como principal destino de bens industrializados brasileiros”.

O Brasil também comprou mais dos EUA nesse período. As compras somaram US$ 17,7 bilhões — um aumento de 9,9% em relação a 2024. Ainda assim, o Brasil teve prejuízo na relação comercial — o que contradiz Trump, que em sua carta fala que os EUA têm “déficits comerciais insustentáveis ​” com o Brasil.

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