O aumento contínuo da dívida pública pode alcançar 100% do PIB até 2033 e gera uma incerteza que afeta a disposição das empresas para inovar e se expandir
Por Idalberto Moro
Os empresários brasileiros estão em alerta diante da preocupante situação econômica brasileira. Com o crescimento exponencial da dívida pública, a previsão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é que haja um aumento substancial na carga tributária, estimado em até 9% do Produto Interno Bruto (PIB).
O desequilíbrio das contas públicas tem causado mais juros e impostos às empresas com o passar dos anos. Mas é preciso dar um basta para que a situação não se torne ainda mais crítica e insustentável para todo o país.
Além de elevar os juros, ao pressionar ainda mais o setor produtivo com ampliação de tributos, o governo federal ameaça a sobrevivência de inúmeros negócios. Inevitavelmente, o problema compromete a capacidade de crescimento do setor privado, desestimula novos investimentos e afasta potenciais investidores estrangeiros.
Com o diagnóstico das contas públicas, o empresariado brasileiro se tornou refém de um desequilíbrio fiscal que, se não corrigido, pode resultar em consequências desastrosas. Só para se ter uma ideia, o déficit brasileiro saltou de 45,3% do PIB em 2008 para 77,8% em 2023, um crescimento que não pode ser ignorado. Vale também lembrar que o país teve crescimento de 84% na última década, com uma taxa média de 7% ao ano. Porém, os gastos públicos cresceram em média 53% ao ano nos últimos 20 anos, diante de uma ampliação de apenas 35% nas receitas.
Diante desse cenário, a CNC realizou levantamento indicando que cada ponto percentual de aumento na relação dívida/PIB resulta em uma perda anual de aproximadamente R$ 1,3 bilhão para a economia brasileira. A situação compromete a capacidade de investimento do setor privado, eleva os custos do crédito e reduz a competitividade nacional, afetando diretamente a geração de empregos e o bem-estar da população.
O aumento contínuo da dívida pública, que pode alcançar 100% do PIB até 2033, gera um clima de incerteza que afeta diretamente a disposição das empresas para inovar e se expandir. Projeta-se ainda que o prejuízo acumulado pode ultrapassar R$ 1,37 trilhão em cinco décadas.
Essa trajetória preocupante reforça a necessidade de reformas como uma solução viável para reverter a estagnação econômica e a pressão fiscal. A CNC estima que a adoção de uma reforma administrativa poderia gerar uma economia de R$ 330 bilhões ao longo de 10 anos, além de atrair novos investimentos por meio de privatizações e concessões, impulsionando o desenvolvimento econômico do Brasil.
Portanto, é hora de os empresários se unirem em prol de um debate mais intenso sobre a necessidade de reformas estruturais. Precisamos urgentemente reavaliar nossa política fiscal e buscar um equilíbrio que permita ao Brasil não apenas sobreviver, mas prosperar. Se não tomarmos medidas para enfrentar a crescente carga tributária e a dívida pública, estaremos colocando em risco não apenas os negócios, mas o próprio desenvolvimento do país.
Idalberto Moro é presidente do Sistema Fecomércio-ES – Sesc e Senac

