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quarta-feira, 22 maio, 2024

Por que as chuvas estão mais fortes e os alagamentos mais recorrentes?

Especialistas explicam o que está acontecendo. Veja o que as prefeituras estão fazendo para evitar que os efeitos climáticos geram transtornos

Por Kebim Tamanini

Nos últimos meses, a Grande Vitória foi impactada por uma série de fortes chuvas, resultando em sérios transtornos e prejuízos para os moradores da região. As intensas precipitações desencadearam inundações em diversos pontos, afetando ruas, residências, comércios e vias públicas, exigindo ações imediatas das autoridades locais para mitigar os danos causados.

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Entre os anos de 2013 e 2022, desastres naturais, como tempestades, inundações, enxurradas e alagamentos, atingiram 5.199 municípios brasileiros, representando 93% do total de 5.570 municípios. Mais de 4,2 milhões de pessoas tiveram que abandonar suas casas em decorrência desses desastres.

A Grande Vitória não escapou dessa realidade, sendo afetada por esses eventos catastróficos, conforme dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM). 

Para compreender melhor o contexto das chuvas na região, é fundamental observar a frequência e a intensidade desses eventos. Segundo os meteorologistas, o período atual é marcado por chuvas intensas e de curta duração, comumente observadas desde meados de outubro até o final de março e início de abril.

Para o Coordenador de Meteorologia do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Hugo Ramos, ao longo dos anos, temos enfrentado poucos eventos chuvosos; no entanto, esses poucos eventos têm trazido quantidades significativas de chuva.

“Se considerarmos esses últimos anos e fizermos um paralelo com as mudanças climáticas, perceberemos que esse efeito tem sido justamente provocado por elas. Temos observado períodos chuvosos mais curtos, porém, devido ao forte calor e à presença de umidade, as chuvas têm sido bastante intensas em volume”, reflete Ramos.

O meteorologista explica que essas chuvas intensas são recorrentes neste período do ano, especialmente no fim da primavera e início do outono, de outubro a abril. Ele destaca que as últimas chuvas que atingiram a Grande Vitória em março deste ano foram relativamente menores em comparação com eventos anteriores, caracterizando-se como chuvas temporais típicas dessa época.

Asfalto e aterramentos ajudam nos alagamentos

Sabemos até o momento que o atual período é caracterizado por fortes chuvas, as quais têm aumentado ao longo dos anos. Segundo o engenheiro florestal e ex-secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo, Luiz Fernando Schettino, os altos índices de alagamentos são resultados tanto dos efeitos climáticos cada vez mais intensos quanto de outros fatores.

“Com o desenvolvimento urbano, temos asfaltado e impermeabilizado praticamente tudo. Dessa forma, quando ocorrem chuvas, uma grande parte da água que deveria infiltrar no solo não consegue, pois encontra superfícies impermeáveis. Como resultado, os sistemas de drenagem geralmente são deficientes ou enfrentam problemas relacionados ao acúmulo de lixo, tornando-se incapazes de lidar com o volume de água. Isso resulta nos alagamentos frequentes que testemunhamos. Portanto, trata-se de um problema decorrente da ocupação urbana desordenada e da falta de preparo para enfrentar essas situações”, pontua Schettino.

O engenheiro florestal enfatiza a necessidade de medidas essenciais e da união de todos em prol do mesmo propósito. “Proibir aterramentos em áreas de recarga hídrica, tanto no âmbito municipal quanto estadual; educar sobre a correta disposição do lixo, promovendo a coleta seletiva e a reciclagem para evitar entupimentos nos sistemas de drenagem; plantar árvores em espaços verdes de forma espaçada para facilitar a infiltração da água no solo; e repensar a localização de equipamentos públicos, evitando áreas propensas a alagamentos, são algumas medidas que podem ser implementadas no dia a dia”, cita Schettino.

Quanto às obras em andamento na Grande Vitória, especialistas afirmam que são obras emergenciais. “Com o aumento da intensidade e frequência das chuvas, a vida útil e a funcionalidade desse sistema dependerão da capacidade de terem sido dimensionados da melhor forma possível para enfrentar os desafios futuros. Essas obras são importantes, mas não são suficientes para resolver todos os problemas. Elas fazem parte de um complexo sistema de soluções”, finaliza o ex-secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo.

Especialistas explicam o que está acontecendo. Veja o que as prefeituras estão fazendo para evitar que os efeitos climáticos geram transtornos.
Sistema de Bombeamento de Águas Pluviais da Grande Cobilândia em Vila Velha. Foto: governo ES

O que está sendo realizado para evitar alagamentos?

As prefeituras da Grande Vitória, muitas delas em parceria com o governo estadual, têm realizado diversas obras de pequeno e grande porte, bem como serviços, visando evitar alagamentos. Confira o que dizem as gestões municipais.

Cariacica

A Prefeitura, por meio de nota, esclarece que há um alerta para áreas de risco geológico no município, classificadas como de alto e muito alto risco. Por este motivo, vem realizando procedimentos, tais como: a instalação de geomantas em locais vulneráveis, a construção de muros de contenção e a disponibilização de pluviômetros em diversos bairros. Além disso, os contatos da Defesa Civil foram amplamente divulgados, e foi realizada a formação dos Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs) para orientar os moradores em situações de emergência. Também foi criado o Comitê de Prevenção de Desastres Naturais, que coordena ações integradas para garantir a segurança da população.

Por fim, a administração municipal ressaltou a importância da colaboração dos moradores na manutenção da limpeza urbana, incentivando a denúncia de pontos de acúmulo de lixo e orientando sobre a correta disposição dos resíduos.

Vitória

A Secretaria Central de Serviços da capital informou que a limpeza dos bueiros está em dia e é realizada regularmente, principalmente em pontos considerados críticos na cidade. A prefeitura afirmou que a coleta de lixo também é feita diariamente. O município reforça que a população deve contribuir com o descarte correto do lixo em locais apropriados. Denúncias de irregularidades podem ser realizadas por meio do 156.

Vila Velha

A Prefeitura esclareceu que promove ações de forma preventiva, como a limpeza de canais e galerias, e investe em obras estruturantes para minimizar alagamentos em Vila Velha. Entre essas ações estão a construção de quatro novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) em Cobilândia, Marilândia, Foz do Costa e Rio Marinho, ampliando o sistema atual de drenagem por bombeamento para sete. Além disso, as obras de macrodrenagem, em parceria com o Governo do Estado, contemplam diferentes regiões administrativas do município. Os recursos nessa área somam mais de R$ 750 milhões, em investimentos e manutenções realizadas pela prefeitura e pelo Estado.

Viana

A Prefeitura de Viana disse que vai apresentar neste mês uma solução para o problema de alagamento na BR – 101 – KM 298: o tunnel liner, que visa abrir túneis sem interferir na superfície.

A prefeitura também informou que vai apresentar o novo sistema de macrodrenagem para captar as águas pluviais a partir do KM 298 da BR-101. “Não se pode admitir mais o transtorno que o alagamento causa a moradores, comerciantes e motoristas que seguem para todo o país via BR. O Brasil passa por aqui, somos a Capital da Logística e o desenvolvimento da cidade requer a segurança de ir e vir de todos. Não é só empenho que nos move, e sim perseverança de que vamos apresentar a solução, e recursos serão aprovados para sua execução, após licitação da obra. Esperamos que todos os processos ocorram até o final deste ano”, informou o prefeito, Wanderson Bueno.

Serra

A Prefeitura da Serra, por meio da Secretaria de Obras (Seob), informa que já investiu cerca de R$ 27 milhões na construção de muros de contenções em taludes nas áreas de encostas. As obras já foram concluídas em Jacaraípe, Barcelona, Ourimar e Residencial Centro da Serra; e estão em andamento em Vista da Serra I, Serra Dourada II, Nova Carapina II e Porto Dourado.

Além das ações em encostas, a Seob já realizou projetos de drenagem e pavimentação que somam, aproximadamente, 59 quilômetros de extensão de vias, onde os investimentos ultrapassam os R$ 100 milhões. Além dos projetos concluídos, está em andamento a revisão da drenagem e a pavimentação de mais 40 quilômetros de ruas do município com um investimento que ultrapassa o valor de R$ 140 milhões.

A Seob possui, ainda, o objetivo de pavimentar e drenar um total de 100 quilômetros de vias até o segundo semestre de 2024.

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