Conexão entre agro e logística, adequação à LGPD e formação de talentos estão entre os desafios apontados por empreendedores durante o ESX 2026
Por Thamiris Guidoni
O ESX 2026, realizado na Praça do Papa, em Vitória, tem reunido diferentes setores da economia capixaba em torno de um mesmo ponto de convergência: os desafios reais que ainda limitam a produtividade e a expansão dos negócios.
Com o tema “Inovação sem Fronteiras”, o ESX vai além da apresentação de novas tecnologias e evidencia os desafios que ainda impactam a competitividade dos negócios, como gestão, formação de talentos, integração entre setores produtivos e acesso à informação. A programação continua neste sábado (13), com inscrições gratuitas disponíveis diretamente no local do evento.
Entre os 210 expositores desta edição, sendo 97 startups capixabas, o que se observa é uma diversidade de soluções, mas também uma repetição de problemas que atravessam setores distintos da economia.
Integração entre setor público e privado ainda limita avanço no agro

No agronegócio e na logística, o principal desafio apontado por empreendedores é a dificuldade de integração entre tecnologia, políticas públicas e operação prática.
A CEO e fundadora da BagLog, startup de logística sediada em Linhares, Patrícia Vitória, destaca que o avanço da inovação no setor depende diretamente da articulação entre diferentes atores da cadeia produtiva.
“O ESX é a grande vitrine da inovação capixaba, onde a gente consegue conectar o ecossistema e falar sobre as soluções que têm sido desenvolvidas. No nosso caso, a BagLog atua conectando produtores, associações e cooperativas do agro à cadeia logística, e é um orgulho dizer que é uma tecnologia capixaba, investida pelo governo do Estado através do programa Sementes e que hoje está em expansão”, afirmou.
Apesar do avanço, ela aponta que o principal gargalo ainda está na conexão entre o setor público e o privado e na circulação de informação.
“O grande desafio que a gente tem é justamente relacionar as políticas públicas com o setor privado e garantir acesso às informações e à tecnologia. A gente precisa falar mais sobre tecnologia, investir mais em estudantes de tecnologia, e o ESX é um exemplo disso”, disse.
Patrícia também destaca o impacto da informação na base produtiva do campo e as mudanças geracionais em curso no setor.
“A gente precisa que os produtores rurais recebam informação. A educação abre portas. Hoje, os filhos dos produtores que antes saíam das comunidades rurais e não tinham interesse pelo campo estão voltando, estudando fora e retornando para dar continuidade ao legado. Isso muda completamente o paradigma do setor”, afirmou.
LGPD ainda enfrenta barreiras de entendimento dentro das empresas

No campo da tecnologia e da gestão corporativa, a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) segue como um desafio recorrente entre empresas de diferentes portes.
A consultora e encarregada de proteção de dados da SecurityLGPD, de Colatina, Bárbara Lacerda, afirma que o principal obstáculo não está na legislação, mas na forma como ela é incorporada à rotina das organizações.
“A nossa maior dificuldade é fazer com que as empresas entendam a importância de estarem adequadas à LGPD. Muitas vezes, os clientes só nos procuram quando já estão passando por auditoria ou sendo fiscalizados, então existe um desafio grande de educação e conscientização dentro do mercado”,.
Ela explica que a implementação prática da lei depende diretamente da organização interna das empresas e da integração entre setores.
“No mapeamento e inventário de dados, a gente depende de informações dentro da empresa. Muitas vezes isso trava porque cada área já tem suas próprias demandas, como RH e TI, e isso exige uma coordenação interna que nem sempre está estruturada”, afirmou.
Educação ainda é barreira central para produtividade e desenvolvimento
No campo da educação e da formação profissional, o desafio identificado vai além do acesso: envolve a disposição para aprender continuamente e a percepção de valor do conhecimento.
Para o Professor Mozart Estrela, gestor da +Solidário Sistemas Educação e ESG, a transformação social e econômica passa diretamente pela educação, mas ainda enfrenta resistência cultural.
“O ESX é um evento de extrema conexão, e o Espírito Santo vive um momento de desenvolvimento muito importante, principalmente na educação. O Mais Solidário é um programa de inclusão educacional para jovens de periferia e pessoas que não conseguiram uma boa nota no Enem, oferecendo oportunidades reais de acesso ao ensino”.
Ele reforça que a educação também é ferramenta de inclusão e transformação social.
“Hoje nós já temos mais de 4.000 estudantes beneficiados. O nosso objetivo é ampliar o acesso à educação e mostrar que ela abre portas. Eu só estou aqui por conta da educação, e acredito que esse é o caminho para transformar realidades”.
Mozart também critica a baixa adesão ao aprendizado contínuo como fator que limita o desenvolvimento.
“80% das pessoas sabem que a educação muda a vida delas, mas uma parte significativa ainda não está disposta a aprender algo novo. E isso impacta diretamente produtividade, oportunidades e crescimento profissional”, afirmou.
ESX funciona como ponto de convergência do ecossistema de inovação
Apesar das diferenças entre setores, os entrevistados convergem na avaliação de que o ESX funciona como um espaço de conexão entre negócios, governo e iniciativas privadas.
Patrícia Vitória resume essa percepção ao destacar o caráter relacional do evento.
“O ESX é conexão, energia, vibração. É todas as idades no mesmo lugar, falando a mesma língua, com pensamentos diferentes, gerando negócios e desdobramentos reais. É uma feira de gente, não só uma feira comercial”.
Da logística no agro à adequação à LGPD, passando pela formação de novos profissionais, os relatos ouvidos no ESX mostram que muitos dos desafios enfrentados pelas empresas continuam ligados a questões estruturais. Gestão, qualificação de mão de obra, acesso à informação e integração entre diferentes setores ainda aparecem como obstáculos para quem busca crescer e inovar.
Nesse contexto, o evento reforça que inovação não se resume à tecnologia. Para muitos empreendedores, o desafio está em transformar conhecimento em soluções aplicáveis ao dia a dia dos negócios.
Ao reunir empresas de diferentes segmentos, o ESX mostra que os desafios do mercado passam por temas que vão além do desenvolvimento de novas tecnologias. Gestão, qualificação profissional, acesso à informação e integração entre setores seguem entre os principais obstáculos para quem busca crescer e ganhar competitividade.
ESX 2026 – Innovation Experience Espírito Santo – “Inovação sem Fronteiras”
Data: até sábado (14)
Local: Praça do Papa, em Vitória
Hora: 13h às 21h (quinta e sexta) e 9h às 17h (sábado)
Entrada gratuita
Mais informações em: ESX 2026 – Inovação sem fronteiras.


