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domingo, 24 outubro, 2021

A difícil união das oposições

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É fato que o Brasil se divide, hoje, entre os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os opositores

Por André Pereira César

Esse último grupo, porém, não é um monólito, um bloco único. Pelo contrário, há forte divisão entre os setores que divergem do titular do Planalto e de suas políticas. O fracasso das manifestações de 12 de setembro último atesta essa realidade.

Nesse sentido, chama a atenção a mobilização de diversos partidos no sentido de estabelecer uma agenda unificada contra Bolsonaro. As peças começaram a se mexer.

Parlamentares e presidentes dos partidos que integram a bancada da Minoria na Câmara – PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB e REDE – se reuniram com dirigentes do PV, Cidadadania e Solidariedade. As siglas decidiram formar um comitê pró-impeachment e articularão a adesão de membros de outras siglas de centro e centro-direita, como PSD, PSDB, MDB e DEM, além de movimentos sociais e artistas. Algo mais amplo do que se viu até agora.

O grupo decidiu pela convocação conjunta do grande ato “Fora Bolsonaro”, previsto para o dia 2 de outubro. A expectativa é contar com a adesão de governadores e prefeitos, em defesa da Constituição, da vida e do meio ambiente e o combate à fome, inflação e desemprego. Uma pauta que contrasta fortemente com a do presidente da República.

Lideranças avaliam que a unidade remete ao espírito do movimento Diretas Já, no final do regime militar. No momento tal comparação ainda não procede, dado que há ainda muitas arestas a serem aparadas. E muitas dúvidas pairam no ar.

Por exemplo, haverá um grupo específico no comando do movimento? O ex-presidente Lula (PT) aparece hoje como o franco favorito na disputa sucessória e, desse modo, ele e seu partido podem considerar natural ficar à frente do processo. Por outro lado, os defensores da chamada “terceira via” certamente trabalharão para evitar a hegemonia petista nas manifestações. Ruídos internos são esperados.

Por fim, como colocar lado a lado militantes do PCdoB com partidários de João Dória (PSDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM)? Em um primeiro momento pode até funcionar, mas a médio e longo prazos as (muitas) diferenças programáticas e ideológicas inevitavelmente virão à tona.

Obstáculos à parte, a união das oposições representa o único caminho para se enfrentar o titular do Planalto e seus apoiadores. Caso bem sucedida, a manifestação de 2 de outubro pode significar o começo de um novo jogo na política brasileira. Os dados estão rolando. “A difícil união das oposições”

É fato que o Brasil se divide, hoje, entre os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os opositores. Esse último grupo, porém, não é um monólito, um bloco único. Pelo contrário, há forte divisão entre os setores que divergem do titular do Planalto e de suas políticas. O fracasso das manifestações de 12 de setembro último atesta essa realidade.

Nesse sentido, chama a atenção a mobilização de diversos partidos no sentido de estabelecer uma agenda unificada contra Bolsonaro. As peças começaram a se mexer.

Parlamentares e presidentes dos partidos que integram a bancada da Minoria na Câmara – PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB e REDE – se reuniram com dirigentes do PV, Cidadadania e Solidariedade. As siglas decidiram formar um comitê pró-impeachment e articularão a adesão de membros de outras siglas de centro e centro-direita, como PSD, PSDB, MDB e DEM, além de movimentos sociais e artistas. Algo mais amplo do que se viu até agora.

O grupo decidiu pela convocação conjunta do grande ato “Fora Bolsonaro”, previsto para o dia 2 de outubro. A expectativa é contar com a adesão de governadores e prefeitos, em defesa da Constituição, da vida e do meio ambiente e o combate à fome, inflação e desemprego. Uma pauta que contrasta fortemente com a do presidente da República.

Lideranças avaliam que a unidade remete ao espírito do movimento Diretas Já, no final do regime militar. No momento tal comparação ainda não procede, dado que há ainda muitas arestas a serem aparadas. E muitas dúvidas pairam no ar.

Por exemplo, haverá um grupo específico no comando do movimento? O ex-presidente Lula (PT) aparece hoje como o franco favorito na disputa sucessória e, desse modo, ele e seu partido podem considerar natural ficar à frente do processo. Por outro lado, os defensores da chamada “terceira via” certamente trabalharão para evitar a hegemonia petista nas manifestações. Ruídos internos são esperados.

Por fim, como colocar lado a lado militantes do PCdoB com partidários de João Dória (PSDB) e Luiz Henrique Mandetta (DEM)? Em um primeiro momento pode até funcionar, mas a médio e longo prazos as (muitas) diferenças programáticas e ideológicas inevitavelmente virão à tona.

Obstáculos à parte, a união das oposições representa o único caminho para se enfrentar o titular do Planalto e seus apoiadores. Caso bem sucedida, a manifestação de 2 de outubro pode significar o começo de um novo jogo na política brasileira. Os dados estão rolando.

André Pereira César é Cientista Político e sócio da Hold Assessoria Legislativa.

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