O Asilo dos Idosos de Vitória se consolida como um farol de resiliência e compaixão, provando que o tempo é apenas um testemunho da sua força

Por Robson Melo
Recente estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que a expectativa de vida no Brasil aumentou para 76,4 anos, em 2023. Uma evolução que se mostra cada vez mais significativa. Em 1940, era de 45,5 anos; em 1999, era de 66,9 anos; e em 2019, chegou a 76,2 anos. Por conta da pandemia da Covid, reduziu para 72,8 anos, em 2021, mas a performance voltou ao patamar acima de 76 anos, em 2023. No Espírito Santo, a expectativa é de 79,1 anos.
Enquanto isso, um trabalho do Instituto DE Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) – “Dinâmicas do Terceiro Setor no Brasil: trajetórias de criação e fechamento de organizações da sociedade civil de 1901 a 2020” – revelou que o tempo de vida médio das Organizações da Sociedade Civil (OSCs), no Brasil, é de 17,6 anos. Não custa repetir que tais organizações desempenham papéis fundamentais de interesse público para assistir, promover, transformar vidas pela educação ou pela assistência social na saúde, cultura, direitos humanos e meio ambiente.
Portanto, uma organização social que registra 85 anos de existência é para poucos, muito poucos mesmos, seja para o cidadão ou cidadã, seja para as instituições especializadas no cuidado e defesa da dignidade humana.
No Espírito Santo temos, orgulhosamente, uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI) de 85 anos. Trata-se do Asilo dos Idosos de Vitória, fundado devido ao “impulso de compaixão transfigurado em ato” que conforme diz o estatuto da instituição “assegurava-se, pois, a sustentação à dignidade das pessoas idosas que ali residissem, sem importar gênero, raça ou crença religiosa”.
Ele foi constituído para honrar o legado de “levar aos que sofrem no ocaso da vida, sem consolo de um lar, sem esperança que anima, o pão, o agasalho e o conforto moral de um carinho” (Ata de Fundação, 3 de junho de 1940). Missão proposta à sociedade capixaba, capitaneada pelas gestões do Asilo.
Legado fundado e iniciado pela sua primeira Diretoria (Alzira Bley – idealizadora e presidente de Honra; Alda Santos Neves – presidente; Maria Ignês Bonfim Velloso – vice-presidente; Juracy Mattos de Araújo – 1ª secretária; Maria Picossi – 2ª secretária; Lélia Saletto Guimarães – 1ª tesoureira e Firminiana Loureiro Santos Neves – 2ª tesoureira).
Uma instituição que se tornou orgulho capixaba, exemplo de determinação, modelo de parceria público-privada, que segue mobilizando a sociedade pela causa da pessoa idosa, desde antes da política pública específica, o Estatuto da Pessoa Idosa, que é de 1º de outubro de 2003, e se destina a “regular e garantir legalmente o direito à vida, à cidadania, ao respeito, à liberdade e à dignidade para as pessoas com 60 anos ou mais”.
Enfim, celebrar os 85 anos do Asilo dos Idosos de Vitória é motivo de muita alegria, especialmente porque entidades como essa asseguram aos idosos sem condições financeiras adequadas o direito à vida, ao alimento, à habitação, à saúde, à educação, à cultura, à espiritualidade, ao esporte e ao lazer, ao trabalho e à previdência.
Assim, enquanto a vida e as instituições buscam a longevidade, o Asilo dos Idosos de Vitória se consolida como um farol de resiliência e compaixão, provando que, para um propósito nobre, o tempo é apenas um testemunho da sua força.
Robson Melo é presidente da Fundaes, a Federação do Terceiro Setor Capixaba
*Artigo publicado orginalmente na revista ES Brasil nº 227, de junho de 2025. Leia a edição completa do Anuário Verde aqui.

