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Os desafios de gestão e liderança no mundo masculino da TI

“Existe um grande corporativismo masculino. Os homens se protegem e se sentem protegidos, façam eles o que fizerem. Certos ou errados.”

Desde bem pequena, recebi apoio do meu pai, um homem nem tão moderno assim, mas que nunca acreditou em “brincadeira de meninos são proibidas para meninas”. Foi dessa forma que fiz minhas escolhas profissionais.

Sou uma mulher de Exatas, com pensamento lógico na minha vida cotidiana. Faço 47 anos em julho e sou profissional de Tecnologia da Informação (TI) desde o início dos anos 90, período em que ainda todos se surpreendiam por uma mulher fazer essa escolha e a TI era simplesmente “Informática”.

Minha decisão não fez com que eu deixasse de gostar de outras coisas historicamente associadas ao mundo do feminino. Amo animais, crianças, coisinhas domésticas, cozinhar e dar festas para os amigos. Sempre conciliei com interesses por tecnologia e programação.

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Sou sócia da empresa em que trabalho. Atuo como gerente de pessoas e de projetos. Lidero equipes, em sua maioria masculinas. Por muitas vezes os homens que eu mesma recrutei questionam uma orientação ou determinação que dou claramente, somente pelo fato de eu ser mulher. Colocam em dúvida o minha experiência e meu conhecimento técnico.

Precisamos provar que não existem limites para o nosso conhecimento, desenvolvimento acadêmico e profissional e, sim, temos nosso lugar, ao lado ou acima de um homem.

Na maioria das vezes, eles próprios não percebem essa atitude sexista que praticam no dia a dia. O comportamento é recorrente: escutam e me respondem que irão confirmar e “pedir benção” para algum outro homem que eles acreditem que possam respaldar o que eu disse. Mesmo que seja eu quem hierarquicamente dê a palavra palavra final. Infelizmente, muitas vezes é necessário lembrar isso a eles.

É o tal machismo estrutural arraigado dentro das pessoas. O pior é que esse machismo não é só dos homens. As mulheres alimentam essa situação quando se vitimizam e se fragilizam profissionalmente, usando o fato de serem mulheres para obter benefícios e facilidades. Isso acaba enfraquecendo a luta por igualdade.

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Existe um grande corporativismo masculino. Os homens se protegem e se sentem protegidos, façam eles o que fizerem. Certos ou errados. Essa união os fortalece.
Nós, mulheres, precisamos diariamente provar que podemos, que realizamos e temos que ser fortes e determinadas.

Precisamos provar que não existem limites para o nosso conhecimento, desenvolvimento acadêmico e profissional e, sim, temos nosso lugar, ao lado ou acima de um homem.

Busco diariamente o respeito e a igualdade em nosso ambiente de trabalho, livre de preconceitos e julgamentos, em que a meritocracia e a justiça definem os papeis de cada um. Por meio de uma equipe mista de homens e mulheres com idades, anseios, crenças, educação e histórias diferentes, mas sempre com as mesmas oportunidades, cada um pode mostrar seus valores e aprender que as diferenças somam e enriquecem.

Espero dessa forma estar colaborando um pouco para nossa sociedade e, principalmente, mostrando para homens e mulheres que todos nós juntos somos capazes de fazer um mundo melhor.

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Ana Paula Polycarpo é sócia da Integro Consultores, desenvolvedora de Jogos Digitais com MBA em Gerenciamento de Projetos e pós-graduanda em Administração de Empresas.

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