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Filme de Michael Jackson é criticado por evitar polêmicas

Filme é chamado de convencional e evita temas polêmicos do Rei do Pop

A aguardada cinebiografia de Michael Jackson chegou aos cinemas cercada de expectativa, mas a recepção da crítica internacional tem sido majoritariamente negativa. O longa Michael, dirigido por Antoine Fuqua, acumula 27% de aprovação no Rotten Tomatoes e 38 pontos no Metacritic, refletindo uma avaliação crítica decepcionante.

Embora o filme prometa retratar a trajetória do artista desde o Jackson 5 até o auge da carreira solo, veículos como Variety, The New York Times e Rolling Stone apontam problemas estruturais, narrativa superficial e a ausência de temas centrais da vida do cantor.

Narrativa convencional e falta de profundidade

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A revista Variety define o filme como uma “cinebiografia luxuosamente convencional”, destacando que a história se apoia em elementos já conhecidos do público, sem oferecer novas camadas sobre o artista.

Segundo a publicação, ao evitar temas mais delicados como as acusações de abuso sexual infantil, o longa acaba criando “um certo vazio em seu âmago”. Ainda assim, reconhece que o filme pode ser envolvente para o público, especialmente por seu caráter nostálgico e pelas performances musicais.

Já o The New York Times reforça essa percepção ao afirmar que a produção segue o modelo clássico das cinebiografias, com uma estrutura previsível e pouco aprofundamento. Para o jornal, o filme “é tão familiar que você consegue prever o desfecho”, funcionando mais como uma sequência de grandes sucessos do que como uma investigação da vida do artista.

Omissões e construção idealizada

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Um dos pontos mais criticados pela imprensa internacional é a forma como o filme evita aspectos controversos da trajetória de Michael Jackson.

O The New York Times aponta que a narrativa foi reformulada durante a produção e transformada em uma história “inspiradora” sobre superação, deixando de lado conflitos mais complexos. Para o veículo, o resultado é uma versão “plana” do artista, retratado quase como uma figura idealizada.

A revista Rolling Stone, em crítica assinada por David Fear, vai além e classifica o filme como uma espécie de “hagiografia”, termo usado para descrever representações que tratam personagens como figuras quase santificadas. Segundo o crítico, a produção evita qualquer análise mais profunda e prefere “celebrar cegamente” o legado musical do cantor.

Entre espetáculo e estratégia comercial

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Outro ponto recorrente nas análises é o uso intenso da trilha sonora como elemento central da experiência.

A Rolling Stone destaca que o filme aposta fortemente na nostalgia, utilizando sucessos do artista como principal recurso narrativo. Para o crítico, há uma sensação de que o longa prioriza a memória afetiva do público em detrimento de uma abordagem mais crítica.

Essa percepção também aparece na Variety, que observa que o filme é repleto de montagens musicais construídas para agradar aos fãs, reforçando seu apelo comercial.

Atuações e música salvam a experiência

Apesar das críticas ao roteiro, há consenso entre os veículos sobre alguns pontos positivos.

A atuação de Jaafar Jackson, sobrinho do cantor, é amplamente elogiada. A crítica destaca sua capacidade de reproduzir não apenas os movimentos e a voz de Michael, mas também sua vulnerabilidade.

Além disso, a trilha sonora, composta por sucessos consagrados é apontada como um dos principais atrativos do longa, funcionando como elemento que sustenta o envolvimento do público, mesmo diante das falhas narrativas.

Crítica negativa, mas potencial de sucesso

Mesmo com a recepção crítica desfavorável, há expectativa de bom desempenho comercial. A força do nome de Michael Jackson, aliada ao apelo nostálgico e à popularidade de sua obra, pode garantir bilheteria expressiva.

A própria Rolling Stone sugere que o filme foi concebido também como um produto voltado ao mercado, mais preocupado em preservar o legado do artista do que em questioná-lo.

A cinebiografia Michael estreia oficialmente nos cinemas brasileiros na quinta-feira, 23.

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Com informações da Estadão Conteúdo – Variedades, Eduarda Menina

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