- Continua após a publicidade -

Atlas revela vozes e dores das mulheres do ES

Estudo inédito reúne dados e relatos de 19 segmentos para orientar políticas públicas e ampliar compreensão da realidade feminina

Por Karina Garcia

O que significa ser mulher no Espírito Santo hoje? A resposta não cabe apenas em números. O Atlas das Mulheres do Espírito Santo, lançado no último dia 26 de março, reúne dados e histórias de mais de 1,4 mil mulheres para tentar responder a essa pergunta e orientar políticas públicas no estado.

Produzido pela Secretaria de Estado das Mulheres, o Atlas é resultado de uma pesquisa realizada entre 2023 e 2025 que combinou levantamento quantitativo com escuta direta. Foram mais de 16 mil quilômetros percorridos, 155 ações de campo e rodas de conversa com mulheres de 19 segmentos sociais, incluindo periferias, comunidades tradicionais, mulheres com deficiência e grupos religiosos.

- Continua após a publicidade -

O trabalho foi liderado pela pesquisadora e socióloga Jaqueline Sanz, que desenvolveu uma metodologia baseada na escuta das experiências. A proposta foi ir além dos indicadores tradicionais e compreender o cotidiano das mulheres em diferentes contextos.

Segundo a Secretária das Mulheres do ES, Jaqueline Moraes, o objetivo foi ampliar o olhar sobre a realidade feminina no estado. “Uma coisa é olhar para números, outra é conhecer a história dessas mulheres”, afirmou em entrevista ao portal Comunhão. A proposta, de acordo com ela, é compreender o que está por trás dos dados e como diferentes contextos moldam a experiência de ser mulher.

Conteúdo em Alta

Lipedema: treino certo muda rotina de mulheres; saiba...
Alerta para tempestades e granizo no ES; veja...
ES cria modelo inédito e avança na gestão...
Mulheres capixabas poderão acessar linha de crédito para...
Espírito Santo constrói Plano Estadual de Inclusão
Gabriela Prioli chega ao ES para debater protagonismo...
ES tem menor número de homicídios em 30...
Intestino pode interferir na imunidade e saúde mental
Maior moqueca do mundo é atração de festival...
TJES e ArcelorMittal firmam parceria social

Ainda, de acordo com Jaqueline, o Atlas parte da pergunta “O que é ser mulher?“. A partir desse ponto, o estudo percorre diferentes realidades. “O que é ser uma mulher com deficiência, o que é ser uma mulher evangélica, de religião de matriz africana, quilombola. Muitas respostas vieram no fazer, no cuidado”, disse.

As participantes, segundo a pesquisa, tendem a se definir mais pelo que fazem do que por quem são, o que aponta para uma identidade fortemente ligada ao cuidado.

- Continua após a publicidade -

Ou seja, elas se definem pelas responsabilidades que assumem no cotidiano. O Atlas também evidencia aspectos subjetivos, como ansiedade e sobrecarga, frequentemente associados ao acúmulo de responsabilidades.

Protagonismo feminino

A pesquisa foi realizada por equipes formadas majoritariamente por mulheres. Houve parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo para contratação de pesquisadoras bolsistas, responsáveis por conduzir entrevistas e rodas de conversa. Esse formato permitiu reunir não apenas dados quantitattivos, mas também percepções e vivências.

A escuta também revelou padrões que atravessam diferentes grupos. Um dos principais é a presença da violência em múltiplos contextos. “Nós percebemos que algo atravessa todas as mulheres, que são as violências”, afirmou a secretária.

Realidade econômica

Além da dimensão social, o estudo traz recortes econômicos. Quase metade das mulheres entrevistadas se declarou principal provedora do lar. O dado reforça uma mudança no perfil das famílias, mas também expõe desigualdades. Mulheres negras e de baixa renda seguem concentradas nas posições mais vulneráveis do mercado de trabalho.

- Continua após a publicidade -

O levantamento também detalha realidades específicas. No meio rural, há maior incidência de baixa escolaridade, muitas vezes associada à necessidade de trabalhar desde cedo. Na ciência, a presença feminina diminui conforme a carreira avança, com impacto direto da maternidade. Em comunidades tradicionais, relatos de racismo e dificuldade de acesso a serviços públicos são recorrentes.

Para os organizadores, o Atlas deve servir como base para políticas públicas mais direcionadas. Ao final de cada seção, o documento apresenta sugestões de ações prioritárias em áreas como saúde, educação e segurança. A ideia é que gestores utilizem essas informações para formular iniciativas mais alinhadas às demandas reais.

A publicação também busca estimular o debate público. Ao reunir dados e relatos, o Atlas tenta aproximar o poder público das experiências cotidianas das mulheres. “Para denunciar, é preciso identificar a violência. E para identificar, é preciso conhecer”, afirmou Jaqueline Moraes.

Com o lançamento, o governo estadual pretende atualizar o estudo periodicamente, mas não revelou o período exato entre as atualizações. A expectativa é que a escuta contínua permita acompanhar mudanças sociais e ajustar políticas ao longo do tempo. Enquanto isso, o Atlas já se coloca como um retrato amplo das múltiplas formas de ser mulher no Espírito Santo e um ponto de partida para novas discussões.

Rede de apoio e caminhos para mulheres em situação de violência

Além do diagnóstico apresentado pelo Atlas, a Secretaria de Estado das Mulheres mantém uma rede de atendimento para acolher mulheres em situação de violência. Atualmente, o estado conta com 10 centros de referência, conhecidos como Centros Margaridas, que oferecem atendimento com psicóloga, assistente social, educadora social e advogada.

Segundo Jaqueline Moraes, esses espaços são uma alternativa para mulheres que não se sentem seguras em procurar uma delegacia. “Procure o centro mais próximo na sua cidade”, orientou.

A rede também envolve instituições como Ministério Público, Defensoria Pública e o Judiciário, com atuação para agilizar medidas protetivas. Há ainda acompanhamento por meio da Patrulha Maria da Penha, além do uso de tornozeleiras eletrônicas em agressores em casos de maior risco.

Outras ações incluem iniciativas de geração de renda, como as Caravanas Margaridas, e programas voltados à autonomia econômica. A secretaria também atua no acompanhamento de mulheres em situação de dependência emocional e financeira.

Para a secretária, o enfrentamento à violência exige diferentes frentes. “Para denunciar, é preciso identificar. E para identificar, é preciso conhecer”, afirmou.

Ao comentar o impacto esperado das ações, ela destacou o objetivo de longo prazo. “Eu quero pavimentar o caminho mais um pouco para que meninas vivam em uma sociedade onde tenham liberdade, autonomia e segurança.”

Leia Mais

Internet chegará a 52 UBS do ES para...
Pimenta-do-reino chega a 17,5% das exportações do agro...
Passeio com música ao ar livre no Parque...
Mulheres no comando: Elas já são 36,57% do...
Livro revisita legado ambiental e história do Espírito...
ESG Galwan: construindo o amanhã com responsabilidade e...
BR tem menor taxa de homicídios da série...
Conheça os municípios do ES com melhor qualidade...
Gastronomia capixaba ganha destaque em Brasília
ES está entre os 10 estados com melhor...

Receba notícias exclusivas no seu WhatsApp

Contéudos especiais no seu email. Receba hoje!

- Continua após a publicidade -
- Publicidade -

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 233

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

Política e ECONOMIA

- Publicidade -

Matérias relacionadas

- Continua após a publicidade -