Conheça as aldeias indígenas de Aracruz

Conheça as aldeias indígenas de Aracruz

Na aldeia, é possível conferir artesanatos variados, que fazem uso de materiais como o coqueiro e a taquara para produzirem diversos produtos

Por Redação ES Brasil

Há quem pense que os índios só podem ser encontrados nas mais remotas regiões do norte ou do centro-oeste brasileiro. Mal sabem que estão enganados, pois esta realidade pode ser encontrada bem perto de todos nós e em solo capixaba, mais precisamente, no município de Aracruz. A cidade é a única no Estado que ainda possui cerca de 3.800 índios aldeados estando distribuídos em dez aldeias e duas etnias: Guarani e Tupinikim.

Prefeitura de aracruz
Foto: Prefeitura de Aracruz

Localizados em Boa Esperança, Três Palmeiras, Piraqueaçú e Olho D’Agua, os Guaranis mantém a língua nativa e fazem artesanatos típicos culturais, que servem de subsistência para muitas famílias das regiões. Outra grande característica da etnia – vinda do sul do país na década de 1960 – está relacionada à religião e as danças, que fazem jus a sua história, a exemplo da aldeia de Boa Esperança (Tekoá Porâ), onde existem pequenas moradias de estuque e tijolos, cobertas com palhas.

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No local são conservadas as tradições como o culto ao Sol, a Lua e as Estrelas, além da pesca, é claro. Na aldeia, é possível conferir ainda artesanatos variados, considerados como os mais bonitos do Brasil e que fazem uso de materiais como o coqueiro e a taquara para produzirem arco e flecha, chocalhos, lanças e zarabatanas. E nem mesmo o posto médico situado na região foi capaz de acabar com o papel desempenhado pelo pajé, líder espiritual encarregado de curar doenças e afugentar os maus espíritos. Outra localidade que representa bem os costumes da aldeia Guarani é Piraquêaçu. Os índios desta região também dependem do artesanato como fonte de renda, fabricando cestas, colares, brincos e acessórios para os cabelos.

2ª Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, em Brasília.
Foto: Marcelo Camargo

Diferente dos Guaranis, os Tupinikins participaram mais ativamente do processo de aculturação e acabaram perdendo sua língua mãe, fazendo com que o português se tornasse a língua oficial. Mesmo fabricando artesanatos e trabalhando no cultivo da lavoura e pesca (caranguejos e outros crustáceos), os índios desta etnia já se encontram inseridos nas empresas existentes no município, o que justifica a forte influência do homem “branco” em suas vidas. Eles se encontram localizados em Areal, Caieiras Velhas, Irajá, Pau Brasil, Comboios e Córrego do Ouro.

De acordo com o Gerente de Cultura da Prefeitura de Aracruz de 2014, Marcelo Loureiro Ucelli, as duas etnias trazem um grande valor histórico e cultural para a cidade. “Temos muito orgulho das aldeias, pois elas diferenciam Aracruz dos demais municípios capixabas mantendo esta cultura tão rica e importante na preservação da história deste povo”.

 

Esta matéria foi publicada originalmente em 3 de Agosto de 2014 no portal da Revista ES Brasil. As pessoas ouvidas e/ou citadas podem não estar mais nas situações, cargos e instituições que ocupavam na época, assim como suas opiniões e os fatos narrados referem-se às circunstâncias e ao contexto de então.

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