Cuidar da saúde mental da equipe não significa assumir o papel de psicólogo(a), mas adotar práticas simples que podem mudar a rotina

Por Neidy Christo
O mês do Setembro Amarelo é sempre um convite à reflexão sobre a nossa vida e as que impactamos e sobre a urgência de cuidarmos da saúde mental. Muitas vezes, associamos esse tema apenas ao campo pessoal ou à responsabilidade dos profissionais da saúde. Mas, no contexto organizacional, saúde mental também é, e precisa ser, um tema de liderança.
Um líder não é responsável apenas por resultados, mas também pelo ambiente que cria. E um ambiente de trabalho pode ser tanto um espaço de crescimento e motivação quanto um terreno fértil para ansiedade, estresse e adoecimento. A diferença está, em grande parte, na forma como a liderança se posiciona.
Cuidar da saúde mental da equipe não significa assumir o papel de psicólogo(a), mas adotar práticas simples que podem mudar a rotina. A primeira delas é a escuta genuína. Estar disponível, de verdade, para ouvir o colaborador sem julgamento, criando espaço para que ele(a) se sinta visto(a).
Outro ponto é o reconhecimento: valorizar os esforços, celebrar conquistas e demonstrar gratidão têm um impacto direto na autoestima e no engajamento. Afinal, quem não se sente bem sendo reconhecido(a)?
Também cabe ao líder dar o exemplo. Falar abertamente sobre equilíbrio, respeitar horários, incentivar pausas e mostrar que produtividade não é sinônimo de sobrecarga. Quando a equipe percebe coerência entre discurso e prática, sente-se autorizada a cuidar de si sem culpa.
Outro aspecto importante é a prevenção do burnout (uma síndrome reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, causada pelo estresse crônico no trabalho, que não foi adequadamente gerenciado). Seus principais sinais são exaustão física e emocional, sensação de ineficácia e distanciamento do trabalho. Líderes atentos aos sinais de esgotamento podem agir antes que o problema se torne maior, seja reorganizando demandas ou abrindo espaço para diálogos honestos.
E que fique registrado que não estou dizendo que há liderança perfeita, e mesmo assim, tudo bem. O essencial é reconhecer que saúde mental não é um assunto periférico, mas central na gestão de pessoas. Ignorá-la é um risco para o indivíduo, para a equipe e para a própria organização. Valorizar esse cuidado é, ao mesmo tempo, um ato de humanidade e de inteligência estratégica.
Por isso, pergunto: como você, enquanto líder, tem contribuído para que sua equipe não apenas entregue resultados, mas também tenha saúde e qualidade de vida no processo?
Neidy Christo é presidente da ABRH/ES, doutoranda em Administração e Consultora em Desenvolvimento Humano

