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segunda-feira, 17 janeiro, 2022

Recessão técnica: Espírito Santo não é afetado

Entenda como esta estagnação afeta o Espírito Santo e quais as vantagens do Estado através da análise de especialistas

Por Amanda Amaral 

O Produto Interno Bruto (PIB) – o valor de todos os produtos e serviços produzidos na economia em determinado período, no terceiro trimestre ante o segundo, apresentou queda de 0,1%, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (02).

Após nove meses de avanços, do terceiro trimestre de 2020 ao primeiro de 2021, a economia parou a partir de abril. No segundo trimestre, o PIB também caiu (0,4%) ante os três primeiros meses do ano.

Com isso, a economia brasileira entrou em “recessão técnica”, como economistas chamam a situação em que ocorrem dois trimestres seguidos de retração no PIB.

Espírito Santo

“A gente está num ciclo recessivo de curto prazo, temos uma economia ainda muito forte no Estado. O setor primário, que é o agronegócio foi muito importante durante a pandemia e continuará sendo agora, além dos setores industrial, que está encontrando seu crescimento, e o do comércio, que já vem apresentando bom desempenho”, analisou Vaner Correia, representante do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES).

Na opinião do economista, a recessão nacional não causará muitos impactos ao Espírito Santo. “O Espírito Santo fez uma boa travessia durante a crise pandêmica. Não houve atraso salarial por parte do estado, estamos falando de despesas fixas, isso é um indicador de que a economia vai bem. Já se fala em aumento para os servidores públicos. O que temos é que tomar e cuidado com o avanço dessa recessão”, disse.

PIB capixaba acumula crescimento de +7,9% no ano e superou o desempenho nacional, segundo dados do Instituto Jones Santos Neves (IJSN), referente ao segundo trimestre de 2021. De acordo com o Diretor de Integrações e Projetos Especiais do Instituto, Pablo Lira, a próxima divulgação ocorre em alguns dias e deve repetir o feito.

“O Espírito Santo deve repetir os dados e ficar novamente acima da média. O Estado apresenta crescimento nos setores de comércio e serviços e da agricultura, e na indústria, destaca-se o setor de papel e celulose com ótimos resultados. Além disso, os indicadores que avaliamos também acusam bom desempenho”, disse.

A taxa de desemprego é de 10%, enquanto no restante do país 13%, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílios (PNAD). Outro indicador relevante é com relação à contratação. Foram mais de 45 mil postos de trabalho no mercado formal nos últimos 10 meses no Espírito Santo, de acordo com o Cadastramento Geral de Empregados e Desempregados (CAGED).

“Além desses sinais, as contas públicas estão equilibradas mantendo a nota A, com relação à capacidade de pagamento, desde 2012 na avaliação da Secretaria do Tesouro Nacional. Isso é muito importante para a atração de investimentos que, como consequência, resulta em arrecadação, geração de renda e diminuição do desemprego”, salientou Lira.

Pandemia

No terceiro trimestre, a economia foi puxada, pela ótica da oferta, pelo setor de serviços, com avanço de 1,1% sobre o segundo trimestre. Essa “normalização” das atividades aparece no mercado de trabalho, com a recuperação de postos de trabalho, especialmente nos serviços presenciais.

“Há uma normalização das atividades presenciais. Estamos colhendo os frutos da vacinação”, disse Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de Macroeconomia da Tendências Consultoria.

Como responde por pouco mais de 70% do PIB, o setor de serviços puxa a atividade como um todo, mas, no terceiro trimestre, a indústria e a agropecuária seguraram o impulso, impedindo um crescimento maior.Sob efeito de quebras de safra provocadas pela estiagem histórica no meio do ano, a agropecuária registrou queda de 8% sobre o segundo trimestre.

O PIB industrial ficou estagnado, ainda afetado pelos gargalos nas cadeias globais de produção, marcados pelo travamento do transporte marítimo e pela escassez de peças e componentes.

Crescimento econômico

A estagnação não impedirá um crescimento econômico expressivo neste ano, mas a perda de fôlego aponta para um desempenho bem abaixo disso em 2022. A pesquisa do Projeções Broadcast com analistas do mercado financeiro, feita antes da divulgação dos dados desta quinta-feira pelo IBGE, apontava para um crescimento de 4,8% no PIB de 2021 ante 2020, desacelerando para apenas 0,5% em 2022 ante este ano.

Economistas começaram a revisar para baixo suas projeções para o crescimento de 2022 em setembro, quando a persistência da inflação mais elevada ficou clara – para enfrentar a alta de preços, o Banco Central (BC) deverá subir mais os juros básicos da economia, medida que visa esfriar a demanda e, portanto, tirar impulso do crescimento econômico.

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