Economista avalia que a chegada da UnionPay ao Brasil representa um movimento de diversificação do mercado de meios de pagamento, dominado por Visa e Mastercard
Por Kikina Sessa
A chinesa UnionPay, uma das maiores operadoras de cartões do mundo, anunciou sua entrada no Brasil com planos de competir diretamente com Visa e Mastercard. A bandeira, que concentra cerca de 40% das transações globais com cartões, deve efetivar parceria com a fintech brasileira Left (Liberdade Econômica em Fintech), que ficará encarregada de emitir os cartões e integrar a operação aos bancos, maquininhas e sistemas de crédito.
Na avaliação do economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-ES), Felipe Storch, a chegada da bandeira chinesa UnionPay ao Brasil representa um movimento de diversificação do mercado de meios de pagamento, que hoje é amplamente dominado por Visa e Mastercard. “Essa entrada tende a ampliar a concorrência, o que pode gerar benefícios como redução de tarifas e oferta de novos serviços aos consumidores e lojistas”.
A atuação da UnionPay no Brasil estará sujeita à supervisão do Banco Central (BC), afastando preocupações sobre controle estrangeiro. Como todas as bandeiras, a empresa precisará de autorização regulatória, cumprir normas de operação e submeter-se à fiscalização do BC. Economistas entrevistados reforçam que o acesso a dados transacionais seguirá os mesmos parâmetros aplicados às operadoras americanas.
As informações que circularam recentemente nas redes sociais de que a China poderá minar a soberania econômica brasileira ou controlar as transações dos brasileiros caso a UnionPay opere no País não procedem.
“Qualquer bandeira de cartões que atue no país precisa de autorização do Banco Central e está sujeita a regras rígidas de compliance, à Lei Geral de Proteção de Dados e à fiscalização das autoridades nacionais, exatamente como ocorre com Visa e Mastercard. A entrada da UnionPay ocorre por iniciativa privada, e não como resultado de um acordo governamental, o que reforça que não se trata de ‘entregar’ o sistema financeiro brasileiro a outro país”, comenta Felipe.

