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quarta-feira, 15 julho, 2020

Casa dos Braga: um casarão repleto de história

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Memórias e objetos pessoais de Rubem Braga e de sua família conservados há mais de 30 anos

“E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida, talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval.” Os primeiros versos de “Despedida” são uma pequenina amostra do talento que consagrou o jornalista e escritor capixaba Rubem Braga como o maior cronista brasileiro do século 20.

Nascido em Cachoeiro de Itapemirim em 12 de janeiro de 1913, Braga viveu no antigo casarão de cor verde de estilo português. Conhecido como a “Casa dos Braga”, construído no início do século passado, o imóvel hoje funciona como Centro Cultural, com muita história para contar, e convida você, leitor, a conhecer um pouco das memórias felizes dessa ilustre personalidade. O espaço também foi a residência do pai do cronista, o primeiro prefeito de Cachoeiro de Itapemirim, coronel Francisco de Carvalho Braga, que lá viveu com a esposa, Rachel Coelho Braga, e os irmãos mais novos, Newton, Jerônimo, Carmosina, Armando, Yedda e Anna Graça.

Rubem Braga, Casa dos Braga, Cachoeiro de Itapemirim
Foto: Marcia Leal / PMCI

Em 1985, a construção foi tombada pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC). E dois anos mais tarde, era inaugurado o Centro Cultural, que em 2017 seria restaurado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e reaberto à visitação, com eventos públicos como saraus e lançamentos literários.

E sabe qual é a sensação ao visitá-lo? É como voltar aos anos 30. É se encantar com os belos lustres de cobre e móveis de madeira com marchetaria. Ao olhar pela janela, contemplando a natureza, perceber que a história tem muito a nos ensinar.
Por todas as partes da casa encontram-se fragmentos de crônicas de Rubem, em painéis em acrílico na parede. Pelos 16 cômodos, o visitante incorpora um pouco da obra e se sente mais imerso na vida do autor. Um dos exemplos é o pé de fruta-pão, citado em uma de suas crônicas.

Acervo

Localizada bem no centro do município, a Casa dos Braga abriga um acervo diversificado. Até 2014, foi sede da biblioteca municipal, reunindo documentos, imagens, livros, obras de arte e mobiliários do princípio do século XX, doados pela família.
A parte superior do casarão concentra a seção de pesquisa, com um minimuseu. O visitante tem acesso a publicações antigas, objetos, pinturas, desenhos, fotos de Rubem e da família, além de manuscritos do poeta e jornalista Newton Braga.

Os livros da biblioteca pessoal de Rubem Braga foram doados por seu filho, Roberto. Na exposição o visitante encontra a “Olivetti”, ferramenta de trabalho do cronista. As máquinas de escrever de onde partiram seus textos impecáveis.


Rubem Braga, Casa dos Braga, Cachoeiro de Itapemirim
Foto: Divulgação

Quem foi Rubem Braga?

Rubem Braga nasceu em 12 de janeiro de 1913, em Cachoeiro de Itapemirim. Foi casado com Zora Seljan, com quem teve um filho, Roberto Seljan Braga. Em 1929, escreveu suas primeiras crônicas para o jornal Cruzeiro do Sul. Ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, mas, em 1932, foi transferido para Belo Horizonte, Minas Gerais, onde concluiu o curso. Também foi repórter do Diário de São Paulo. Fundou a Folha do Povo e o semanário Comício. Trabalhou, ainda, em outra publicação semanal, Diretrizes, dirigida por Samuel Wainer. Em 1936, lançou seu primeiro livro de crônicas, “O Conde e o Passarinho”.
No final de sua carreira, publicava suas crônicas aos sábados no jornal O Estado de S. Paulo. Foram 62 anos de jornalismo e mais de 15 mil crônicas escritas, que reunia em seus livros. Faleceu aos 77 anos, em 19 de dezembro de 1990, no Rio de Janeiro.


Exposições

E quem acha que o local é apenas uma casa simples não pode deixar de conferir as duas exposições que lá funcionam. A primeira, “Minha Cidade, Minha Casa”, possui 132 peças, entre lustre, máquina de costura, quadros, estantes e diversos móveis da coleção da irmã caçula, a artista plástica Anna Graça Braga de Abreu, falecida em 2013.

A segunda é a mostra “Rubem e Seus Amigos Artistas”, cujas representações do universo do cronista são transmitidas a partir de olhares conceituados como Portinari e Dorival Caymmi, além de desenhos de sua viagem pelo Espírito Santo com Carybé, entre outras obras.


Localizado na Rua 25 de Março, nº 166, Centro de Cachoeiro de Itapemirim.
A casa está aberta de segunda a sexta-feira, das 9 às 18h, e aos sábados e feriados, das 9 às 15 horas.
Informações: (28) 3155-5272.

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