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Pandemia da Covid-19: desafios que marcaram o ES

Após 5 anos do início da pandemia da Covid-19, o atual secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffman, comenta sobre as estratégias adotadas pelo Estado

Por Amanda Amaral

Em 11 de março de 2020, a Covid-19 foi oficialmente classificada como uma pandemia. O primeiro caso no Espírito Santo foi registrado antes, no dia 05 do mesmo mês. Somente no Estado, foram 15.086 óbitos devido à doença, até o fim em 2023, de uma das piores crises em saúde da humanidade.

Atuando como secretário de Governo na época, Tyago Hoffman fala hoje sobre os diferenciais adotados pelo Espírito Santo no combate à Covid-19 e sobre as estratégias adotadas ainda utilizadas pelo Secretaria de Estado da Saúde, sua atual pasta.

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Entre elas, a não criação de hospitais de campanha, a compra de vacinas na rede privada e o Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, como  referência no enfrentamento ao novo Coronavírus por quase dois anos.

Dentro números, foram aplicadas no Espírito santo, até 05 de maio de 2023, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o fim da pandemia, 10.005.485 doses da vacina contra a Covid-19. 

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– O Espírito Santo foi referência nacional em alguns debates durante a pandemia como a questão dos leitos e da vacina. O que ficou de aprendizado deste período?

Nos criamos um Centro Integrado de Comando e Controle, passando a ideia de que a pandemia não era um problema exclusivo de saúde, que era uma questão mais holística, que atingia outros setores como a economia – tanto que tivemos que tomar medidas com relação ao funcionamento de atividades econômicas. Tudo isso precisou ser feito de forma organizada e planejada, com a participação de diversas secretarias. Na época, eu era secretário de Governo e participamos da gestão por meio do Centro Integrado de Comando e Controle. Trabalhamos de forma organizada, planejada e científica, foi assim que o Estado pautou suas ações. Tivemos uma decisão muito importante, que foi não abrir hospital de campanha. A opção foi pela ampliação de leitos próprios e pela compra de leitos privados, o que resultou em um legado importante na quantidade de leitos. Abrimos mais de mil leitos de UTI e mais de mil leitos de enfermaria.

– Estes leitos ainda estão disponíveis?

Praticamente todos, são abertos conforme situação, mas são mais de dois mil leitos, praticamente todos funcionando na nossa rede. Esse é um legado importante, porque nos permite ter hoje uma regulação melhor. Os pacientes no Espírito Santo aguardam pouco em via de regra – com exceções – nas unidades de saúde para serem transferidos para um hospital quando há necessidade. Isso porque temos disponibilidade de leitos, não é perfeito, longe disso, mas uma boa disponibilidade de leitos. Temos muito leitos em construção ainda, esse modelo que veio da pandemia da Covid-19, não parou. Nos continuamos realizando investimentos importantes. Hoje estamos em andamento com os dois maiores hospitais do Espírito Santo – o primeiro é o Hospital Geral de Cariacica e o segundo, o Hospital de São Mateus. O Jayme Santos Neves, na Serra, passará a ser o nosso terceiro maior, sendo que ele foi um dos maiores hospitais Covid-19 do Brasil.

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– Como foram as decisões relacionadas à vacinação?

Na mesma linha do trabalho científico e planejado, nos trabalhamos fortemente estimulando a vacina, e enfrentamos muito fake news e desinformação sobre esse assunto. Mas aqui a gente apostou na vacina. Também criamos um modelo de logística para distribuição rápida, equipamos os municípios com câmaras frias para receberem os imunizantes e guardá-los adequadamente. Muitos municípios não tinham, nós compramos mais de 40 câmaras frias. O Espírito Santo foi um dos poucos estados que comprou doses da vacina, assim como São Paulo. Normalmente ela é 100% distribuída pelo Ministério da Saúde, mas na pandemia nós adquirimos 500 mil doses da vacina pela rede privada.

– Como foi a criação do Centro Integrado de Comando e Controle na pandemia? Recentemente, foi criado um novo Centro Integrado de Comando, porém agora para as discussões sobre as arboviroses.

Em todos os manuais sobre você lidar com crise, você vai ver que é importante ter um centro decisório. Não existia esse centro decisório no Espírito Santo, porque são criados para crises específicas. Quando houve o advento da pandemia da Covid-19, com ações planejadas para organizar um enfrentamento à crise, nos usamos a metodologia já consagrada do Centro Integrado de Comando de Controle, que o governador do Estado, Renato Casagrande, o liderava diretamente. E nós tínhamos todas as secretarias envolvidas. Para além da gestão, nós tínhamos uma Central de Compras, um Portal da Transparência específico para a pandemia, um grupo de cientistas que envolveu o Instituto Jones Santos Neves e o Ifes com modelos matemáticos. Nós conseguíamos ter uma previsibilidade sobre a questão da quantidade de leitos graças aos modelos matemáticos.

– Como foi a questão da testagem, outro desafio na época?

Nos reforçamos muito o nosso Laboratório Central – Lacen, por exemplo, que hoje é um dos melhores do Brasil, o reforçamos para criar uma capacidade forte de testagem. Hoje é um legado para o Espírito Santo utilizado para arboviroses e doenças respiratórias, entre outras.

Tyago Hoffmann, secretário de Estado da Saúde. Foto: Divulgação/Sesa
Tyago Hoffmann, secretário de Estado da Saúde. Foto: Divulgação/Sesa

– Do ponto de vista da saúde, qual sua opinião sobre a percepção da população após a pandemia?

Nos tivemos no Espírito Santo uma adesão forte à vacinação, mesmo apesar das fake news e da desinformação. O Estado hoje é um dos que possui melhor desempenho em metas do Ministério da Saúde com relação a diversos tipos de vacinas. Isso é importante. O que nos conseguimos é vencer a barreira da desinformação, com muita comunicação e com muito diálogo com a população, mostrando que as vacinas são seguras e importantes para prevenção. Como falei, acompanhávamos tudo isso de forma planejada e científica, e o número de casos da doença caía vertiginosamente a medida que avançávamos com a vacinação, principalmente, o número de casos graves. Nós divulgávamos um mapa, um elemento visual, com informações assertivas e diárias, o que facilita a compreensão. Isso fez com que a sociedade acompanhasse junto conosco o que estava acontecendo.

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