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Água e fenômenos climáticos: combinação que pode ser mortal

Enchentes devastadoras e secas prolongadas: a má gestão ambiental provoca tragédias urbanas e rurais e ameaça a disponibilidade da água

Por Daniel Hirschmann

As mudanças climáticas têm causado impacto sobre os recursos hídricos do Brasil e do mundo, com efeitos extremos e alarmantes. Esses eventos destacam a urgência de abordar as causas e consequências das mudanças climáticas, com adoção de políticas eficazes e ações imediatas para proteger os recursos hídricos do país.

As enchentes no Rio Grande do Sul e do sul do Espírito Santo, especialmente na cidade de Mimoso do Sul, em 2024, ilustram como eventos climáticos extremos podem desestabilizar e até destruir cidades e comunidades inteiras. Ao mesmo tempo, têm acontecido secas severas, como a da Amazônia em 2023, causando a baixa acentuada dos níveis dos rios e afetando a economia e a vida de todos os habitantes da região. Junto com a seca vieram fortes ondas de calor.

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Na base dos fenômenos que estão afetando o comportamento das águas está uma combinação de sistemas climáticos naturais que favorecem a ocorrência de cheias – como o El Niño – e o aquecimento global, que também já traz uma série de impactos e ainda intensifica esses sistemas climáticos, criando um ciclo perverso de ampliação dos riscos.

Ciclo da água mais intenso

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) alertou que o ciclo da água vem se acelerando e continuará a se intensificar, à medida que o planeta aquece. Em geral, essa intensificação do ciclo faz com que lugares úmidos fiquem mais úmidos e lugares secos, mais secos.

“Isso é devido, em parte, à água extra na atmosfera, que é levada para lugares onde já há uma quantidade grande de chuvas pelas correntes de ar”, comenta o coordenador de Mudanças Climáticas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Saulo Aires de Souza.

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Água e fenômenos climáticos: combinação que pode ser mortal
“O planejamento e o controle da ocupação do solo urbano, especialmente nas áreas vulneráveis, devem ser reforçados. A incorporação do risco como critério de gestão das cidades, similar ao que já é feito em complexos industriais, também é crucial”. Emilio Merino Dominguez, arquiteto e urbanista – Foto: Difoccus

O coordenador explica que, com temperaturas mais elevadas, há maior evaporação da água para a atmosfera e o ar mais aquecido retém uma quantidade maior de vapor do que numa situação sem aquecimento global. Com mais vapor, as chuvas são mais frequentes e intensas, agravando o risco de cheias e inundações.

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Além disso, devido à maior intensidade da precipitação, parte dessa água – que antes se infiltrava no solo – escoa diretamente, diminuindo a recarga das águas subterrâneas e da vazão de base de rios e poços. Souza salienta que esse impacto, associado ao aumento da temperatura e evaporação, eleva também o risco de secas, tornando-as mais comuns.

“Compreender esta e outras mudanças no ciclo da água é importante, tanto quanto a preparação para desastres. A água é um recurso essencial para todos os ecossistemas e sociedades humanas, especialmente para a agricultura”, frisa o coordenador da ANA.

Riscos climáticos

Impactos de mudanças climáticas afetam as cidades. Veja os principais problemas:

  • Aumento no nível do mar (municípios costeiros);
  • Ilhas de calor que causam ondas de calor (risco para saúde humana);
  • Inundações. Deslizamentos de terra;
  • Aumento da temperatura e da proliferação de doenças;
  • Escassez de água e alimentos;
  • Limitações de fornecimento de água potável.

Essa matéria é uma republicação da Edição 222 da Revista ES Brasil — Anuário Verde: Água. Confira a revista digital completa clicando neste link.

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