Alexandre de Moraes liberou às defesas a integridade das provas recolhidas no processo do núcleo 1 da investigação, do qual Bolsonaro e os outros solicitantes fazem parte
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou na terça-feira, 13, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o cancelamento das audiências de testemunhas no processo que investiga sua participação do ato do dia 8 de janeiro. As testemunhas começariam a ser ouvidas na próxima segunda-feira, 19. Iniciar a instrução sem que a defesa conheça aquilo que não interessou à acusação é impedir que qualquer alternativa surja nos autos.
E, dessa forma, é terminar o processo sem que o transcorrer deste possa alterar as convicções hoje abraçadas, argumentam os defensores de Bolsonaro. Segundo os advogados do ex-presidente, a equipe de defesa ainda não teve acesso integral às provas, mesmo após determinação de Moraes para que a Polícia Federal (PF) entregasse todo o material do processo.
Por isso, requisitou o cancelamento das oitivas alegando a necessidade de mais tempo para a análise detalhada dos documentos. A defesa pediu o cancelamento a fim de permitir não só a necessária complementação do rol de diligências e testemunhas já apresentados, mas também e especialmente o adequado questionamento das testemunhas arroladas pelas partes, escreveu a defesa no processo.
Como mostrado pelo Estadão, no dia 30 de abril, o ministro Alexandre de Moraes liberou às defesas a integridade das provas recolhidas no processo do núcleo 1 da investigação, do qual Bolsonaro e os outros solicitantes fazem parte. A defesa do ex-presidente e de outros acusados havia solicitado nulidade do processo por ausência de amplo e irrestrito acesso às provas, entendimento que foi negado pela Corte.
Quem deve ser ouvido?
No dia 19 de maio, devem depor o ex-comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes e o ex-comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista Junior. As oitivas mais aguardadas estão marcadas para o dia 30 deste mês, quando devem ser ouvidos o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado federal e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, todos indicados como testemunhas por Bolsonaro. Em março deste ano, o ex-presidente e outros sete acusados se tornaram réus no STF por envolvimento do ato do dia 8 de janeiro.
Eles respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de “golpe de Estado”, dano qualificado por violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado. (Com informações da Agência Estadão, Por Lucas Keske.)

