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Responsável por 80% dos deslocamentos da produção bra­sileira, o setor de transporte e logística não teve um ano fácil e foi altamente impactado pela crise nos últimos dois anos.

“Foi um ano difícil. A crise econômica impacta diretamente qualquer setor de produção. No caso do transporte, se o nível de operação cai, o sinal de alerta é acionado, denotando altos e baixos no setor”, afirmou o presidente da Federação dos Transportes do Espírito Santo (Fetransportes), Jerson Picoli. Só no primeiro semestre de 2016, o segmento sofreu queda de 5,9%, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Outra razão de preocupação é uma velha conhecida dos capixabas: os gargalos em infraestrutura. “Não é de hoje que a economia capixaba espera o desenrolar de vários empreendimentos, como a Rodovia Leste-Oeste e a duplicação da BR 262, essenciais para a competitividade estadual”, lamenta o dirigente.

Aeroporto decola
Mas há notícias positivas no ar. As obras para o novo terminal de passageiros do Aeroporto de Vitória foram retomadas e já estão 40% concluídas. A previsão é de que terminem em 2017, quando então as instalações poderão atender a até 8,4 milhões de viajantes por ano. A ampliação do terminal de cargas não está prevista nessa etapa. Só após a finalização da obra é que serão buscados recursos para viabilizá-la. “Passados tantos anos de espera, é uma conquista importante. Fecha um capítulo e abre novas perspectivas”, comemora Picoli.

Por outro lado, o aeroporto de Linhares é o único de porte regional do Estado mantido no programa de investimentos federais em aviação. As obras estão em fase de licenciamento ambiental, segundo o subsecretário de Estado de Logística, Transporte e Comércio Exterior, Orlando Caliman. A previsão é começar no início de 2017. Já os aeroportos de Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e São Mateus, que estavam previstos, não vão receber investimentos para reformas. O Governo Michel Temer reduziu de 270 para 53 o número de aeroportos em todo o país que passarão por obras de ampliação a partir de 2017.

Malha viária
Há um certo alívio também nas rodovias estaduais. Apesar de a Pesquisa Rodoviária CNT de 2016 ainda classificar as estradas capixabas como “ruins” de um modo geral, os trabalhos executados pela Eco101 já deram os primeiros resultados.

Dos 26 trechos avaliados, a melhor classificação foi para a BR 101. Por sua vez, a ES 261, a ES 355 e a EST 484/BR 484 com as piores análises.

Na malha estadual, 37 trechos, totalizando 870 quilômetros, nos polos de Cachoeiro de Itapemirim, Aracruz e Colatina, podem ser privatizados. O Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito

Santo (DER-ES) publicou este ano um edital no Diário Oficial para que empresas manifestem interesse em elaborar projetos para esses trechos. Foram classificados dois consórcios para os projetos dos polos de Cachoeiro e Colatina. O DER irá avaliar qual o modelo de concessão a ser adotado no Estado, previsto para 2017.

Para a Fetransportes, no entanto, a malha viária do Espírito Santo ainda está muito atrasada em relação à de outros estados do Sudeste. “A má qualidade das rodovias é reflexo de baixos investimentos no setor. Em 2015, o investimento federal em infraestrutura em todos os modais foi de apenas 0,19% do PIB. O valor investido em rodovias (R$ 5,95 bilhões) foi quase a metade do que o país gastou com acidentes (R$ 11,15 bilhões). A privatização pode ser o caminho para elevar a competitividade”, diz Picoli.

Portos no Espírito Santo
A crise afetou também o setor portuário. Dados da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) registram que, de janeiro a setembro de 2016, foram movimentadas 4.736.755 toneladas de cargas nos terminais públicos, uma redução de 5% em relação às 4.988.217 toneladas de 2015. “Houve muita oscilação mensal, mas estão sendo envidados esforços para que a operação seja incrementada. Após a conclusão da dragagem do Porto de Vitória, com o acesso de navios maiores, do tipo Panamax, a meta é aumentar o volume de cargas”, comenta o presidente da Codesa, Luis Santana Montenegro.

A boa notícia é que as obras do Porto de Vitória, orçadas em R$ 120 milhões, foram retomadas em agosto, após mais de um ano paradas. Os serviços de dragagem estão sendo finalizados e em seguida, terá início a medição das novas profundidades (batimetria), que será concluída em 2017. Já o projeto do Porto de Águas Profundas não foi adiante. Devido à crise, a prioridade é investir no Porto de Barra do Riacho, segundo Montenegro.

Alguns empreendimentos privados também começam a se consolidar. O Estaleiro Jurong está operando, e a recuperação de 25 quilômetros da ES010, que dá acesso ao empreendimento, está em processo de lici­tação. As obras do Terminal de Uso Privado (TUP) da Imetame, em Aracruz, já come­çaram, e a expansão do Portocel está no projeto de longo prazo dos acionistas (Fibria e Cenibra), cujo investimento ainda está sendo avaliado. O Porto Manabi foi todo readequado e o novo projeto, que está em fase de estudos, substitui o terminal marítimo de minério de ferro por um polo empresarial e porto multi­cargas, chamado Distrito Empresarial Norte Capixaba. Outros portos regionais – Petrocity  e Porto Central – aguardam documentações, enquanto o C-Port espera melhora no cenário econômico para tentar se viabilizar. “Os projetos portuários vão permitir melhorias na logística capixaba, e, consequentemente, na competitividade do Estado”, frisa o subsecretário Orlando Caliman.

Já em relação à Ferrovia EF118, que liga o Espírito Santo ao Rio de Janeiro, o Governo Federal busca alternativas para viabilizar o projeto, uma vez que sem parceria privada torna-se uma alternativa inviável no cenário fiscal atual.

Mobilidade urbana
O ano de 2016 termina sem algumas soluções aguardadas na Grande Vitória, onde se concentra a maior parte da população do Estado. Só a Região Metropolitana tem cerca de 1,9 milhão de habitantes, quase a metade da população capixaba – estimada pelo IBGE, em 2015, em 3.929.911 habitantes. Além das limitações na infraestrutura das cidades, o Espírito Santo tem um carro para cada cinco habitantes. A frota total é de 1,7 milhão de veículos. Os ônibus somam 13.974 da frota, o que significa que menos de 1% é destinado para o transporte público. “O expressivo crescimento da frota tem comprometido a mobilidade urbana e imposto à sociedade um preço muito elevado, que acaba resultando em perda de qualidade de vida e no agravamento das tensões sociais nos centros urbanos”, explica o titular da Secretaria de Estado dos Transportes e Obras Públicas (Setop), Paulo Ruy Carnelli.

Diante do cenário econômico, a solução foi reorganizar as prioridades em infraestrutura. Em 2016 a Setop teve um corte de 30% no orçamento, por exemplo. Entre as prioridades, está a Avenida Leitão da Silva, em Vitória, cujas obras estão em andamento; a primeira etapa será entregue em dezembro. A conclusão da segunda etapa está prevista para 2017. A via terá três faixas em cada sentido, calçadas e ciclovia. Os investimentos somam R$ 108,4 milhões.

Já as obras da Rodovia Leste-Oeste foram retomadas no final de 2015. Após ficarem paralisadas mais de um ano, por falta de recursos, a Setop conseguiu a liberação de R$ 124,5 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a conclusão dos trabalhos, prevista para setembro de 2017. O governo garante que novas linhas de ônibus vão integrar Viana e Cariacica a Vila Velha, desafogando o trânsito na BR262.

Por falta de recursos também, o projeto do BRT foi descartado pela Setop e não será implantado nesta gestão. Mas as demais obras atreladas ao BRT, como a modernização da Rodovia José Sette, em Cariacica, e o Portal do Príncipe, foram mantidas. O Portal do Príncipe, que começa no primeiro semestre de 2017, consiste em 3,5 km de novas vias e em um viaduto para entrada de caminhões no Porto de Vitória, que serão feitos para eliminar a retenção de tráfego na região. O investimento é de R$ 34,2 milhões. Quanto ao Aquaviário, que teve a licitação cancelada em 2015, a Setop informou que atualmente não há como viabilizá-lo e que só estão sendo assumidos compromissos que possam ser cumpridos. Já o Contorno do Mestre Álvaro, um investimento de R$ 290 milhões, está em fase de desapropriação de imóveis para dar início às obras. Serão 18,9 km de extensão, e a previsão de conclusão é no primeiro semestre de 2019.

Diante de um cenário de crise econômica nacional, com cortes em várias escalas de investimentos, a construção pesada – que é responsável por obras de infraestrutura como rodovias, pontes, drenagem e pavimentação, entre outras, – já mostra seu enfraquecimento. Segundo o presidente do Sindicopes (Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Espírito Santo), José Carlos Chamon, houve uma redução de 70% nas vagas de emprego entre 2014 e julho/2016. “O setor só conseguiu realizar algumas poucas obras do DER, que já tinham recursos de financiamento, mesmo assim com muitos problemas burocráticos para efetivação de aditivos”, diz. Para 2017, as expectativas também não são das melhores. “Além do Portal do Príncipe, esperamos efetivamente apenas algumas obras para melhoria da mobilidade urbana anunciadas pelo Governo do Estado”, comenta.

Mudanças na região Metropolitana
Em Vitória, a Secretaria Municipal de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana (Setran) promoveu diversas ações para melhorar a mobilidade da região, como a inauguração do projeto Bike Vitória, que aluga bicicletas, e que conta atualmente com 20 estações – com 10 bicicletas cada, disponíveis para a população; a conclusão de 1,8 km de ciclofaixa ligando a praça de Goiabeiras até a Praia de Camburi, e de outro trecho, de 1,5 km, ligando a praça de Fradinhos à Avenida Beira-Mar; a instalação de parquímetros na Enseada do Suá e no Parque Moscoso e a possibilidade de o usuário pagar os estacionamentos via celular, através do aplicativo PicPay, que enviará alertas para o motorista quando faltarem cinco minutos para o tempo acabar, facilitando a vida do usuário.

Após alguns imbróglios, Vitória, enfim, recebeu o Uber, conhecido por oferecer um transporte melhor por um preço mais acessível que o dos táxis convencionais. A taxa de chamada via aplicativo será de R$ 2 e o valor mínimo de cada corrida será de R$ 6, mesmo que a distância percorrida e o tempo gasto para concluí-la não atinjam esse valor. Na tentativa de reagir à atuação do Uber em Vitória, taxistas capixabas criaram o aplicativo Táxi ES (Táxi Legal do ES). Em fase final de testes, o aplicativo deve entrar no mercado da Região Metropolitana até o final do ano. Depois que o projeto for apresentado às prefeituras e aos profissionais, será realizado um trabalho de divulgação.

Em Vila Velha, ocorreram algumas mudanças no trânsito em 2016. O Departamento de Trânsito do município criou mais sistemas binários para organizar e melhorar o fluxo do tráfego. O binário transforma ruas paralelas em mão única – uma para cada sentido. Foram contempladas 12 ruas de Coqueiral de Itaparica. As intervenções servem para reorganizar a circulação viária e as condições de segurança para motoristas e pedestres que trafegam na região.

Outro avanço é que a prefeitura canela-verde iniciou este ano os estudos para elaborar seu Plano de Mobilidade Urbana. Será feita a contagem de veículos, ciclistas e pedestres por toda a cidade e, após identificação das áreas mais movimentadas, realizadas pesquisas domiciliares para identificar como as pessoas transitam pelo município, quais meios de transporte utilizam e quais são as suas principais dificuldades nessa área. A expectativa é apresentar o plano em julho de 2017. A pesquisa vai servir como instrumento para a revisão do novo Plano Diretor Municipal (PDM), que deve ser alterado em 2017.

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