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quarta-feira, 19 junho, 2024

Uma vila, um velho capitão

Temos, sim, que rememorar as conquistas desse Velho Capitão, na Vila do Spiritus Sanctus, primeiro nome dado às terras capixabas

Por Manoel Goes

Nestes 23 de maio de 2024, celebramos 489 anos da Colonização do Solo Espírito-santense, que marca o dia da chegada de Vasco Fernandes Coutinho em 1535, ao litoral de sua capitania, doada pelo rei em 1º de junho do ano anterior. Fidalgo da Casa Real, Vasco Coutinho teria se destacado nas conquistas portuguesas na África e Ásia, conseguindo assim o título e também a doação da capitania. Prefiro usar o termo celebrar, rememorar, (ao invés de comemorar), devido à polemica do tema colonização.

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Temos, sim, que rememorar as conquistas desse Velho Capitão, na Vila do Spiritus Sanctus, primeiro nome dado às terras capixabas naquele ensolarado domingo de outono de Pentecostes.

Nascido em 1488, já estava com 45 anos quando desembarcou nas terras que seriam da Vila do Espirito Santo, hoje a nossa querida Vila Velha, com os seus 60 homens aventureiros, de índole duvidosa, conhecidos como degredados, ou seja, indesejáveis em solo lusitano, mas com a presença dos fidalgos de sua confiança, como também especialistas e ouro e pedras preciosas, haja vista as possibilidades de se ter ouro em terras de além mar. E assim, deu-se início à história de todos nós capixabas e canelas-verdes.

Após a travessia atlântica, aportou na Bahia, em busca de lugar seguro e abrigavel, onde poderia tomar posse da sua Capitania, que lhe fora doada pelo Rei D. João III, terras virgens, onde a natureza falava sozinha, na plenitude da sua exuberância. Uma mata deslumbrante, com gigantescas arvores, a se balançarem com seus galhos seculares nas margens da baía, como se beijassem o mar de acordo com o fluxo das marés. Floração das arvores matizava o verde das florestas que tomavam literalmente as suas praias.

Terras sem rei; não havia entre a bicharada, porque o reino já pertencia ao homem, ele aqui estava e existia, na sua manifestação mais primitiva – os nossos povos originários, verdadeiros brasileiros. Era ele sim o rei absoluto. Aqui mandava e determinava tanto que até o sangue passou as nossas veias, onde ainda circula, como integrante que é do tipo brasileiro.

Dava-se início uma grande saga de 26 anos, em uma enorme capitania tendo urgência de ser povoada. Diversas vezes voltou a Portugal procurando recursos para poder também explorar o ouro do sertão (Minas), e nessas ausências, sem a sua liderança e justiçaVila do Spiritus Sanctus, os indígenas Goytacazes se revoltam, e destroem quase tudo, que Vasco Coutinho teve que reconstruir, por mais de uma vez. Faleceu, aos 71 anos, o velho capitão Vasco Fernandes Coutinho, mas os seus esforços não foram em vão. As duas povoações por ele iniciadas, Vitória e Vila Velha, são hoje orgulho de nós capixabas. Foi enterrado provavelmente em sua própria residência (na hoje Praia do Ribeiro, Praia da Costa) como era o costume da época.

Pouco mais de cem anos passados após o seu falecimento, Francisco Gil Nunes, primeiro Donatário da Capitania do Espirito-santo, após esta ter sido vendida pelos descendentes de Vasco Coutinho, mandou refazer a Casa da Câmara, em Vila Velha e deu condigna sepultura aos ossos de Vasco Fernandes Coutinho, que estavam soterrados em uma arca. Temos também controvérsias quanto a esse fato. Historiadores dos tempos atuais afirmam que os ossos do velho capitão Vasco Coutinho estavam em Vitória, na Casa da Misericórdia, que foi demolida dando lugar à sede da Assembleia Legislativa do Estado.

Como podemos observar pelos relatos históricos, é duvidosa a afirmativa de que Coutinho morrera na miséria, haja vista a sua família ficar à frente da Capitania do Espírito Santo por quase 140 anos, apesar das imensas dificuldades e mesmo assim alcançando relativo progresso. (Pesquisa nos escritos de Willis de Faria).

Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e diretor no IHGES.

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