A capital do Espírito Santo está no topo da lista com mais pessoas na classe de mais alto poder aquisitivo
Por Kikina Sessa
Vitória lidera o ranking das capitais do Brasil onde há maior concentração de pessoas consideradas Classe A, conforme dados da Pnad Contínua Anual do IBGE. O ranking que apontou a capital capixaba em primeiro lugar foi elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, no estudo intitulado “Classes de Renda no Rio”.
Segundo a definição desse estudo, são considerados Classe A quem tem rendimentos mensais (salários, aluguéis, transferências, rendimentos de aplicação) de todos os membros do domicílio acima de R$ 25 mil; Classe B, acima de R$ 8 mil até R$ 25 mil; Classe C, acima de R$ 3.500 até R$ 8 mil; e Classe D/E, até R$ 3.500.
Essa alta renda tem reflexo no comércio varejista capixaba, que teve o maior crescimento do Sudeste no primeiro trimestre de 2025, com aumento de 3,9% no volume de vendas em comparação ao mesmo período de 2024. O levantamento feito pelo Connect Fecomércio-ES mostra que no Brasil o crescimento foi de 1,2% e no Sudeste 0,8%.
André Spalenza, coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, reforça que essa renda mais alta é percebida também fora da capital, como municípios como Linhares e Aracruz concentrando pessoas com poder aquisitivo mais alto. “Percebemos no Espírito Santo uma interiorização grande acontecendo, expandindo essa renda para além dos centros urbanos”.
Spalenza também destaca o crescimento no Espírito Santo do consumo classificado como premium, onde são oferecidos serviços de experiências para um público com poder aquisitivo maior.
Planejamento
Na avaliação do diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, há décadas Vitória tem tradição no planejamento urbano e na organização do território. “A partir daí entendemos o porquê dessa concentração da população de alta renda na capital, especialmente na parte litorânea, que são os bairros planejados de Vitória no século XX.”
O diretor reforça ainda que o Espírito Santo é um estado com as contas públicas equilibradas e vem gerando crescimento econômico ao longo dos últimos anos, acompanhando da geração de emprego, renda, atração de empresas. “Até 2028 estão previstos para acontecer no Estado do Espírito Santo quase R$ 98 bilhões em investimentos públicos e privados”, conta Lira.
Ele também lembra que da mesma forma que a capital tem bairros com população que concentra muita renda, há bairros em que a maioria das pessoas vive com menos de um salário mínimo ou até dois salários mínimos. “É o desafio da desigualdade”.

