Crédito e desenvolvimento rural no Espírito Santo

Estado possui representa apenas 0,5% da área geográfica do país, mas se destaca na produção de culturas como café, mamão, pimenta do reino e celulose

O crédito é o principal instrumento de política de desenvolvimento. No espaço rural, tem papel relevante na modernização tecnológica das atividades agroindustriais, o que determina a competitividade do setor em mercados cada vez mais globalizados.

No Espírito Santo, o agronegócio, um conceito que envolve todos os elos das cadeias produtivas, é responsável por cerca de 30% do PIB total, enquanto no País esse indicador não passa de 23%. Além disso, é estratégico para geração de emprego e renda para mais de 80% dos municípios capixabas.

Em apenas 0,5% da área geográfica do país, o Estado é líder na produção de café Conilon e segundo dos cafés como um todo, maior exportador e segundo produtor de mamão, segundo produtor e exportador de pimenta do reino, maior exportador de pimenta rosa e gengibre, terceiro produtor de ovos e quarto de cacau e seringueira, dentre outros. Na agroindústria, somos expoentes em celulose, sucos de frutas, movelaria, café torrado e solúvel, chocolates e produtos lácteos.

Essa excelência capixaba na agropecuária e negócios associados se deve a fatores como: geração e aplicação de conhecimentos e tecnologias, capacidade empreendedora dos agricultores e agroindustriais, planejamento integrado e participativo entre os setores público e privado. Contudo, foi o crédito rural que dinamizou, modernizou e diversificou nossa base de produção e agroindustrialização, numa verdadeira revolução tecnológica, com poucos exemplos análogos no país ou no exterior.

O crédito rural realizado no Espírito Santo evoluiu de R$ 1,38 bilhão no ano-safra 2010/11 para R$ 2,5 bilhões no último ano safra, que findou em junho deste ano. E para o ano safra atual que vai até junho de 2015, o Governo do Estado, em parceria com as instituições financeiras e as representações dos produtores e pescadores, lançou o Plano de Crédito Rural 2014/2015, com recursos recordes de R$ 2,7 bilhões. Em apenas quatro anos, duplicaremos a aplicação do crédito rural.

Essa alta perfórmance do crédito impactou o Valor Bruto da Produção da Agropecuária (VBPA) no Estado, que saltou de R$ 4,37 bilhões, em 2009, para R$ 7,5 bilhões, no ano passado.  O VBPA é uma espécie de receita bruta que fica nas propriedades rurais e, portanto, tem uma relação direta com a ampliação da renda no campo.

Mas, há muitos gargalos a superar. Temos proporcionalmente a maior área irrigada do país e precisamos utilizar equipamentos que sejam mais eficientes no consumo de água e energia. Corrigir desníveis tecnológicos regionais de produtividade, tecnificar a pecuária, ampliar investimentos na pesca e na agricultura familiar, diversificar a partir da fruticultura e avançar em processos sustentáveis de produção, são alguns dos principais desafios a vencer, tendo o crédito como principal aliado.

Ações planejadas, integração entre os atores do setor e disponibilidade de crédito suficiente, com taxas de juros e prazos adequados às explorações agropecuárias e pesqueiras, vão acelerar o processo de desenvolvimento rural, com reflexo direto na melhoria da qualidade de vida das pessoas, em especial das famílias do campo, que estão na base de todas as cadeias produtivas do agronegócio do Espírito Santo.

Enio Bergoli, é secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca

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