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Planos climáticos podem reduzir riscos nas cidades do ES

Especialistas defendem planos climáticos municipais para mapear riscos e preparar cidades para novas chuvas intensas

Por Daniel Hirschmann

O avanço das mudanças climáticas tem exposto fragilidades estruturais das cidades brasileiras, especialmente onde o crescimento urbano ocorreu sem planejamento adequado e com ocupação de áreas de risco. Diante desse cenário, especialistas apontam que a criação de planos climáticos municipais é um passo estratégico para mapear vulnerabilidades, orientar o uso do solo e preparar os municípios para enfrentar eventos extremos cada vez mais frequentes.

No Espírito Santo, vários municípios estão em situação de risco quanto às mudanças climáticas. O chefe do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Diogo Costa Buarque, cita o caso de Mimoso do Sul, município mais atingido pelas enchentes no sul do estado, em março deste ano, mas lembra que há mais cidades que frequentemente têm problemas com inundação.
 
“São áreas em que a parte urbana é mais plana. Tudo que chega acaba se concentrando ali e o município começa a se estrangular. Existem locais em que são feitas construções em cima da própria calha do rio, praticamente tampando o rio, ou bem na beira do rio, ocupando sempre áreas de inundação”, observa o professor.
 
De acordo com ele, são áreas que, naturalmente, o rio vai ocupar quando inundar. “Mas, quando ele ocupa com a população ali, transforma isso no que a gente chama de desastre natural. São eventos naturais que acabam se transformando em desastre”, comenta.

Ações Capixabas

Segundo o diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, já há um trabalho integrado da Defesa Civil do Espírito Santo com as defesas civis municipais para garantir a gestão e a primeira resposta ao risco. Ele destaca, também, a iniciativa do Plano Estadual de Descarbonização e Neutralização de Gases de Efeito Estufa, que traça um diagnóstico da situação atual do estado, incluindo análises do inventário de emissões, vocações, potencialidades, limitações e características socioeconômicas.

O plano faz parte do Programa Capixaba de Mudanças Climáticas e foi lançado pelo governador Renato Casagrande durante a COP 28. “Essa é uma iniciativa muito importante porque possibilita reduzir a emissão de gases de efeito estufa, que potencializa os efeitos do aquecimento global”, diz Lira. O objetivo é reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 e neutralizar até 2050.

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Planos municipais

Planos climáticos podem reduzir riscos nas cidades do ES
“É muito importante o poder público municipal se mobilizar para elaborar esse plano de maneira democrática” – Pablo Lira, diretor-presidente do IJSN – Foto: Divulgação/IJNS

O presidente do IJSN acrescenta que é importante os municípios também desenvolverem estratégias e construírem os seus Planos Locais de Ação Climática (PLACs) para reduzir a emissão de gases poluentes. Nesses planos é possível fazer o mapeamento das áreas de risco e de risco crítico, além de uma análise das medidas de adaptação e mitigação aos eventos climáticos extremos.

O IJSN fez um levantamento recentemente e constatou que 15 das 27 capitais brasileiras não têm um plano local de ações climáticas, inclusive Porto Alegre e Vitória, a única capital da região Sudeste que não conta com esse plano.

“É muito importante o poder público municipal se mobilizar para elaborar esse plano de maneira democrática, ouvindo a população e com base em evidências científicas, a fim de traçar as estratégias para prevenir, mitigar e adaptar a realidade local de maneira mais resiliente aos eventos climáticos extremos”, diz Pablo Lira.

Essa matéria é uma republicação da Edição 222 da Revista ES Brasil — Anuário Verde: Água. Confira a revista digital completa clicando neste link.

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