Hub conecta empresas e startups, elevando o ambiente de negócios e fortalecendo a cultura de inovação capixaba. Michelle Janoovick fala sobre o cenário
Por Thamiris Guidoni
O Espírito Santo vive um momento decisivo na consolidação de um ecossistema de inovação mais estruturado, colaborativo e conectado às demandas reais do mercado.
Esse cenário foi detalhado por Michelle Janoovick, CEO do Base27, durante a participação no Café com Moqueca, comandado por Renzo Colnago, onde revisitou sua trajetória, explicou como o hub nasceu em plena pandemia e analisou os próximos passos para o avanço da inovação no estado.
A relação de Michelle com o Espírito Santo começou em 2013, quando ela se mudou ao estado para cursar o mestrado em Administração na UFES. Natural do Rio Grande do Sul, ela imaginava uma passagem temporária, mas encontrou no ambiente capixaba espaço fértil para construir uma carreira voltada à inovação.
“Foi um período de redescoberta. Eu percebi que o Espírito Santo tinha potencial, mas faltava clareza sobre como organizar esse potencial em torno da inovação”, relembra.
Após atuar no Sebrae no Sul do país, ela retornou ao estado em 2017 e mergulhou em projetos ligados à digitalização, logística e desenvolvimento de negócios. A participação em programas como a Mobilização Capixaba pela Inovação e o Founder Institute ampliou sua visão sobre o que ainda precisava ser estruturado no ecossistema local.
O convite para participar da criação do Base27 surgiu em 2019, quando empresas de engenharia e construção buscavam um ambiente que conectasse desafios corporativos a soluções tecnológicas.
O projeto amadureceu rapidamente, mas a pandemia interrompeu os planos de inauguração presencial. Para Michelle, porém, esse cenário inesperado acabou reforçando a identidade do hub.
“Quando a pandemia chegou, estávamos prontos para inaugurar o Base27 presencialmente. Poderia ter sido o pior momento, mas acabou sendo o ponto de virada. A incerteza obrigou as empresas a repensarem processos, cultura e modelos de negócio, e isso abriu espaço para conversas que talvez demorassem anos para acontecer. Ao lançar tudo digitalmente, alcançamos pessoas que nunca estariam no evento físico e fortalecemos o espírito de comunidade desde o primeiro dia”, explica.
Os primeiros meses revelaram que o maior desafio não era estrutural, mas conceitual: traduzir o que é inovação para empresas que ainda enxergavam o tema com distância.
“No início, mais do que falar sobre inovação, precisávamos traduzi-la. Havia uma distância cultural entre o conceito e a prática. Muitas empresas achavam que inovar era apenas investir em alta tecnologia ou contratar soluções prontas. Nosso trabalho foi mostrar que inovação também é gestão, cultura, processos, pessoas. Quando o empresariado percebeu isso, a porta se abriu. A inovação deixou de ser abstrata e virou estratégia”.
Esse trabalho pavimentou a cultura que hoje define o Base27: colaboração real. O hub reúne empresas mantenedoras de diferentes setores, muitas vezes concorrentes, além de startups e instituições de ensino. Essa convivência criativa é, segundo Michelle, o diferencial do ambiente.
“O que diferencia o Base27 é que a colaboração aqui não é discurso, é rotina. Temos concorrentes compartilhando o mesmo espaço, discutindo dores reais e construindo soluções juntos. Isso exige confiança e maturidade, e o resultado é poderoso: quando corporações, startups e universidades se conectam sem barreiras, o impacto é muito maior do que qualquer iniciativa isolada”, destaca.
O ecossistema capixaba, afirma a CEO, vive uma transição importante. Empresas de setores tradicionais começaram a adotar inovação como estratégia central, enquanto uma nova geração de empreendedores chega mais preparada e aberta ao risco.

“O Espírito Santo está vivendo uma virada importante. Setores tradicionais passaram a ver inovação como parte do negócio, não como acessório. E ao mesmo tempo surge uma geração de empreendedores mais preparada, mais curiosa e mais aberta ao risco. O que precisamos agora é fortalecer as pontes entre todos esses atores. Inovação não é um departamento, é uma mentalidade coletiva”, ressalta.
Michelle também destacou a expansão dos programas do Base27 e o avanço das parcerias com universidades e empresas em transformação digital. Segundo ela, a nova fase do hub é marcada por profundidade e continuidade, não apenas pela criação de eventos ou ações pontuais.
“O Base27 está crescendo, ampliando programas e aprofundando a conexão com as universidades. As empresas que chegam não estão buscando apenas tecnologia, mas transformação cultural. E isso é o que realmente sustenta inovação de longo prazo. O Espírito Santo tem potencial para assumir protagonismo nacional, e essa construção está só começando”, finaliza.

