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terça-feira, 24 maio, 2022

Coronavírus e economia: união de esforços para superar a crise

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O coronavírus chega ao Brasil num momento em que o País amarga um elevado índice de desemprego, fechando em dezembro de 2019 com taxa de 11,9%

Não há dúvidas de que nos últimos dias nossos pensamentos e boa parte das nossas ações estão voltados para a crise do coronavírus. A cada momento somos atualizados dos números que retratam o avanço da Covid-19 no mundo e do intenso debate sobre os impactos negativos sobre a economia.

O coronavírus chega ao Brasil num momento em que o País amarga um elevado índice de desemprego, fechando em dezembro de 2019 com taxa de 11,9%, o que representa quase 12 milhões de desempregados, e aprofunda a precarização das relações trabalhistas, uma vez que a informalidade atingiu 41,1% da população ocupada, o maior índice desde 2016, segundo o IBGE.

No Espírito Santo, a economia também enfrenta sérias dificuldades para se reerguer após a grave crise que ocorreu no último trimestre de 2014. O Estado tem registrado crescimento da população em situação de vulnerabilidade social, além de ter enfrentado fortes chuvas que causaram danos em diversos municípios capixabas em janeiro deste ano.

Segundo um estudo sobre o Perfil da Pobreza no Espírito Santo, publicado pelo IJSN (2019), o Estado possui cerca de 919 mil pessoas que vivem com menos de R$ 425,22 por mês e cerca de 575 mil pessoas vivendo com menos de R$ 146,90 mensais. Estes valores representam a linha de corte que define a pobreza e a extrema pobreza de acordo com o Banco Mundial. Assim, o Estado possui o equivalente a quase 23% da população vivendo em condição de pobreza e o equivalente a 14,3% em condição de extrema pobreza.

Na ausência da crise do coronavírus, o volume de recursos anual necessário para retirar a população capixaba da linha da extrema pobreza é de R$ 633 milhões; e para eliminar a pobreza o volume de recursos anual necessário é da ordem de R$ 3,2 bilhões. Tal situação é profundamente agravada hoje em que essas famílias veem ainda mais reduzidas as suas chances provisão de recursos até mesmo para alimentação diária.

Nesse contexto, é imperiosa a necessidade de mobilização dos profissionais de distintas áreas do conhecimento, com destaque para os profissionais de Economia, cuja função é trabalhar em prol do desenvolvimento econômico e social, zelando pelo bem-estar da sociedade, para debater e propor soluções para saída da crise do coronavírus e a retomada do desenvolvimento econômico e social do Estado.

Soluções efetivas que envolvam a liderança do Governo do Estado do Espírito Santo no desenho e na execução de um planejamento econômico que contemplem não apenas o alívio do fluxo de caixa das empresas, como também, prioritariamente a transferência de renda imediata para a população mais vulnerável e parcerias com os governos federal e municipal para investimentos em produtos e processos para a área da saúde e obras de infraestrutura.

No Espírito Santo, instituições como o Ifes e a Ufes, vêm demonstrando sua capacidade de transferir conhecimentos e de desenvolver produtos e processos voltados para a crise do Coronavírus. Estas ações podem ser potencializadas com a disposição do Estado em organizar e liderar o processo de desenvolvimento possibilitando que no cenário de destruição típico das crises descritas pelo velho Schumpeter, o solo capixaba seja fértil para as mais inovadores e criativas soluções.

Érika Leal é conselheira do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES)

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