Agronegócio capixaba enfrenta custos de frete mais altos, mas logística integrada e inovação abrem caminhos para manter a competitividade

Por Luiz Alberto Teixeira
Agronegócio e logística são elementos de uma mesma equação. A logística abrange todas as etapas do fluxo de produtos e, uma vez eficiente, contribui para a competitividade do setor. Ela é relevante em qualquer operação do agro e uma atividade que faz a diferença no Espírito Santo, estado reconhecido por sua localização geográfica, que se torna um facilitador logístico, e que tem no agro uma de suas grandes forças – o setor é responsável por cerca de 30% do PIB estadual, se destacando, sobretudo, na produção de café e cultivo do mamão.
O resultado da soma entre diversidade produtiva e importância econômica da atividade não deixa de ser um horizonte de oportunidades. Porém, o agronegócio capixaba enfrenta um cenário de incertezas diante da possibilidade de aumento dos custos de frete, que pode comprometer a competitividade de produtos agrícolas nos mercados interno e externo.
O custo do frete está ligado a três fatores: carga tributária, infraestrutura logística e equilíbrio entre oferta e demanda. Vivemos tempos de possíveis mudanças econômicas e tributárias, e tanto os produtores rurais quanto as empresas do setor estão atentos aos efeitos diretos nos custos de produção e escoamento. Olhando para o cenário, é como se estivéssemos diante de um jogo de tabuleiro. De um lado estão os desafios. Do outro, as oportunidades.
Primeira análise: por que devemos nos preocupar com os desafios?
O Espírito Santo possui características geográficas específicas, como relevo acidentado e malha rodoviária concentrada, que tornam o transporte mais oneroso. Na prática, isso significa que nossas culturas agrícolas e a produção de eucalipto para celulose podem ser impactadas, uma vez que o aumento do frete reduz a margem de lucro do produtor, encarece o produto final e compromete a competitividade. Some-se a isso a escassez hídrica e impactos climáticos, o déficit de mão de obra e sucessão familiar.
Segunda análise: o que temos de oportunidades?
O cenário, apesar de nebuloso, abre espaço para repensar estratégias logísticas e investir em soluções sustentáveis. A primeira delas é a integração modal. Apostar na diversificação dos modais pode reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência no escoamento da produção.
Outros caminhos dizem respeito à logística reversa e cooperativismo, capazes de reduzir despesas e melhorar o aproveitamento de cargas; inovação e tecnologia, cujas soluções e plataformas auxiliam no planejamento e negociação; e investimentos em infraestrutura.
Duplicação das nossas BRs, 101 e 262, ampliação e manutenção de estradas vicinais e rodovias estaduais, e otimização das operações portuária e ferroviária são essenciais para garantir o fluxo contínuo da produção.
Falar de oportunidades é falar também de diálogo institucional e políticas públicas. Precisamos manter o diálogo entre os setores produtivo, público e privado para subsidiar decisões com dados técnicos e estimular políticas de apoio ao escoamento da produção.
Agora, voltando ao nosso jogo de tabuleiro. O agro capixaba tem demonstrado capacidade de adaptação diante de adversidades climáticas, econômicas e estruturais. O aumento do custo do frete é um elemento a mais no “combo”, mas temos a nosso favor o poder do planejamento e visão de longo prazo. Se mexermos nossas peças pensando em logística inteligente, infraestrutura e inovação, o Espírito Santo fará valer a máxima do “transformar crise em oportunidade”. E aí, xeque mate!
Luiz Alberto Teixeira é presidente do Transcares.
*Artigo publicado orginalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

