Autossuficiência e impacto ambiental positivo em alta
A Igreja Cristã Maranata firmou-se como um dos maiores expoentes em sustentabilidade no Brasil, não apenas como a maior produtora de energia solar entre as instituições religiosas, mas por integrar práticas ecológicas em suas operações. Com um modelo de gestão que se tornou referência nacional, a ICM demonstra um compromisso com a economia, a inovação e o impacto ambiental positivo, especialmente no Espírito Santo.
Um exemplo é a iniciativa da ICM na implementação de usinas fotovoltaicas, que a coloca como uma instituição pioneira da sustentabilidade energética no Brasil.
A estratégia da Igreja Cristã Maranata, ao investir em larga escala em energia solar, produção orgânica e edificações sustentáveis, ressalta a utilização de diferentes benefícios da transição energética para o equilíbrio econômico e a proteção ambiental. Essa abordagem não só otimiza seus custos operacionais, mas serve como um modelo para que outras organizações observem que é possível alinhar sustentabilidade, eficiência e educação ambiental.
De acordo com o pastor Luiz Eugênio do Rosário Santos, secretário-geral da Igreja Cristã Maranata, o compromisso da instituição com a sustentabilidade vai além da estratégia, econômica ou ambiental. Para ele, o papel da ICM em fomentar uma consciência ambiental mais abrangente na sociedade transcende os limites de seus templos, além do objetivo de inspirar a todos a fazer o mesmo, possibilita a expansão da proclamação do Evangelho e o exercício prático do Cristianismo, para a glória de Deus.
“A expressiva economia financeira obtida com a autogeração de energia elétrica, a construção de templos sustentáveis e a preservação ambiental, têm sido benéficas para a Igreja Cristã Maranata (ICM). Essas iniciativas não só reduzem a emissão de carbono, mas também liberam recursos significativos para a Igreja. Com esses valores, a ICM pode investir em suas próprias operações e expandir o Evangelho e as ações sociais, incluindo o suporte a membros que enfrentam dificuldades, como as vítimas das enchentes no Brasil”, destaca o pastor Luiz Eugênio.
Pioneirismo energético
As usinas fotovoltaicas, estrategicamente instaladas em diversos templos e outros espaços da ICM, atendem atualmente cerca de 2.500 unidades consumidoras. Desde janeiro de 2020, a economia gerada em custos operacionais ultrapassa os R$ 6 milhões, enquanto a redução de CO2 é de mais de mil toneladas por mês. O sistema opera sob o modelo de geração distribuída, conforme a Lei nº 14.309, permitindo a compensação de créditos de energia por até 60 meses.
Como detalha o pastor Daniel Moreira, diretor-administrativo e coordenador do projeto, a potência instalada no Espírito Santo atinge 2,19 MWp, com uma geração anual aproximada de 2,8 MWh. Em nível nacional, o projeto conta com 60 usinas, totalizando 4,8 MWp e uma capacidade de geração anual de cerca de 6,3 MWh. “A ICM tem uma visão prospectiva de sustentabilidade, e todos são beneficiados com esse projeto”, afirma o pastor Daniel Moreira, destacando a liderança do pastor Gedelti Gueiros (in memoriam) na iniciativa.

Sustentabilidade com visão integral
Além do investimento em energia solar, a ICM estende seu compromisso ambiental à produção orgânica e à construção de seus templos. O Maanaim Sítio Esperança, localizado na Serra, Espírito Santo, sob a gestão técnica de Lucas Koehler, é um exemplo notável de sustentabilidade e educação ambiental. O local também funciona como um espaço de aprendizado, recebendo grupos de alunos de escolas estaduais e particulares.
“As crianças têm a oportunidade de um contato direto com a natureza, algo muitas vezes ausente em seu dia a dia”, explica Lucas, que supervisiona atividades como plantio em hortas, contato com animais e colheita de ovos. De acordo com o gestor, a prioridade do Sítio Esperança não é o lucro, mas a sustentabilidade da operação e a produção de alimentos orgânicos de alta qualidade. “Colocamos um produto de qualidade na mesa dos nossos irmãos. Alimento produzido de forma orgânica, sem agrotóxico, sem adubos químicos”, garante Lucas.
Na construção de seus templos, a ICM também adota princípios sustentáveis, conforme explica o pastor Antônio Carlos, responsável pela área. Ele destaca que o uso de pavimentação com placas de grama nos pátios, para absorção de calor e gestão de águas pluviais, além da utilização de tijolos maciços aparentes para eliminar o reboco e priorizar a ventilação natural, fazem a diferença.

Segundo Carlos, a economia de material e a redução de resíduos são prioridades na construção dos templos, juntamente com o uso de kits pré-fabricados em períodos de alta demanda. “A sustentabilidade é aplicada observando nos projetos: boa ventilação, boa iluminação, espaços dimensionados e adequados à congregação”, afirma.
A preocupação com a economia de recursos como água e o cuidado com o esgoto também estão presentes, dada a curta duração dos cultos e a recomendação de que os membros priorizem os banheiros de suas casas. “Nossos projetos estão bem definidos nas frentes de sustentabilidade, prevendo excelente ventilação, iluminação e economia no processo construtivo e em grande avanço no atendimento de energia solar”, conclui o pastor Antônio Carlos, ressaltando que há estudos para captação de águas de chuvas e aperfeiçoamento do uso de kits pré-fabricados.
Quando decidimos implantar um sistema de captação de energia para suprir nossas igrejas, pensamos além de contribuir na preservação e manutenção do meio ambiente, como já é algo que faz parte da nossa construção como igreja. Nós pensamos também nos nossos irmãos, porque eles são donos disto tudo aqui, com suas contribuições por fé. E um projeto gera economia, além de proporcionar mais conforto, dando como por exemplo a condição de climatizar os templos melhorando as condições para o tempo em que nossos irmãos passarem ali cultuando a Deus”, finalizou o presidente da Igreja Cristã Maranata, Gedelti Gueiros.
*Matéria publicada orginalmente na revista ES Brasil nº 227, de junho de 2025. Leia a edição completa do Anuário Verde aqui.

