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sábado, 11 julho, 2020

O que podemos aprender com o Dia Nacional da Consciência Negra?

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O Dia Nacional da Consciência Negra é marcado por várias manifestações culturais, lembranças de personalidades importantes e representatividade cultural

Muitos foram os avanços que a classe negra teve ao longo do tempo. Desde a formação dos quilombos até as manifestações culturais que hoje acompanhamos na sociedade e pela mídia. Mas até hoje, os negros sofrem com a desigualdade social.

Pesquisa divulgada no dia 13 de novembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que as desigualdades entre brancos e negros no Espírito Santo permanecem em vários aspectos.

O Dia da Consciência Negra foi estabelecido pelo Projeto de Lei nº 10.639, no dia 09 de janeiro de 2003. Mas apenas em 2011 a presidente Dilma Roussef sancionou a Lei nº 12.519/2011 que institui a data, sem obrigatoriedade de feriado.

Nas proximidades da Praça 11, entre as pistas da Avenida Presidente Vargas, no Rio de janeiro, está o Monumento Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra à escravidão. – Foto: Reprodução

A data faz referência a Zumbi de Palmares, líder do Quilombo de Palmares, localizado em Alagoas durante o período de escravização. Contudo, é celebrada pelos movimentos negros, fazendo parte do calendário escolar das redes de ensino, grupos culturais, e a cada ano ganha mais espaço em lugares públicos e privados.

Segundo a historiadora e mestre em Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Renata Beatriz, a data foi lançada por um grupo de negros, o Movimento Negro Unificado, em 1978, pois não eram aceitos em clubes da cidade de Porto Alegre. E ganhou impulso com a Marcha Nacional Zumbi dos Palmares que ocorreu no ano de 1993.

Renata afirma que a data reconhece a importância histórica de uma personagem negra identificada a partir da resistência.

“A data surge para visibilizar personagens negros como impulsionadores na História do Brasil. É fundamental o reconhecimento do legado do negro na sociedade, assim somos capazes de jogar luz sobre o presente e projetar novas trajetórias de famílias negras despertando nos negros e brancos a consciência negra”, diz a historiadora.

De acordo com o parecer da Lei nº 10.639, que instituiu o ensino de História e Cultura Afro-brasileira nas escolas de todo o país, Renata afirma que “ainda que não seja feriado, a data é reconhecida em muitos estados por homens e mulheres negros e negras e vivenciada como dia de reflexão, luta e celebração do legado da população negra no país”.

Zumbi de Palmares

Considerado um dos maiores líderes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial, Zumbi dos Palmares foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas.

Nascido em 1655, em Alagoas, Pernambuco, incentivava a comunidade a viver livre, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

O Quilombo dos Palmares foi um dos maiores centros de resistência à escravidão e hoje é lembrado no Dia Nacional da Consciência Negra. – Foto: Reprodução

Renata Beatriz destaca que a relação entre Zumbi e o Dia da Nacional da Consciência Negra vem no sentido de reconhecer a importância histórica de um personagem negro identificada a partir da resistência.

“Visibilizar personagens negros como formadoras na História do Brasil é fundamental para reconhecimento do legado do negro na sociedade, assim somos capazes de jogar luz sobre o presente e projetar novas trajetórias de famílias negras despertando nos negros e brancos a consciência negra”, observa ela.

Arte

A resistência à escravidão não foi apenas uma forma de fuga da condição de cativo dos domínios dos senhores escravagistas e, sim, uma forma de fazer resistir à cultura, ancestralidade, religião e outros costumes herdados desde à África, conforme explica o historiador Vinicius Vivaldi.

“Hoje os movimentos negros buscam ser valorizados, aceitos e reconhecidos, lutando e resistindo contra preconceitos e descriminação encriptadas em nossa sociedade desde a construção da ideia história e etnocentista da superioridade europeia”, ressalta Vivaldi.

Atualmente, surgem mais movimentos, grupos e pessoas engajadas em mostrar que há mais de um século essas pessoas estão à frente da luta pela igualdade racial, seja por meio da música, como o Hip Hop, da pintura, como o grafite, entre outros.

O grafite é uma das formas de expressão da cultura negra. – Foto: Divulgação

Artistas também defendem esse pensamento. O cineasta, escritor, produtor e ator estadunidense, Spike Lee, é um deles. Envolvido em causas negras, lançando filmes com a temática, como “Malcom X” e “Faça a Coisa Certa, recentemente participar de uma sessão do documentário Democracia em Vertigem, da brasileira Petra Costa, no Museu de Arte Moderna, em Nova Iorque, e fez um questionamento em suas mídias sociais.

Lee gravou um vídeo em que pergunta: “quem mandou matar Marielle Franco”? Após a divulgação do vídeo, que teve muitas curtidas, o diretor demonstrou total apoio à causa e deu sua opinião sobre o filme.

“Esse filme nos dá outro olhar sobre a escalada do fascismo. Não é só aqui, é global”, avalia Spike Lee.

Capital do ES

Nesta quarta-feira (20) será realizada a transferência simbólica da capital do Espírito Santo para o município de São Mateus. O ato é previsto pela lei estadual nº 8.790, de 2007 e faz parte da programação da Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) para o Novembro Negro. Saiba mais aqui!

A solenidade terá início às 10h no Palácio Municipal, no Centro de São Mateus, e contará com a participação da vice-governadora Jaqueline Moraes.

Durante o evento, que tem a entrada gratuita, a Gerência de Igualdade Racial (Gepir) da SEDH promove uma roda de conversa com lideranças quilombolas às 13h30, e mais duas palestras: uma sobre “Estética e Moda Afro”, com a designer de moda Pandora Luz, às 14h30, e outra com o tema “Questões étnico-raciais nas Escolas Municipais”, com o militante do Movimento Negro, Samuel Pinheiro, às 16h. A programação também conta com apresentações culturais.

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