Psicanalista explica como é importante valorizar rituais simples e o afeto para driblar a rotina acelerada, que reduz momentos de conivência em família
Por Amanda Amaral
A correria do dia a dia, com agendas lotadas, prazos apertados e demandas constantes, tem impactado diretamente o tempo de qualidade entre pais e filhos, o que reduz os momentos de convivência em família. Mas o que fazer para evitar este distanciamento silencioso dentro dos lares?
O dia a dia no século XXI não é o mesmo do século XX devido as grandes transformações econômicas e tecnológicas no decorrer dos anos, que impactaram diretamente na forma como o homem lida com o tempo e as atividades do cotidiano.
“Enquanto no século XX havia uma estrutura mais linear e previsível, hoje somos confrontados com a velocidade das informações e a imediata demanda por resultados. Isso gera uma fragmentação do tempo, na qual a multiplicidade de tarefas e a presença constante das tecnologias impactam diretamente as relações familiares”, afirma a psicóloga e psicanalista Mariana Weigert de Azevedo.
A lógica do “estar sempre correndo” faz com que o espaço do encontro — do olhar, da escuta, da troca — seja substituído por interações apressadas e automatizadas, segundo a psicanlista. “A vida moderna cobra uma performance constante dos adultos. É como se o tempo precisasse sempre ser produtivo, e nisso a presença se esvazia. Estar junto deixou de significar estar com o outro de verdade. Estamos fisicamente próximos, mas emocionalmente distantes”.
Mariana de Azevedo reforça porém, que a rotina desempenha um papel fundamental na saúde mental individual, pois cria um espaço de previsibilidade, proporcionando segurança emocional e estabilidade, que são elementos essenciais para o bem-estar psicológico.
Tempo em família

Contudo, a qualidade do tempo em família não está ligada apenas à quantidade de horas disponíveis, mas à capacidade de presença real e afeto compartilhado, de acordo com a psicanalista. “Cinco minutos de escuta atenta podem ser mais potentes do que horas ao lado de alguém desconectado. A criança percebe quando há atenção e quando está apenas sendo ‘checada’ entre uma tarefa e outra. E isso deixa marcas”, pontua a psicanalista.
Como alternativa, Mariana sugere pequenas pausas diárias para rituais simples, como refeições sem telas, caminhadas juntos ou a leitura de uma história antes de dormir. “É preciso resgatar a ideia de que vínculo se constrói na repetição do afeto, mesmo em gestos cotidianos. A conexão familiar não nasce do extraordinário, mas do ordinário que é vivido com presença”, conclui.
A psicanalista destaca que a família é um espaço onde as histórias, memórias, normas, valores, formas de relacionar, são compartilhadas e transmitidas. “Um ambiente familiar saudável, favorece a socialização e a adaptação do indivíduo ao mundo externo, além de desenvolver maior segurança emocional, vital para o desenvolvimento da resiliência e da capacidade de lidar com as adversidades da vida”, pontua.

