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quinta-feira, 30 junho, 2022

As históricas e persistentes desigualdades de gênero, cor ou raça

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Pesquisadores Michael Kremer, da Universidade de Harvard, Esther Duflo e Abhijit Banerjee, do Massachusetts Institute of Technology (MIT)

As mulheres brasileiras só terão igualdade salarial com os homens em 2047 e as pessoas negras só ganharão o mesmo que as brancas em 2089, no caso de se manter a tendência dos últimos 20 anos

Por Érika Leal

No ano passado, os pesquisadores Esther Duflo e seu companheiro Abhijit Banerjee, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), e Michael Kremer, da Universidade de Harvard, foram laureados com o Prêmio Nobel de Economia. A premiação foi conferida por seus trabalhos desenvolvidos no campo da Economia do Desenvolvimento, mais especificamente pelos inúmeros estudos realizados visando à compreensão das diversas dimensões da pobreza.

Na entrevista realizada no MIT com os professores Banerjee e Duflo, foram discorridos sobre as grandes questões da nossa contemporaneidade: imigração, comércio, automação, ascensão do fanatismo, políticas sociais e desigualdade em todas as suas dimensões. Neste último caso, nada mais oportuno que discorrer sobre a ainda baixa participação das mulheres nos cursos e na profissão de economia, sobretudo pelo fato de Esther Duflo ter sido a segunda mulher economista laureada com o Prêmio Nobel nos 51 anos de existência do Prêmio.

Em Janeiro de 2020, a organização Oxfam Brasil publicou o Relatório Tempo de cuidar: o trabalho de cuidado não remunerado e mal pago e a crise global da desigualdade.

Este Relatório mostrou que as mulheres e as meninas ao redor do mundo dedicam 12,5 bilhões de horas, todos os dias, ao trabalho de cuidado não remunerado – uma contribuição de pelo menos US$ 10,8 trilhões por ano à economia global – mais de três vezes o valor da indústria de tecnologia do mundo. No caso brasileiro, o estudo destaca com base nos dados do IBGE, que em 2050, o país terá cerca de 77 milhões de pessoas dependentes de cuidado (pouco mais de um terço da população estimada) entre idosos e crianças, e 90% do trabalho de cuidado no Brasil é feito informalmente pelas famílias – e desses 90%, quase 85% é feito por mulheres.

Quando se avalia as questões relacionadas à remuneração do trabalho, a desigualdade de gênero se mantém ainda latente no país. As mulheres brasileiras só terão igualdade salarial com os homens em 2047 e as pessoas negras só ganharão o mesmo que as brancas em 2089, no caso de se manter a tendência dos últimos 20 anos.

No Espírito Santo, em 13 de Agosto de 2020, sociólogos do Instituto Jones dos Santos Neves lançaram o estudo “Pobreza, Distribuição e Desigualdade de Renda”. O documento ressalta que as desigualdades de renda por gênero e por cor ou raça possuem status de questões fundamentais na Agenda do Desenvolvimento Sustentável da ONU, considerados pressupostos para o desenvolvimento sustentável na Agenda 2030 e confirmados na Década Internacional de Afrodescentes 2015-2024.

Entre os destaques do documento, ressalta-se o fato de que a desigualdade de renda está relacionada à desigualdade de gênero e de cor ou raça. A análise da Renda Média de todas as Fontes por Cor ou Raça e Sexo das Pessoas de 15 anos ou mais no Espírito Santo mostrou que, em 2018, este rendimento para a mulher negra foi de R$ 1.416; enquanto que para o homem branco foi de R$ 3.189. Neste sentido o fato de ser mulher e negra no estado capixaba implica uma remuneração 125,2% menor do que a do homem branco. Assim, é imperativo a união de esforços para a redução das desigualdades, sobretudo as relacionadas ao gênero e cor ou raça.

Érika Leal é conselheira do Corecon-ES e professora do Ifes

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