Pesquisa faz parte do Panorama da Infraestrutura que traz informações sobre transportes, energia e saneamento na Região Sudeste
Por Kikina Sessa
O estudo “Panorama da Infraestrutura – Região Sudeste”, lançado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que 36% dos empresários industriais consideram as condições de infraestrutura da região como regular, ruim ou péssima. O levantamento da CNI reúne informações sobre as áreas de transporte, energia, saneamento básico e telecomunicações, bem como as propostas para melhorias da infraestrutura nos quatro estados da região, incluindo o Espírito Santo.
De acordo com o estudo, 40% dos empresários do Sudeste apontam a infraestrutura rodoviária da região como regular, ruim ou péssima contra a média nacional de 54%. Os dados indicam que para o Sudeste superar as restrições logísticas é fundamental que sejam priorizadas obras de manutenção, adequação e expansão de corredores logísticos estratégicos, como a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), a BR-381, a BR-116, a BR-101, a BR-262 e a Terceira Via de Ligação entre a baixada santista e a capital paulista.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressalta que o relatório busca contribuir para a melhoria da infraestrutura na região, fator fundamental para o fortalecimento da indústria e da economia.
“O setor produtivo brasileiro sente o elevado déficit de infraestrutura e os efeitos da deterioração das condições nessa importante área da economia. Estradas sem conservação, energia cara e restrições para o acesso aos principais portos repercutem diretamente na competitividade da indústria nacional e na atração de investimentos para o país”, afirma Alban.
O Sudeste é responsável por 52% do PIB industrial brasileiro. Isso reflete em grandes desafios para modernização dos acessos portuários, exploração de petróleo no pré-sal e aproveitamento de fontes renováveis como as hidrelétricas.
“Os maiores problemas de infraestrutura no Sudeste estão associados ao transporte rodoviário e às condições de acesso marítimo aos principais portos. A precariedade das rodovias públicas e o comprometimento da capacidade no Porto de Santos preocupam o setor industrial”, destaca o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz.
O diretor alerta que a construção de uma agenda de investimentos na infraestrutura é um trabalho complexo, considerando um país de dimensões continentais como o Brasil. “Cada região tem suas particularidades e, portanto, diferentes estratégias devem ser adotadas para atender às necessidades locais, promovendo a eficiência e sustentabilidade dos projetos”, acrescenta Muniz.
Segundo o panorama, além de investir pouco, parte do dinheiro aplicado em infraestrutura acaba desperdiçada em obras paralisadas, que consomem recursos e não trazem benefícios para a economia ou para a população. Levantamento recente, realizado pelo Tribunal de Contas da União, aponta que o Brasil tem 11.944 obras paralisadas financiadas com recursos públicos federais, o equivalente a 52% do total de obras.
Avaliação dos empresários industriais da Região Sudeste
Infraestrutura: 36% dos empresários industriais consideram as condições de infraestrutura como regular, ruim ou péssima. No Brasil, esse patamar é de 45%.
Rodovias: no Brasil, 54% dos empresários industriais apontam a infraestrutura rodoviária como regular, ruim ou péssima. Na Região Sudeste, a situação relatada é melhor (40%).
Ferrovias: cerca de 53% dos empresários industriais consideram a infraestrutura ferroviária como regular, ruim ou péssima. No Brasil, essa participação equivale a 52%.
Aeroportos: na Região Sudeste, 25% dos empresários industriais dizem que a infraestrutura aeroportuária é regular, ruim ou péssima. Já no Brasil, esse percentual atinge 31% dos entrevistados.
Portos: 35% dos empresários industriais afirmam que a infraestrutura portuária é regular, ruim ou péssima. Já no Brasil, equivale a 34%.
Energia: 34% dos empresários industriais afirmam que a infraestrutura de energia é regular, ruim ou péssima. No Brasil, a situação é a mesma (34%).
Saneamento: 45% dos empresários industriais afirmam que a infraestrutura de saneamento é regular, ruim ou péssima. Já no Brasil, equivale a 50%.
Telecomunicações: 35% dos empresários industriais afirmam que a infraestrutura de telecomunicações é regular, ruim ou péssima. Já no Brasil, o percentual equivale a 38%.

