Instrutor há mais de 30 anos, Ivan Costa fala sobre a paixão pelo mar, os desafios do mergulho no Espírito Santo e o potencial da biodiversidade marinha como ativo turístico
Trabalhar fazendo o que ama é um privilégio que poucos alcançam. Para o instrutor de mergulho Ivan Costa, fundador da operadora Acquasub, essa é a realidade há três décadas. Referência no turismo de mergulho no Espírito Santo, ele afirma que, apesar dos desafios, a atividade segue sendo uma escolha diária de vida.
“Tenho uma operadora de turismo, trabalho com mergulho há 30 anos e é algo que eu amo. Não é fácil, mas é muito legal. Para mim, todo dia é dia de aproveitar”, conta.
A relação com o mar começou cedo. Influenciado por filmes e séries dos anos 1970 e pela paixão do pai pelo oceano, Ivan teve seu primeiro contato com o mergulho ainda na infância. “Ganhei um pé de pato com seis anos e fui mergulhar. Meus pais não sabiam nadar, mas já me soltavam na água. Aprendi ali. Foi ali que nasceu essa paixão”, relembra.
A partir da pesca submarina, ele foi descobrindo o mergulho autônomo, com cilindro, até que a decisão profissional se tornou clara. “Quando chegou a fase de decidir o que fazer da vida, resolvi que iria trabalhar com mergulho.”
Desafios e oportunidades
Segundo Ivan, o mercado de mergulho no Espírito Santo ainda enfrenta obstáculos naturais e culturais. “O mergulho no Brasil não tem uma tradição tão grande. Nosso mar é riquíssimo em vida marinha, mas não temos muitos locais abrigados para mergulhar”, explica.
Para driblar as limitações climáticas e de temporada, a Acquasub diversificou sua atuação. “Hoje a gente organiza viagens e dá cursos em outros lugares durante a baixa temporada. No inverno, vamos para Bonito, no Mato Grosso do Sul, a Mina da Passagem, em Mariana, além de destinos como Galápagos, Abrolhos e Curaçao. Se o clima no Brasil não permite, a gente mergulha fora.”
O próximo destino do grupo é internacional. “Agora a gente vai para o Mar Vermelho, no Egito, mergulhar nos principais naufrágios da região, além de Cairo.”
Formação e segurança
Para quem deseja iniciar na atividade, Ivan reforça que a formação é fundamental. “O pré-requisito é a certificação, o curso básico, que permite mergulhar até 18 metros durante o dia. A maioria dos naufrágios fica entre 18 e 30 metros, por isso muita gente se interessa pelo curso avançado.”
Recentemente, a operadora levou um grupo numeroso para Abrolhos. “Tivemos 11 alunos no curso avançado de mergulho em Abrolhos”, destaca.
A escolha da operadora também é um ponto de atenção. “Sempre procure uma empresa credenciada e com referências. Como é uma atividade que envolve riscos, é preciso cuidado ao escolher o profissional.” A Acquasub trabalha com a PADI, maior certificadora de mergulho do mundo, oferecendo desde o mergulho de experiência até a formação de instrutores.
Guarapari: capital da biodiversidade marinha
Ivan também esteve diretamente envolvido em um marco importante para o turismo ambiental capixaba: o reconhecimento de Guarapari como capital da biodiversidade marinha, título reconhecido por lei federal.
“Em 2021, fizemos um projeto com suporte do Iema e do laboratório de ictiologia da Ufes de São Mateus. Foram 25 expedições para levantar a vida marinha do estado. O estudo virou um paper científico e isso impulsionou a criação da lei federal”, explica.
Segundo ele, Guarapari reúne condições únicas para o mergulho. “Tem naufrágios, pontos legais para mergulhadores de vários níveis de dificuldade. As Três Ilhas, por exemplo, são um ótimo local para iniciantes no verão. Mas ainda precisamos divulgar mais.”
Futuro do turismo de mergulho
O interesse pelo mergulho de experiência tem crescido no Espírito Santo, o que Ivan vê como um sinal positivo. “A procura aumentou bastante. A gente incentiva as pessoas a continuarem fazendo aula, viajarem com a gente e se aprofundarem na atividade.”
Para o futuro, ele acredita que o estado pode avançar ainda mais com políticas públicas voltadas à conservação e ao turismo sustentável. “Como temos aqui a capital da biodiversidade marinha, poderíamos criar parques de mergulho com proteção ambiental. Seriam áreas riquíssimas em vida marinha, ajudariam no controle da pesca no entorno e ainda trariam emprego e renda.”
O fundo do mar também pode ser caminho para o desenvolvimento do turismo capixaba -com responsabilidade, ciência e paixão pelo oceano.
Ouça abaixo o podcast na íntegra:


