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quarta-feira, 19 junho, 2024

Hoffmann desiste de candidatura em Vitória e muda tabuleiro político

Deputado estadual Tyago Hoffmann era o representante do PSB em Vitória; Pedido para saída partiu do governador

Por Robson Maia

O deputado estadual Tyago Hoffmann (PSB) anunciou a desistência da pré-candidatura à Prefeitura de Vitória na manhã desta quinta-feira (9). Segundo o parlamentar, a retirada do pleito municipal partiu de um pedido do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB).

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As especulações quanto a uma possível saída de Hoffmann da disputa aconteciam há algumas semanas nos bastidores políticos. O parlamentar ocupará a função de “representante” de Casagrande durante as eleições municipais, participando de campanhas apoiadas pelo PSB no interior do Espírito Santo.

Em entrevista à ES Brasil, Hoffmann confirmou pré-candidatura em Vitória, rechaçou impossibilidade de candidatura do PSB e discursou sobre polêmica envolvendo PL dos elevadores 
Hoffmann anunciou retirada da pré-candidatura a pedido de Casagrande – Foto: ES Brasil

A informação foi confirmada por Hoffmann em uma publicação nas redes sociais, em que agradeceu ao partido a confiança depositada na nova função, além da escolha de seu nome, em primeiro momento, para a disputa pelo Executivo da capital.
“Assumo, a partir de hoje, uma tarefa de articulação político-partidária em todo Espírito Santo”, escreveu Hoffmann.

Hoffmann tem sido um articulador direto dos projetos do PSB. O deputado tem participação direta em projetos encaminhados ao Legislativo, como proposições do Orçamento Estadual, além de ser responsável pela tramitação de matérias em uma das comissões mais estratégicas, a Comissão de Finanças.

Aproximações de Luiz Paulo e Gandini mostravam indícios

Conforme mostrado anteriormente pela ES Brasil, Hoffmann demonstrava uma certa aproximação de outros dois pré-candidatos ao longo das últimas semanas: Luiz Paulo (PSDB) e Gandini (PSD). Nos bastidores, o cenário apontava para uma possível composição de uma frente ampla em busca da Prefeitura de Vitória.

Em entrevista exclusiva à ES Brasil, Luiz Paulo afirmou que há mais de um ano tem realizado sondagens com outros potenciais candidatos e estudando projetos para uma eventual composição partidária, com declarações similares as de Hoffmann.

“Na capital vamos construir um projeto competitivo, robusto, de frente ampla, centrado nos interesses da cidade, sem se perder em falsas brigas, falsas polêmicas, sem radicalismo. (…) Tenho feito isso sempre. Tem sido minha atividade principal. Dialogar com partidos e lideranças no sentido de afunilar um projeto de frente ampla visando as eleições”, declarou o pré-candidato tucano.

Hoffmann desiste de candidatura em Vitória e muda tabuleiro político
Pré-candidatos, Luiz Paulo Vellozo e Tyago Hoffmann se encontraram na Ales na última segunda-feira; Ambos afirmaram que analisam composições – Foto: Reprodução/Redes Sociais

No fim de abril, Hoffmann e Luiz Paulo realizaram a sinalização mais clara para o tabuleiro político em um encontro no gabinete do deputado, na Assembleia Legislativa (Ales). A conversa, registrada nas redes sociais, mostrou ainda a presença do presidente estadual do PSDB, deputado estadual Vandinho Leite.

“Reafirmamos nosso compromisso de seguirmos juntos nas eleições municipais deste ano, pelo desenvolvimento da nossa capital. Durante a reunião, concordamos que Vitória precisa voltar a ser protagonista de sua história e sair, de uma vez por todas, do isolamento em que se encontra”, escreveu Hoffmann na publicação do encontro.

Hoffmann, que também participou do quadro “ES Brasil Entrevista”, não descartou, na ocasião, uma possível composição no pleito eleitoral. O deputado registrou o encontro com os tucanos em suas redes sociais.

Após a desistência, Hoffmann afirmou que seguirá participando das articulações do partido em Vitória e apoiará uma candidatura de centro-direita, conforme acreditava ser o caminho mais viável para um projeto amplo na capital. Sem citar nomes, o deputado alegou que a construção do apoio do PSB será em bloco.

Como fica o cenário eleitoral em Vitória?

Com a saída de Hoffmann, o xadrez político da disputa pelo Executivo da capital começa a afunilar. Além do atual prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que será candidato a reeleição, são vários os nomes que vão figurar na corrida eleitoral: Camila Valadão (Psol), João Coser (PT), Sergio Majeski (PDT), Luiz Paulo (PSDB), Gandini (PSD) e Capitão Assumção (PL).

Nos primeiros desenhos de pesquisas eleitorais, Pazolini apareceu na liderança com certa vantagem em relação aos demais. O levantamento divulgado pelo Instituto Paraná Pesquisas mostrou que o chefe do Executivo tem a preferência de 33,1% dos eleitores entrevistados na capital.

Pesquisa aponta atual prefeito Lorenzo Pazolini como favorito à reeleição com 33,1% dos votos
Pesquisa aponta atual prefeito Lorenzo Pazolini como favorito à reeleição com 33,1% dos votos

No entanto, a pesquisa não considerou candidaturas tidas como incertas naquele momento, como a de Majeski. Neste cenário, Pazolini apareceu com 33,1%, à frente do ex-prefeito e atual deputado estadual João Coser, que possuía 20,4% das intenções de voto. Distantes, apareceram Capitão Assumção (PL), com 11%, a deputada estadual Camila Valadão (Psol), com 9,2%, o ex-prefeito Luiz Paulo, com 9%, e Tyago Hoffmann, foram da disputa, com apenas 1,4%. 9% declaram intenção de voto nulo, branco ou nenhum, enquanto 6,1% não soube responder.

A pesquisa do Paraná Pesquisas mostrou também que o petista João Coser tem a maior rejeição entre os pré-candidatos ao Executivo da capital. O ex-prefeito teve o nome desaprovado por 28,3% dos eleitores. Capitão Assumção (24,7%), Lorenzo Pazolini (18,8%), Camila Valadão (14,7%) completam a lista.

Pré-candidatos participaram do quadro “ES Brasil Entrevista”

Entrevistados no ciclo da ES Brasil, com exceção à Assumção por conta de um impedimento do Supremo Tribunal Federal (STF), os pré-candidatos afirmaram que, ao longo dos meses, estudariam possíveis composições político-partidárias.

Valadão alegou que em deliberações do Psol, a sigla entendeu ser necessária uma candidatura própria, capaz de englobar os projetos políticos e ideias de transformação na capital. A deputada estadual não poupou críticas à gestão do atual prefeito, classificando-a como um retrocesso para o município em diversas áreas, como saúde, educação, cultura e até mesmo com a zeladoria.

“Vitória é uma capital que tinha um histórico importante de avanços em várias políticas sociais, como saúde, educação, habitação. E o que que a gente observou ao longo desse período da gestão do atual prefeito foi um retrocesso. Eu dizia o seguinte: “olha, é difícil conduzir uma má gestão na cidade de Vitória”, mas o prefeito se esforçou e conseguiu fazer isso.” declarou a deputada do Psol.

Coser, na mesma linha, criticou reprovou a condução realizada pelo atual gestor no município. Segundo ele, a capital perdeu o protagonismo em relação às vizinhas Serra e Vila Velha.

“Para ser gestor, você tem que dialogar. Eu realizei grande parte das obras estruturantes de Vitória porque conversava com o Governo Estadual e Federal. […] Hoje, Serra e Vila Velha estão ‘bombando’, até Cariacica que era muito criticada está bem. Enquanto isso, Vitória tem ficado pra trás”, lamentou o petista.

Apesar de adotar um tom moderado nas críticas, Majeski afirmou que “esperava mais” da gestão que comanda a capital desde 2020. O pré-candidato do PDT afirmou que não viu mudanças significativas e desenvolvimentistas no município ao longo dos últimos anos.

“Eu esperava mais, na verdade. Porque eu conheço o atual prefeito de longa data, foi meu aluno, inclusive. Nós sempre estamos esperando o novo na política. Assim, a gente escuta o tempo sobre renovação, mudança. Então muitas vezes se acha que um jovem político, jovem em idade, vai inovar, vai trazer um respiro. E não é o que se observa. É praticamente uma continuidade daquilo que sempre foi feito. (…) Uma crítica ferrenha que eu tenho a essa administração e que também tenho às administrações anteriores é o abandono do centro da cidade e das regiões periféricas”, apontou Majeski.

Luiz Paulo centralizou boa parte de suas declarações no processo de polarização da política brasileira e a expectativa em quebrar o que classificou como um “ciclo”.

“E eu sou da escola do Fernando Henrique Cardoso. Na verdade, eu comecei a fazer política lá atrás, com Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, de conciliação, de convergência e de construção. Eu acho que o Brasil tá precisando disso, o Espírito Santo também, e Vitória também, e eu me sinto motivado. Ativado e com muita força para dar essa contribuição, de fazer um projeto ousado para uma administração transformadora e vitoriosa”, apontou o psdbista.

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