A Copa do Mundo e seus impactos no comércio

Setor de bares e restaurantes acredita num aumento de 15% no movimento, mas o comércio fala em prejuízo de R$ 25 milhões em cada dia de jogo do Brasil

Ninguém tem dúvida de que o futebol é uma paixão nacional. E, naturalmente, não existe outro evento esportivo ou fim de novela das nove que se compare ao efeito que uma Copa do Mundo causa nos brasileiros. Essa movimentação anima o setor de bares e restaurantes, que espera um movimento 15% maior nos dias de jogos da Seleção, segundo o Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares).

Porém, causa preocupação no comércio em geral, que estima prejuízo de R$ 25 milhões em cada dia de jogo do Brasil, avalia a Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES). A Copa do Mundo da Rússia, que acontece de 14 de junho a 15 de julho, deve beneficiar mais os bares que já possuem a transmissão esportiva como um dos seus carros-chefes. “O brasileiro é apaixonado por futebol, sobretudo quando envolve a Seleção Brasileira.

 

Mesmo a Copa acontecendo em países distantes, como agora, e as partidas sendo transmitidas dentro do nosso horário comercial, acreditamos que o público que gosta de futebol continuará a acompanhar os jogos”, prevê o presidente do Sindbares, Rodrigo Vervloet. No setor de serviços, o segmento de bares e restaurantes está entre os que mais devem responder positivamente. “Datas comemorativas e feriados, bem como períodos importantes para o futebol e para outros esportes, geram um movimento extra que ajuda a equilibrar os investimentos feitos pelas empresas, ao longo do ano, sempre no objetivo de oferecer bons produtos e serviços de qualidade aos clientes de bares e restaurantes”, reforça Vervloet.

Fonte: Febraban e CBF

Independentemente do interesse pelo esporte, é impossível ser brasileiro e passar incólume ao principal evento esportivo do mundo. A química Andressa Pagotto não vê a hora de torcer pelo Brasil na Copa do Mundo.

E, nessa torcida, ela pretende contar com um reforço muito especial, sua cadela Belinha, da raça buldogue francês. “Uma das primeiras coisas que fiz foi entrar na internet e procurar uma camisa do Brasil para ela. Com o número 10, é claro. Na hora dos jogos, estarei com ela e com meus amigos em algum bar pet friendly para acompanhar a nossa Seleção”, conta.

“Efeito Copa” na economia

O chamado “efeito Copa” já começa a ser percebido na economia brasileira. De um lado, estão aquelas empresas que se preparam para atender a um maior volume de vendas, com a comercialização de artigos específicos e comemorativos. Os álbuns de figurinha, por exemplo, estão à venda e movimentam diversos colecionadores e virou até programa de casal. “Nunca fui de montar álbuns, mas meu namorado me incentivou e decidimos fazer isso juntos. Ele já conseguiu completar sua coleção, e eu aproveito suas figurinhas repetidas para preencher o meu próprio álbum. Quando a Copa começar, espero já ter completado”, relata a jornalista Katilaine Chagas.

A química Andressa Pagotto comprou uma camisa do Brasil, com número 10, para sua cadela Belinha

Tradicionalmente, o setor mais beneficiado com a Copa do Mundo é o de televisores, revela o vice-presidente da Fecomércio-ES, Idalberto Moro. “As vendas crescem muito neste período, e as indústrias fazem campanhas com esse propósito, já que a troca de equipamentos costuma ser frequente”, destaca.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no começo de abril, no primeiro bimestre de 2018 houve incremento de 45,2% na chamada linha marrom de eletrodomésticos (televisores, blu-ray, DVDs, home theaters e aparelhos de som) em comparação com o mesmo período de 2017. O resultado é o dobro do alcançado no primeiro semestre do ano passado, quando subiu 24%.

Essa tendência se repete em todo começo de ano em que acontecem as competições. No primeiro bimestre de 2014, por exemplo, na Copa do Mundo do Brasil, a alta foi de 56,4%. Já na competição anterior, de 2010, ocorrida na África do Sul, a expansão foi de 36,8%. Com o resultado positivo, houve melhora na produção de bens de consumo duráveis, e a produção industrial subiu 0,2% em fevereiro. Nos dois primeiros meses de 2018, a indústria cresceu 4,3%, maior alta desde 2011, quando subiu 4,7%. No acumulado de 12 meses terminados em fevereiro, a produção industrial teve avanço de 3%, melhor desempenho desde junho de 2011, quando a elevação foi de 3,6%.

Além das vendas de televisores, artigos de vestuário e acessórios com motivos da Copa, os supermercados também costumam ser impactados. De modo geral, a Fecomércio-ES considera que os impactos positivos da Copa do Mundo serão pontuais. As agências de viagens também poderão sentir a diferença, no entanto, por conta de a Copa ser em um país muito distante e com um alto custo para a viagem, a expectativa em 2018 está mais baixa.

“Acredito que o próprio cenário econômico e também o resultado ruim na Copa de 2014 possam estar influenciando os torcedores e fazendo com que as pessoas coloquem o pé no freio” – Fabiano Paulino Alves, proprietário da Speed Uniformes

“Quando você vai para o campo das comemorações, há um consumo maior, eventos em casa, com as pessoas adquirindo alimentos e bebidas. É como uma onda, em que todo mundo está junto. O comércio tem que aproveitar essa oportunidade para fazer eventos e promoções”, pondera Idalberto Moro.

A Politintas, por exemplo, lançou a promoção “Ao Vivo e a Cores Politintas”, em todas as lojas que compõem a sua rede. Na iniciativa, que começou em 2 de abril e vai até 6 de junho, serão sorteados o total de nove televisores LED de 55 polegadas da marca Philco para os clientes que adquirirem determinado valor em compras e responderem à pergunta da promoção.

Impactos Negativos

A Fecomércio-ES avalia que o impacto no comércio em geral não é tão significativo e estima prejuízos no setor em torno de R$ 25 milhões em cada dia de jogo do Brasil. Ou seja, se a Seleção chegar até disputar a final, no dia 15 de julho, os prejuízos podem chegar a R$ 175 milhões.

“É como uma onda, em que todo mundo está junto. O comércio tem que aproveitar essa oportunidade para fazer eventos e promoções” Idalberto Moro, vice-presidente da Fecomércio-ES

A justificativa é que no período do Mundial os olhares dos brasileiros se voltam para o que acontece dentro das quatro linhas. E isso se desdobra de várias formas: lojas fecham mais cedo nos dias das partidas ou ficam um certo período sem funcionar, liberando a equipe, e a movimentação de pessoas no comércio de rua e shoppings registram queda. Há quem diga que os dias de jogos do Brasil podem ser considerados como “feriados” por conta desses desdobramentos, e as vendas nessas ocasiões podem se reduzir a apenas um terço de um dia normal.

A Speed Uniformes, que trabalha com estamparia e fica localizada em Vitória, está se preparando para atender às demandas relacionadas à Copa do Mundo. Para isso, já conta em seu estoque com camisas com as cores da Seleção. “Sempre fica aquela expectativa de recebermos encomendas por causa da competição, mas percebo que neste ano o fluxo está pior do que em eventos anteriores. Na última Copa, passamos praticamente três meses atendendo a esse tipo de demanda.

Em 2018, ainda não percebemos este aumento. Acredito que o próprio cenário econômico e também o resultado ruim na Copa de 2014 possam estar influenciando os torcedores e fazendo com que as pessoas coloquem o pé no freio”, conclui o proprietário da empresa, Fabiano Paulino Alves.


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