A nova autorização permite imigração direta de tripulações estrangeiras e muda a lógica da importação de aeronaves no Brasil
Maxieni Muniz
Vitória deu um passo decisivo para consolidar sua posição no mapa da aviação executiva internacional. A partir de agora, o Aeroporto de Vitória está autorizado a realizar diretamente os procedimentos de imigração de tripulações de jatos executivos vindos do exterior, mudança que altera a lógica operacional das importações de aeronaves no país.
A habilitação elimina a necessidade de escalas em outros estados e encurta o caminho entre a chegada ao Brasil e a nacionalização das aeronaves, segundo avaliação do CEO da Zurich Airport Brasil, Ricardo Gesse.
Na prática, a nova autorização encerra um entrave histórico. Mesmo quando o Espírito Santo era o destino final das aeronaves, as tripulações precisavam cumprir etapas migratórias em outros aeroportos brasileiros, o que gerava custos adicionais, consumo de tempo e ineficiências logísticas. Com a imigração concentrada em Vitória, o processo se torna mais direto, previsível e alinhado às exigências do mercado de aviação executiva.
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A mudança foi viabilizada por uma articulação entre diferentes órgãos federais e reguladores, envolvendo Receita Federal, Polícia Federal, Anvisa, Vigiagro e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O modelo integrado atende a uma demanda antiga do setor aeronáutico e do comércio exterior capixaba, que há anos buscava maior autonomia operacional no terminal.
Para Ricardo Gesse, o avanço amplia a competitividade do aeroporto e fortalece a estratégia da concessionária. “Essa conquista traz mais eficiência, competitividade e previsibilidade para importadores e operadores da aviação executiva. O Aeroporto de Vitória passa a oferecer uma solução completa e em sintonia com a missão da Zurich Airport Brasil de promover o desenvolvimento das regiões onde atua”, afirma.
O contexto favorece o Espírito Santo. O Estado responde hoje por cerca de 83% das importações brasileiras de aeronaves executivas, entre aviões e helicópteros. Apenas em 2025, 245 aeronaves foram nacionalizadas no terminal capixaba, número que reforça a centralidade logística de Vitória nesse mercado.
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Com a imigração local, os ganhos financeiros se tornam relevantes. Há redução de taxas aeroportuárias, como pouso, permanência e decolagem, além da diminuição do tempo de afretamento das aeronaves durante o processo de importação. Segundo Luiz Fernando Braga, diretor do Sindiex e coordenador do Comitê de Aeronaves, a medida elimina um gargalo que penalizava a operação. “Trata-se de um avanço estratégico para a competitividade do Espírito Santo, que passa a oferecer uma operação mais completa e ágil, fortalecendo a atratividade do Estado para bens de alto valor agregado”, diz.
Além do impacto imediato na aviação executiva, a nova estrutura cria bases institucionais para projetos futuros, incluindo operações internacionais de carga no médio e longo prazo. A Zurich Airport Brasil mantém a agenda de articulação com reguladores e setor produtivo para ampliar a conectividade e o papel estratégico do Aeroporto de Vitória no cenário nacional.

