Desempenho recorde nos portos de Vitória e Vila Velha reforça logística capixaba e amplia participação no comércio exterior
Por Letícia Arcanjo
A Vports movimentou, no último ano, 7,9 milhões de toneladas por meio dos portos de Vitória e Vila Velha, registrando recordes nas importações e nas movimentações de fertilizantes, carvão e coque. As importações cresceram 9%, saltando para 5,3 milhões de toneladas.
O granel sólido representou 38% da movimentação total, com 3 milhões de toneladas. Dentro desse segmento, os destaques foram, os fertilizantes, com 1,14 milhão de toneladas (+8%), o carvão, que teve crescimento de 81% e o coque, que teve alta de 43%. A movimentação de carvão e coque somou 696 mil toneladas no ano. Além disso, entre os produtos em destaque estão os veículos, com 215 mil unidades que chegaram ao Brasil pelos dois portos ao longo do ano.
Para Pablo Lira, diretor geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), esse resultado gera um impacto positivo para o PIB do Estado. “A gente tem aí atividade de logística, serviços especializados, também contribui para um maior escoamento da produção via os portos da Vports, os terminais. E movimenta a economia, contribui para roda da economia gerar aqui no Espírito Santo, tendo aí um crescimento do nosso produto interno bruto,” afirma.
De acordo com a Vports, o desempenho está associado a investimentos em infraestrutura, como dragagem e ampliação da capacidade para navios de até 83 mil toneladas, além do licenciamento para novas cargas. Em 2025, a empresa obteve licenciamento ambiental para operar novos produtos, como betume, briquete e arroz. A companhia também realizou o primeiro embarque brasileiro de lítio verde, que passou a integrar a movimentação regular do porto.
Segundo o especialista, o crescimento da movimentação portuária envolve fatores estruturais e conjunturais. Entre os estruturais, ele destaca a privatização da Vports e os investimentos realizados nos terminais do Porto de Vitória, incluindo modernização, melhorias de acesso feitas pelo Governo do Estado e aportes em tecnologia e sistemas, que deram mais agilidade às operações.
No campo conjuntural, aponta o bom momento do comércio exterior do Estado e do Brasil, com destaque para a entrada de veículos híbridos e elétricos, mais de 80% deles chegaram ao país pelos portos capixabas, o que levou à ampliação das operações também na Portocel, em Aracruz. Ele cita ainda produtos como café e rochas ornamentais como impulsionadores da movimentação.
Para Pablo Lira, o Espírito Santo vem ganhando participação em relação a outros portos brasileiros. Ele ressalta que, além da Vports, o Estado conta com estruturas como o Porto de Tubarão, o Porto de Ubu e a própria Portocel, formando um conjunto que fortalece a posição capixaba. “O Estado do Espírito Santo, com os nossos terminais portuários são uma solução para a movimentação de cargas no Brasil”, destaca.

