Mesmo com crescimento acima da média nacional, comércio capixaba enfrenta custos elevados, falta de profissionais e maior concorrência
Por Letícia Arcanjo
O comércio capixaba mantém um cenário de crescimento acima da média nacional, mas empresários ainda enfrentam obstáculos para manter a rentabilidade dos negócios. Custos operacionais elevados, dificuldade para contratar e reter profissionais, insegurança em alguns polos comerciais e a concorrência cada vez maior das plataformas digitais estão entre os principais desafios apontados por representantes do setor.
De acordo com os dados do Connect Fecomércio-ES, o volume de vendas do varejo no Espírito Santo cresceu 1,3% em abril, na comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta foi de 2,4%, desempenho superior ao registrado no Brasil e na Região Sudeste. Já o varejo ampliado, que inclui segmentos como veículos e materiais de construção, avançou 6,1%.
Para o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os indicadores demonstram que o desafio atual dos empresários vai além de aumentar as vendas. “O desafio hoje não é apenas vender, mas conseguir margem, previsibilidade e condições para continuar investindo. Os lojistas enfrentam custos elevados com mercadorias, folha de pagamento, logística, aluguel, energia, meios de pagamento e ainda lidam com o custo do crédito, que impacta diretamente o capital de giro”, explica.
Segundo ele, a realidade é ainda mais sensível porque o varejo capixaba é formado majoritariamente por pequenos negócios. Atualmente, o Espírito Santo possui mais de 111 mil empresas varejistas, das quais cerca de 90% são microempresas ou microempreendedores, com menor capacidade financeira para absorver aumentos de custos.
Mão de obra
A dificuldade para contratar e manter profissionais também aparece entre as principais preocupações do setor, segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Vitória (CDL Vitória), Rogério Alcântara. Ele afirma que a alta rotatividade prejudica a qualidade do atendimento e aumenta os custos das empresas.
“Cada novo colaborador precisa ser treinado, conhecer os processos da empresa e entender o perfil do cliente. Essa constante troca de funcionários acaba impactando diretamente a operação dos lojistas”, afirma.

Na avaliação de Spalenza, o baixo índice de desemprego no Estado, embora positivo para a economia e o consumo, também aumenta a disputa por trabalhadores qualificados. Segundo ele, em diversas atividades o empresário precisa contratar e acompanhar novos profissionais por um longo período, tornando a retenção de talentos um dos principais desafios para o comércio.
Segurança, burocracia e digitalização
Além da mão de obra, Rogério Alcântara aponta que questões como segurança pública e excesso de burocracia também afetam o desempenho do setor.
“Em alguns polos econômicos e centros comerciais ainda existem problemas relacionados à segurança. Além disso, a burocracia faz com que empresários e colaboradores gastem tempo com processos administrativos, quando poderiam estar focados no atendimento ao cliente”, afirma.
Outro desafio destacado pelo Connect Fecomércio-ES é a adaptação ao ambiente digital. Segundo André Spalenza, as lojas físicas passaram a disputar espaço com grandes plataformas nacionais e internacionais, que operam em escala maior e possuem vantagens em logística e tecnologia.

