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A mentira dos economistas e a velhinha de Taubaté

Não é pelo fato da maioria dos economistas enxergarem tragédias pela frente, que isso será a realidade. O que esses economistas não conseguem enxergar?

Por José Ernesto Conti

Essa semana estava ouvindo uma entrevista com um desses “grandes economistas” de um grande grupo financeiro brasileiro, quando lhe foi perguntado qual a previsão que faria para a inflação de 2023. Ele não titubeou e afirmou que o ano que vem vai ser muito difícil se o governo realmente der o auxílio emergencial de R$ 600, ou seja, segundo ele, isso causará um débito entre R$ 60 a 80 bilhões e que o governo não terá recursos para bancá-lo. Resumo: esse débito causará uma alta na inflação e um desbalanço nas contas públicas. Em outras palavras, 2023, será um ano de tragédia financeira no Brasil.

Seria isso verdade? Não!

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Não é pelo fato da maioria dos economistas enxergarem tragédias pela frente, que isso será a realidade. O que esses economistas não conseguem enxergar? Pelo menos 4 grandes motivos:

  • Só o lucro estimado do Governo com a Petrobras em 2022, que não está no orçamento e que será pago em 2023, é de R$ 70 bilhões. Considerando as demais estatais, bem administradas, entregarão ao governo algo em torno de R$ 125 bilhões em 2023 e que não está no orçamento.
  • Considerando que o país, a semelhança da maioria das nações, passou os dois últimos anos com muita recessão, logo a base está muito baixa. Com o término da pandemia, permitirá normalmente que a economia volte a crescer. Crescendo, aumenta a arrecadação. Basta crescer 2%, que a arrecadação de impostos cresça em torno de R$ 80 – 100 bilhões/ano.
  • As reduções de impostos e encargos em 2021 e 2022, devem redundar em gastos em 2023 por parte das empresas e isso deverá gerar mais impostos para o governo.
  • Talvez a mais importante: Os economistas informam que para cada 1% de redução dos juros da dívida pública, significa uma economia de 58 bilhões. Hoje estamos com a taxa SELIC em 13,75%. Há uma projeção de queda para 2023 para algo em torno de 8,0%, ou seja, uma economia de R$ 300 bilhões/ano. Nossa SELIC já chegou a 1,9% de ago/20 a jan/21.

É verdade que uma boa administração, como aquela que tem ocorrido no Brasil, que reduziu em 2022 em quase 1% a dívida pública, permitirá que haja um aumento de mais de R$ 500 bilhões na arrecadação do tesouro nacional em 2023.

Agora me diga com sinceridade: Será que o aumento de R$ 80 bilhões nas despesas para o ano que vem, terá o poder de destruir as finanças do Brasil em 2023? Só os economistas brasileiros e a Velhinha de Taubaté* acreditam nisso.

José Ernesto Conti é pastor da Igreja Congregação Presbiteriana Água Viva e engenheiro mecânico.

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*A Velhinha de Taubaté é um personagem das crônicas do Luiz F. Veríssimo.

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