Com polos em Pancas e Domingos Martins, entenda as regras do voo de balão no ES e como as empresas garantem a segurança dos passageiros
Por Jessica Coutinho
Nos últimos meses, dois acidentes com balões chocaram o Brasil. A repercussão imediata desses casos levantou um questionamento inevitável: afinal, voar de balão é seguro? A resposta depende de uma variável essencial: a regularidade da operação.
No Espírito Santo, onde o balonismo vem ganhando força nos roteiros de turismo de experiência, empresas que atuam no setor afirmam seguir rigorosamente os protocolos exigidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e destacam que os acidentes recentes ocorreram em voos conduzidos por profissionais não habilitados.
“Quando o balonismo é feito dentro da legalidade, com piloto licenciado, aeronave registrada e avaliação climática precisa, ele é extremamente seguro”, afirma André Leibel, sócio da empresa Voe Pedra Azul, que opera voos turísticos na região serrana do Estado. Segundo ele, o crescimento do setor exige ainda mais atenção com os processos. “A procura aumentou muito, principalmente após a pandemia, e com ela cresceu também nossa responsabilidade.”
O Espírito Santo conta hoje com dois polos ativos de balonismo: um em Pedra Azul, em Domingos Martins, e outro em Pancas, no Noroeste. Os voos ocorrem em áreas abertas, no início da manhã, quando as condições climáticas costumam ser mais favoráveis. E o tempo bom é mais do que desejável é obrigatório. “Não voamos com vento forte, neblina ou risco de chuva. Só decolamos após cruzar dados de sistemas especializados em meteorologia para aviação, como os do DECEA, e também aplicativos profissionais”, explica Leibel.
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As exigências da ANAC para esse tipo de operação incluem a habilitação do piloto na categoria PBL (Piloto de Balão Livre), registro da aeronave e seguro para cada passageiro. Além disso, o balão deve passar por manutenções preventivas periódicas, e uma inspeção completa é feita antes de cada voo. “Tudo é checado: o envelope, os maçaricos, os cilindros de gás, os cestos. A segurança começa no solo”, reforça.
Mesmo com todos esses cuidados, os recentes acidentes em outros estados causaram um efeito imediato nas empresas. “Houve um aumento claro nas perguntas sobre segurança. Alguns passageiros ficaram receosos, mas poucos chegaram a cancelar. O que vemos é que, quando mostramos como funciona o processo, as pessoas se sentem mais tranquilas”, relata Leibel.
A empresa também mantém planos de contingência em caso de emergência, com equipe de solo acompanhando o voo por rádio e GPS. Os pilotos, segundo ele, são treinados para realizar pousos de segurança em diferentes tipos de terreno. “Esse preparo é fundamental. Não dá para improvisar no ar”, diz.
Segundo dados da FAA (Federal Aviation Administration), dos Estados Unidos, o balonismo é uma das formas mais seguras de transporte aéreo. O motivo está justamente na operação condicionada ao clima: se não houver tempo bom, não há voo. Os dados de segurança compilados pela agência mostram que os índices de acidente com balões são muito inferiores aos registrados em outras modalidades, inclusive em comparação com a aviação leve.
No entanto, especialistas em segurança da aviação alertam que o crescimento da atividade precisa vir acompanhado de fiscalização. A regulamentação da ANAC existe, mas a aplicação efetiva das normas depende da estrutura de fiscalização, que nem sempre é suficiente para cobrir todas as regiões do país.
Por isso, a orientação é que o passageiro pesquise e escolha uma empresa que segue essas orientações. Antes de contratar o voo, é importante confirmar se o piloto é habilitado, se o balão está registrado e se há emissão de seguro individual para os ocupantes. Também vale desconfiar de preços muito abaixo da média de mercado.
“O balonismo não é uma atividade de risco quando feita com seriedade. Mas, como qualquer voo, exige responsabilidade técnica, planejamento e respeito aos limites do equipamento e do ambiente”, conclui Leibel.

