Programa piloto incentiva retirada de resíduos durante a pesca, reconhecendo pescadores como agentes da preservação ambiental
Por Amanda Amaral
Redução de atropelamento de animais nas rodovias, monitoramento de pontos críticos visando a evitar a colisão entre baleias e navios e Pagamento Por Serviços Ambientais (PSA) para pescadores. Estes são alguns dos projetos aprovados pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fundema). Juntos, possuem valor total de aproximadamente R$ 3 milhões.
O projeto “Enfrentamento ao lixo no mar no Espírito Santo” está entre os aprovados. Tem como uma das metas a implementação de um programa piloto de PSA por meio da retirada de resíduos durante a atividade pesqueira, reconhecendo o papel destes trabalhadores como agentes de preservação ambiental.
Com isso, a iniciativa espera gerar avanços sociais para uma população tradicionalmente vulnerável. Tem como propósito unir ciência, gestão pública e engajamento social. Por meio dele, o Espírito Santo se integra a Rede Oceano Limpo (ROL), incluindo um capítulo específico no Plano Estadual de Resíduos Sólidos. A proposta é coordenada pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano (USP) em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
O ROL é um projeto da Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e a Embaixada da Noruega. Atualmente, fazem parte formalmente da Rede os estados do Amapá, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
A Rede Oceano Limpo atua com ação integrada e estratégica no combate ao lixo no mar, desde 2022, tem envolvido diversos estados brasileiros para internalizar a agenda de combate à poluição marinha por resíduos sólidos em políticas públicas.
Outro aprovado foi o projeto “Reluz na Estrada 2026”. A iniciativa é voltada à educação ambiental para preservação da fauna silvestre e redução do atropelamento de animais em rodovias capixabas. O projeto prevê campanhas educativas, mobilizações em escolas e rodovias, além de ampla divulgação em redes sociais. A expectativa é alcançar ao menos três mil pessoas, incentivando motoristas a adotarem atitudes responsáveis ao volante.

Já “Seleção e uso de área de baleias-jubarte no Espírito Santo” vai utilizar o monitoramento por satélite para identificar áreas críticas de risco de colisão entre navios e baleias. O objetivo é propor rotas alternativas, baseadas em dados técnicos, cujos resultados se somarão aos monitoramentos atuais realizados na região, principalmente por avistamentos. A ação será focada na Grande Vitória e na plataforma continental centro-sul do Estado, com possibilidade de expansão conforme o deslocamento sazonal das baleias.
Para o secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e presidente do Fundema, Felipe Rigoni, os projetos aprovados representam um avanço importante. “Estamos investindo em iniciativas que unem ciência, educação e participação social, com impacto direto na biodiversidade, na conservação marinha e na qualidade de vida da população capixaba”, destacou.

