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sábado, 19 junho, 2021

Especialista alerta para sinais de violência e abuso sexual infantil

Hoje, dia 18 de maio, é marcado como o Dia Nacional de Combate à Exploração e ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes.

Por Munik Vieira

A data é importante e chama a atenção para mobilização da sociedade em relação às denúncias de possíveis casos, além de orientar pais e responsáveis a tomar medidas que garantam a proteção das crianças e adolescentes.

A situação é alarmante no Espírito Santo. Isso porque, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), só neste ano já foram registradas 162 violências sexuais, sendo 135 casos de estupros contra vulneráveis. Desse total, aproximadamente 75% das fichas de notificação foram de meninas.

Para o pós-doutor em psicologia e diretor-geral do IFES de Vila Velha, Diemerson Saquetto, geralmente, os abusadores são pessoas de confiança. “É um problema gravíssimo que está muito presente no dia a dia da nossa sociedade. Os autores de violência, geralmente, são pessoas que têm acesso às crianças, pessoas próximas, familiares, amigos da família, ou mesmo aliciadores pelas redes sociais”, destaca.

“As consequências para as vítimas alimentam-se na perda da infância e na derrota de um tempo destinado a brincar”, destaca Diemerson Saquetto. Foto: Divulgação

O fato é que a dor e incompreensão são marcas profundas na vida de uma criança ou adolescente que passou por esse tipo de violência. “O enfrentamento ao abuso sexual infantil se dá na defesa, na proteção integral da infância, juntamente com as políticas públicas. É quando família e poderes públicos e sociais entendem a importância de se estar atentos aos pequenos gestos de um possível agressor, mas também não negligenciando as redes de proteção educacional, de socialização, de saúde, de trabalho, que darão à sociedade a racionalidade necessária para combater o abuso e proteger a infância”, afirma Diemerson.

O psicólogo ainda explica as consequências do abuso e da exploração. “À princípio, a experiência do abuso sexual infantil causa a perda da infância, e a criança precisa de atendimento psicossocial, escuta familiar, acolhimento. Precisa restabelecer a ordem de si mesma, desorientada e bagunçada pela agressão à que ela esteve condicionada enquanto vítima. Ela perde interesses, deprime, constrói traumas, e esses devem ser enfrentados com ajuda”.

Por fim, o especialista afirma que o acolhimento deve ser “respeitoso e reparativo, integral e afetivo, embalado pela necessidade de dar a essa criança vítima de abuso uma segunda oportunidade de viver a infância, ou seja, ser restaurada a possibilidade de viver em paz sem medo de uma agressão”, completa Diemerson.

Sobre o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Há exatos 48 anos, a pequena Araceli Crespo desapareceu em Vitória, no Espírito Santo. Só foi encontrada seis dias depois. Espancada, estuprada, drogada e morta. Seu corpo foi desfigurado com ácido. No entanto, os suspeitos foram absolvidos e o crime, arquivado.

A data do assassinato ficou marcada e, no ano 2000, foi instituído o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado hoje (18).

Denúncias

Uma forma de denunciar possíveis abusos e exploração sexual infantil é através do conselho tutelar de cada município.

Rúbia Barros, conselheira tutelar de Cariacica, conta como funciona o trâmite dessas denúncias.

“O conselho recebe a denúncia, apura os fatos e encaminha à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Em seguida é registrado um boletim de ocorrência e as autoridades solicitam o corpo de delito. Por fim, o conselho tutelar solicita o afastamento como medida de proteção, caso se configure o fato, e encaminha ao programa de atendimento às vítimas”, destaca.

Outra forma de denunciar é buscar o “Disque 100”, criado pela Secretaria de Direitos Humanos do governo federal. Ele é um serviço gratuito de recebimento, encaminhamento e monitoramento de denúncias de violência contra crianças e adolescentes.

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